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Mulheres muçulmanas

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2005 havia 27 mil muçulmanos no Brasil.

No texto a seguir uma muçulmana brasileira fala um pouco sobre sua religião.

Opressão à mulher é contra o islã

Quem vê a paulistana de família libanesa Magda Aref […] percebe imediatamente que ela é muçulmana – afinal lá está o indefectível véu (infalível, isto é, que não falha nunca, que está sempre presente.) E também logo vê que uma muçulmana que segue à risca seu credo pode, sim, ser uma mulher, como ela diz, “absolutamente normal, que sorri, chora, tem problemas e alegrias, dança, se diverte, sai, estuda, trabalha, tem sua vida social, suas amigas”. “A única diferença, é que cremos num só Deus que adoramos na nossa vida diária, e uma das maneiras de adora-lo está em nossa veste” […]

Nascida em uma família muçulmana não-praticante e adepta fervorosa da religião desde os 14 anos, Magda é a presidente do departamento feminino da Liga da Juventude Islâmica no Brasil. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), casada, mãe de duas meninas pequenas e professora de islamismo para crianças e mulheres, ela discorre com entusiasmo sobre o papel da mulher no Islã. […]

  • Folha __ O véu é uma imposição?
  • Magda Aref  __ É uma obrigação religiosa, como rezar cinco vezes ao dia, pagar o tributo para ajudar os mais pobres, jejuar no Ramadã. Mas cabe a cada um seguir ou não, pois existem vários mandamentos e nem todos os seguem. O significado do véu é super nobre , é valorizar a mulher nada a ver com repressão. Não é que uma mulher que não esteja vestida assim seja desrespeitada, mas a veste faz com que você coloque um obstáculo em relação ao sexo oposto. Já na frente do seu marido, não tem restrição nenhuma. A mulher muçulmana se arruma da porta de casa para dentro.
  • Folha __ Qual é o papel da mulher no Islã?
  • Aref __  Todo muçulmano, homem ou mulher, é submisso a Deus – eis o princípios do islã. Todas as adorações e obrigações religiosas basicamente são as mesmas para homens e mulheres. A única coisa que é específica para a mulher tem a ver com a sua própria condição fisiológica, que é o fato de ser mãe. O islã sempre insiste nesse ponto: a condição primordial considerada para a mulher é ser uma boa mãe. Mas, além da veste, ele não tem nada de especial em relação a mulher. […]
  • Folha __ Maridos muçulmanos que oprimem suas mulheres podem usar a religião como desculpa? […]
  • Aref __ Se ele fizer isso, mante-la em casa, está desagradando a Deus. Olha como ele mesmo se contradiz. Ninguém pode fazer de ninguém um escravo, ninguém pode manter uma pessoa trancada em casa.

Opressão à mulher é contra islã, diz praticante de São Paulo. Folha de São Paulo. matéria publicada em 11/07/2004.

 

As mil e uma noites

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Quem nunca ouviu falar de Ali baba e os quarenta ladrões ou das aventuras de Aladim e sua lâmpada maravilhosa? Quem nunca desejou embarcar no navio de Simbad, o marujo para uma daquelas viagens maravilhosas, repletas de perigos e mistérios?

Essas e outras aventuras encontram-se reunidas em um livro chamado As mil e uma noites. Várias delas são histórias muito antigas provenientes da Índia, da Pérsia e da península Arábica, onde eram transmitidas oralmente de geração para geração desde antes do nascimento de Maomé. Hoje elas são mundialmente conhecidas por causa de sua divulgação pelos árabes e muçulmanos.

O livro tem esse nome porque um rei chamado  Shahryar que matava suas esposas no dia seguinte ao casamento, um dia se casou com uma princesa lindíssima e muito esperta chamada Sherazade. Sabendo do costume do marido, a princesa começou a contar a ele uma história que não acabava nunca. Interessado e curioso por conhecer o desfecho das aventuras que Sherazade contava, o rei ia adiando o momento de mata-la.  E foi assim que Sherazade se salvou e viveu feliz para sempre ao lado do rei, que acabou percebendo que o melhor mesmo era desfrutar do amor de sua linda princesa.

 

Simbad a lenda dos sete mares (inglês)

A expansão do Islã

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Unidos em torno de sua crença e estimulados pelo preceito da defesa de sua religião, os muçulmanos expandiram seus territórios para muito além da península Arábica. Em menos de um século, conquistaram regiões que iam da Índia até a península Ibérica, passando pelo norte da África. A conquista de terras e pontos-chave do comércio internacional pelos árabes se deu numa velocidade espantosa. Em cem anos – a contar da morte de Maomé – formaram um império imenso. O comércio árabe cresceu de modo extraordinário. Agindo como intermediários entre o Oriente e o Ocidente, os árabes transportavam e vendiam sobretudo artigos de luxo, como tapetes, sedas, armas, móveis, jóias e especiarias do Oriente (pimenta, cravo, canela, mostarda etc).

Suas caravanas com milhares de camelos, levavam artigos da Índia, da China até os portos do Mediterrâneo, como Alexandria e Trípoli no Egito. De lá as mercadorias chegavam por mar a diversos pontos da Europa.

Além de comerciar, os árabes também produziam. Era grande  o número de oficinas nas principais cidades do império. Damasco, na Síria, era conhecida por seu tecido estampado; Marrocos, no norte da África, era famosa por sua produção de couro; Bagdá, a  atual capital do Iraque, era especialista na produção de vidros, jóias e sedas. Eles aperfeiçoaram também técnicas de irrigação e conseguiram transformar terras secas, como as de Valência, na Espanha, em áreas férteis de produção diversificada.

Entre os gêneros agrícolas que a Europa medieval conheceu por intermédio dos árabes, estão o café, a cana-de-açúcar, o algodão, o pêssego e o espinafre.

A expansão deu aos muçulmanos o domínio de uma grande extensão territorial. Mas não havia acordo entre eles sobre a forma de governar esse império. Alguns queriam que todos os territórios conquistados estivessem sob o controle do califa, estabelecido na cidade árabe de Bagdá. Outros queriam a autonomia dos novos territórios, como era o caso de Abd-er Rahman, o emir de Córdoba, na península Ibérica, na segunda metade do século VIII. Ele achava que seu governo sobre al-Andaluz, nome dado então pelos muçulmanos à atual Espanha, não devia prestar contas ao califado de Bagdá.

Tais diferenças acabaram levando à divisão do Império islâmico em vários califados (reinos) independentes no decorrer do século VIII.

trecho extraído de : BOULOS JUNIOR, Alfredo.coleção História Sociedade & Cidadania

A cultura islâmica

A civilização árabe foi, sobretudo, urbana. A riqueza das cidades árabes medievais, como Córdoba e Granada, na atual Espanha, Cairo e Marrakech, na África, Damasco e Bagdá, na Ásia, provinha principalmente do comércio. Juntamente com o comércio, os árabes promoveram a circulação de idéias e conhecimentos. Foram eles que introduziram na Europa a bússola, o papel e a pólvora, inventados pelos chineses. Além disso, produziram conhecimento, sobretudo no campo da medicina, da matemática e da química.

Na medicina descobriram o contágio por meio da água, da comida e das roupas e identificaram as causas de várias doenças contagiosas, como a varíola e o sarampo.

Os árabes e a medicina

Ter um filho médico é ainda hoje motivo de grande orgulho para a mãe árabe. O motivo é simples: o gosto pela medicina e o prestígio do médico entre os árabes são milenares. Veja o que diz um historiador.

Os doutores em medicina eram pessoas de grande importância nas sociedades muçulmanas. (…)

Fachada do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo

Os princípios da arte médica islâmica foram expostos em duas grandes obras médicas de síntese – o Hawi (Livro abrangente), de Abu Bakr M. al-Rasi (863-925) e o Quanum (Princípio de medicina), de Ibn Sina (Avicena). Apesar de apoiarem-se nos trabalhos de grandes cientistas, estas obras levaram a arte da medicina mais adiante; o livro de Ibn Sina, traduzido para o latim, iria ser o principal manual de medicina europeu até, pelo menos, o século XVI.

A medicina, como os médicos [árabes] muçulmanos a entendiam, devia ser ensinada não nas escolas, mas nos hospitais que existiam nas grandes cidades. Foi como praticantes da arte da cura que os médicos muçulmanos deram suas mais importantes contribuições. Levaram adiante as técnicas de cirurgia. Observaram o desenvolvimento das doenças e descreveram-nas; Ibn al kathib (1313-1374) foi talvez o primeiro a compreender o modo como a peste se espalhava por contágio. Já se disse que a farmácia como instituição é uma invenção islâmica.

(HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. p. 209-10. Adaptado.)

Matemática

Na matemática, os árabes desenvolveram a aritmética e divulgaram os algarismos indo-arábicos. Os números que usamos no dia-a-dia são chamados indo-arábicos por terem sido trazidos da Índia pelos árabes. Foi o matemático árabe Al-khwarismi quem primeiramente os utilizou. Imagine como daria trabalho fazer uma simples conta de subtrair usando os algarismos romanos:

CXX – XXXII = LXXXVIII

120 – 32 = 88

Os árabes também foram os criadores do número zero, a partir do  qual se construiu o sistema decimal.

Veja o que um historiador diz sobre o assunto:

No mundo moderno é difícil imaginar um sistema numérico sem o zero. Sem ele todo o conceito da matemática abstrata seria impossível, uma vez que nos possibilita expressar a diferença entre duas quantidades iguais, como : 2 – 2 = 0. O zero é também fundamental para muitas outras ciências inclusive a física, a química e a astronomia. Os sábios islâmicos representaram o conceito de zero com um ponto ou um pequeno círculo. Sua palavra para esse círculo era sifr, que indicava algo vazio. Quando passada para o latim, tornou-se zephirum e mais tarde, em italiano zero. O português reteve-se como zero, conservando também a palavra original árabe sifr, como cifra.

Na química descobriram novos compostos, como o álcool e o ácido sulfúrico, que têm várias aplicações na indústria.

Na literatura, os árabes muçulmanos revelaram-se imaginosos como se pode concluir, lendo As mil e uma noites, uma coletânea de histórias mundialmente conhecida.

fonte: BOULOS JUNIOR, Alfredo: coleção História Sociedade & Cidadania

Os líderes do islamismo

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  • Aiatolá: O termo vem do árabe ayat allah (manifestação de Deus) e surgiu no Irã, no século XIX. Ele designava os juristas mais graduados, os maiorais da hierarquia dos mulá  (estudiosos do islamismo) O aiatolá é a principal referência da comunidade xiita.
  • Califa: Do árabe Khalifah, que quer dizer sucessor […] A palavra passou a designar o líder político e religioso dos Estados que formavam o Império islâmico.[…]
  • Emir: Título não religioso atribuído a lideranças militares, governadores e outras autoridades. Surgiu da palavra árabe Amir, que significa comandante ou príncipe. […]
  • Marajá e rajá: No século XII, os rajás eram os chefes de pequenos Estados que formavam a Índia. A palavra vem do sânscrito rajan, rei. Os reinos eram controlados por um poder central chefiado pelo marajá, que significa grande rei. Quando os muçulmanos invadiram a região da Índia, os chefes foram depostos. Os invasores assumiram os governos e os títulos.
  • Sultão: Do árabe sultan, que significa potência, esse título é dado a qualquer um que tenha autoridade política. É usado por soberanos de países do mundo islâmico, como Omã e Brunei. No século XI, quando o califado começou a se fragmentar, os sultões passaram a governar os pequenos reinos que surgiram.
  • Vizir: O termo quer dizer “aquele que ajuda a carregar o peso” e vem do árabe wazir. A função surgiu no século VIII. Cabia ao vizir ficar entre o califa e o povo. Mais tarde, o título foi estendido a todos os integrantes do ministério até os oficiais e governadores. Durante o Império otomano, o representante do califa era chamado de grão-vizir para diferenciá-lo dos demais vizires.
  • xah que quer dizer rei, o termo tem origem persa: . Desde o século VI antes de Cristo os líderes políticos da Pérsia, atual Irã, recebiam essa denominação. O título foi usado até 1979, quando a revolução islâmica no Irã instituiu o governo do aiatolá.
  • Xeque: A denominação pode ser usada por qualquer pessoa que tenha autoridade religiosa. Vem do árabe shaykh, que significa ancião.

Principais autoridades do Império turco-otomano em gravura do francês Jean Brindesi (1855): Mahmoud II, sultão; Kehaya-Bey, ministro do Interior;e Sadr’Azam, grão-vizir

DUARTE, Marcelo. Guia dos curiosos. www.guiados curiosos.com.br/index.php?cat_id=53355

 

Technorati Marcas:

Os sucessores de Maomé

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Depois de Hégira, Maomé passou a governar Yatreb. Seus seguidores empreenderam várias batalhas contra os habitantes de Meca. Apenas em 630, os muçulmanos conquistaram a cidade de Meca, onde assumiram o poder e destruíram os ídolos da Caaba.

Com a morte de Maomé, em 632 os primeiros califas (do árabe halifa, “sucessor”, “soberano” partiram para a conquista de terras e homens para o islamismo.Os muçulmanos, então sofreram sua primeira divisão. Uma parte deles, os xiitas, acreditava que a liderança político-religiosa dos muçulmanos deveria ser exercida por pessoas da família do profeta. Dessa forma, os sucessores de Maomé (ou califas) deveriam ser seu genro Ali ibn Abu Talib e seus descendentes.

Os sunitas foram contrários a essa proposta. Para eles. Maomé não havia deixado sucessores, e os muçulmanos eram livres para escolher seus governantes. Essa disputa impediu que Ali ibn Abu Talib assumisse imediatamente o cargo. Para chegar ao califado, esperou mais de vinte anos, assumindo o posto apenas em 656, quando se tornou o quarto califa.

Além dos sunitas e xiitas, os muçulmanos estão divididos em vários outros grupos religiosos.

As terras do Oriente Médio e do norte da África foram tomadas dos persas e dos bizantinos; as da península Ibérica foram conquistadas aos visigodos. Quando, em 732, na batalha de Poitiers, os francos barraram o avanço árabe na Europa Ocidental, O Império Islâmico era enorme. O mar Mediterrâneo era totalmente controlado por muçulmanos, a ponto de o historiador árabe Ibn Khandun dizer: “No Mediterrâneo os cristãos não conseguem fazer flutuar sequer uma tábua”

Alcorão ou Corão

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Maomé não deixou nada escrito. Após sua morte, seu sucessor imediato Abu Bakr, ordenou que se reunisse todas as anotações que estavam espalhadas por diferentes lugares. Assim, duas décadas após a morte do líder árabe, tínhamos a versão do Corão considerada definitiva.

Alcorão ou Corão, teve seu nome derivado do árabe al-qura’n –’o que deve ser lido’. Os muçulmanos acreditam que o conteúdo foi revelado pelo anjo Gabriel a Maomé e escrito por seus seguidores. Além do Alcorão, os muçulmanos seguem a Suna, livro criado no século VIII com base nas palavras e feitos de Maomé e de seus quatro primeiros sucessores.

De acordo com esses textos sagrados, os muçulmanos devem declarar publicamente sua crença em um único Deus e em seu profeta, Maomé, dar esmolas para a purificação de suas riquezas (zakat), jejuar do nascer ao pôr do Sol durante o nono mês do calendário muçulmano (Ramadã) e ir a Meca ao menos uma vez na vida. Os muçulmanos devem ainda fazer uma oração conhecida como salat cinco vezes ao dia (ao nascer do Sol, ao meio-dia, no meio da tarde, ao pôr-do-sol e à noite), com o corpo voltado para Meca e o rosto inclinado para o chão.

  Salat

A Ablução - Corão

Ó vós que sois crentes! Quando vos dispuserdes à Oração, lavai o rosto e as mãos até os cotovelos! Passai a mão pela cabeça e os pés até os tornozelos!

Se estais sujos, purificai-vos!…e, se não encontrardes água, recorrei a boa areia e passai-a sobre o rosto e as mãos!

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Não chegareis à piedade senão quando tiverdes feito esmola daquilo a que tenhais mais apego[…]

Ó vós que sois crentes! O jejum vos foi prescrito, como foi prescrito àqueles que existiram antes de vós […] para os homens […].

Aquele que entre vós, que esteja doente ou em viagem, jejuará um número igual de outros dias.

Corão. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, s.d., 1, p. 120.

O Corão, livro sagrado dos muçulmanos. Nele encontramos não somente os relatos sobre a vida e as ações do profeta Maomé, mas também os preceitos de ordem prática, regras de vida social, do direito, etc. O muçulmanos regulam sua vida religiosa, familiar e comunitária pelo Corão.

(BELTRÃO, Claudia. Os árabes na Idade Média – Os senhores do deserto. p. 15.)

Ao todo o Corão possui 114 suras (capítulos) e mais de 6.200 versículos. O Corão foi traduzido para línguas do mundo inteiro.

  • Versículo: cada um dos parágrafos curtos que fazem parte de um texto considerado sagrado.

Tendências Teológicas e doutrinas

A teologia e filosofia é um esforço de esclarecimento racional e de defesa da fé. Os pensadores muçulmanos mantém uma posição intermediária entre os tradicionalistas, que se prendem às expressões literais das primeiras fontes da doutrina islâmica, e aqueles cuja razão os levou a abandonar completamente a comunidade islâmica. No princípio, a teologia ligou-se à mera interpretação do Alcorão. Já no século seguinte a  Maomé formularam-se problemas relacionados ao dogma da unidade  de Deus e à conciliação entre a onipotência divina e a liberdade humana.

 

A península Arábica no século VII

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Os árabes, assim como os judeus e os fenícios, são povos de origem semita.

Na península Arábica, o clima é quente e seco. O território é formado por planícies áridas ou desertos enormes pontilhados de pequenas áreas cobertas de vegetação, os oásis. A presença humana nesta península é muito antiga.

Até o século VII, os povos árabes viviam dispersos pela península Arábica, cada qual com seus líderes e seu modo de viver.

No deserto viviam grupos Nômades, que criavam camelos, carneiros e cabras, andavam armados e eram conhecidos como beduínos. Muitas vezes guerreavam entre si pelos oásis. Os valores apreciados pelos beduínos eram a coragem, a hospitalidade e a lealdade à família.

Em torno dos oásis, moravam os agricultores. Habitavam aldeias e cultivavam plantas, como a palmeira e a tamareira, e cereais, como o trigo. Já os artesãos e os comerciantes residiam nas vilas e cidades. As maiores cidades da Arábia, como Meca e Yatreb, ficavam no sudoeste, a região mais fértil da península.

As origens do Islamismo

Maomé, o fundador do Islamismo, nasceu na cidade de Meca, na península Arábica, por volta de 570. Em sua tribo, a religião praticada era politeísta: havia vários deuses e as pessoas adoravam ídolos. Durante boa parte de sua vida, foi condutor de caravanas que atravessavam o deserto. Nessas viagens, entrou em contato com outros povos e com adeptos do judaísmo e do cristianismo.

Segundo a crença muçulmana, em 610 Maomé teve uma visão  do anjo Gabriel – o mesmo que, de acordo com a crença cristã, anunciou a Maria que ela seria mãe de Jesus. O anjo teria lhe dito que “havia só um Deus e um só profeta, Maomé”.

Profundamente impressionado com a visão, Maomé começou a pregar uma nova religião, o islã, que fundia crenças árabes com elementos retirados do cristianismo e do judaísmo. Essas pregações logo conquistaram adeptos. Mas também atraíram inimigos. A maioria das tribos árabes da região acreditava em muitos deuses e adorava seus ídolos em um santuário de Meca conhecido como Caaba.

Por essa época, Meca era um centro comercial importante. Muitas pessoas iam lá para comprar ou vender produtos e também para adorar seus ídolos. Em suas pregações Maomé condenava esse culto e pregava a existência de um só Deus, o que descontentava muitos comerciantes da cidade. Segundo eles, o comércio seria prejudicado, pois muita gente deixaria de ir à cidade para adorar seus ídolos e fazer compras.

Os comerciantes chegaram a fazer um plano para matar Maomé. Mas o profeta ficou sabendo e, em 622, fugiu de Meca com muitos de seus seguidores. Foram todos para a cidade de Yatreb, onde converteram muitas pessoas à sua religião.

Esse acontecimento é visto pelos muçulmanos como o momento inicial do islamismo, conhecido como Hégira (do árabe Hidjra, que significa ‘fuga’ ou ‘emigração’). Yatreb, por sua vez, passou a se chamar Medina, que quer dizer ‘cidade do profeta’.

Pouco a pouco, o poder de Maomé se espalhou do oásis para o deserto conquistando os beduínos. Convencidos de que lutavam  tendo Deus e os anjos ao seu lado, Maomé e seus seguidores decidiram propagar a nova religião com uma “guerra santa”, a jihad.

Inicialmente, Maomé e seus seguidores conquistaram Meca, entregue quase sem resistência por seus líderes. Ele reservou para si a guarda do templo e ordenou a destruição das imagens dos deuses locais. A caaba, no entanto, foi conservada, e, desde então, Meca tornou-se a cidade santa da fé muçulmana. Era o ano de 630, que pode ser considerado como o do nascimento do Islão. Medina continuou como capital política e resistência do líder árabe, que em pouco tempo, passou a comandar uma vasta região da Arábia. Seu exército era formado por crentes, e o tesouro público era abastecido por doações em dinheiro e impostos cobrados dos que se convertiam.

Em 632, ano de sua morte. Maomé fez uma última visita a Meca, ocasião em que deixou a seus seguidores uma mensagem fraterna e, ao mesmo tempo, guerreira:

“Sabei que todo muçulmano é irmão do outro, e que mulçumanos são irmãos (…) os mulçumanos devem combater todos os homens, até que digam: só há um Deus”.

(HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. p.36. Adaptado)

Por ocasião da morte de Maomé, os povos tinham superado muitas de suas antigas rivalidades e tinham na fé maometana um ponto forte de união.

Meca, berço do islamismo

É comum ouvirmos expressões como “Hollywood é a Meca do cinema”, Paris é a Meca da cultura”. Meca acabou se tornando sinônimo de lugar que atrai muitas pessoas que compartilham de um mesmo objetivo.

A verdadeira Meca é uma cidade encravada entre as montanhas e o deserto e considerada sagrada pelos seguidores de uma religião criada pelos árabes, o islamismo. No início do século VII da nossa era, Meca era o principal centro religioso da Arábia. Todos os anos, durante alguns meses, os árabes suspendiam qualquer tipo de hostilidade para ir a Meca orar, pedir e agradecer. As preces eram feitas num templo religioso, a caaba, onde fica uma enorme pedra negra, que eles consideram sagrada. O templo abrigava também centenas de imagens de deuses já que, na época, os árabes eram politeístas. O comércio de Meca era controlado por ricos comerciantes da tribo coraixita, que administravam também seu templo. Foi justamente nesta cidade que nasceu Maomé, o criador do islamismo.

milhares de fiéis oram ao redor da pedra negra, na caaba, em Meca

fonte: BOULOS JUNIOR, Alfredo. Coleção História Sociedade e Cidadania.

As sociedades Muçulmanas - Cronologia

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Peregrinos durante prece coletiva,  Meca, o berço do Islamismo

(séculos VII – VIII)

A palavra islamismo vem do árabe islã, que significa ‘submissão a al Ilah (Alá)’, um Deus único e sem forma física. O islamismo, uma religião monoteísta, foi criado em 622 pelo árabe Abulgasim Mohamed ibn Abdala ibn Abd al-Mutalib ibn Hashin, mais conhecido como Maomé. Os seguidores do islamismo são chamados de mulçumanos, palavra que deriva do persa muslimãn.

O islamismo tem hoje cerca de 1,2 bilhão de adeptos no mundo. É a religião com maior número e fiéis, à frente do catolicismo que reúne 1 bilhão de pessoas. Se considerarmos todas as religiões cristãs (catolicismo, igrejas protestantes e igrejas ortodoxas) como uma só religião, com cerca de 2,1 bilhões de seguidores, o islamismo torna-se a segunda maior religião do mundo.

Cronologia

  • 570  Data provável de nascimento do profeta Maomé.
  • 610  Data provável em que, segundo os muçulmanos, o anjo   Gabriel teria aparecido a Maomé.
  •   Maomé começa a pregar suas crenças.
  • 622  Maomé e seus seguidores abandonam Meca e se     estabelecem em Yatreb. Criação do islamismo.
  •   Maomé e seus seguidores conquistam Meca.
  • 632 Morre Maomé; seus seguidores se dividem em várias seitas das quais as mais importantes são a dos xiitas e a dos sunitas.

A civilização árabe-muçulmana nasceu na Arábia, extensa península banhada pelo mar Vermelho, a oeste; Golfo Pérsico, a leste; e mar Arábico, ao sul.

 

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