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Governo Imperial e os atritos com a Igreja e Exército

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A partir da década de 1870, a Igreja católica e setores do Exército tiveram sérios atritos com o governo imperial.

A crise com a Igreja católica tornou-se especialmente grave em 1874. Naquele ano, o imperador D. Pedro II autorizou a prisão dos bispos de Olinda e Belém, que foram condenados a quatro anos de trabalhos forçados por terem proibido os católicos de suas dioceses a participar de atividades da maçonaria, que eram aceitas pela monarquia.

Parte da oficialidade do Exército começou a se afastar do governo após a Guerra do Paraguai (1865-1870). Durante a guerra, muitos oficiais haviam entrado em contato com pessoas das repúblicas vizinhas e, ao retornarem, passaram a criticar a monarquia. Criticavam principalmente a corrupção que, segundo eles, era praticada pelos políticos monarquistas, “aproveitadores da miséria do país”.

Essa crise agravou-se em 1884, quando o governo proibiu os oficiais de manifestarem suas opiniões pela imprensa, sem autorização do ministro da Guerra.

Devido aos atritos com a Igreja e com o Exército, a monarquia enfraqueceu-se ainda mais.

Adoentado, o imperador dom Pedro II afastava-se cada vez mais das crises e decisões do governo.

O Ato da Abolição da escravatura, por exemplo, foi assinado por sua filha, a princesa Isabel. De acordo com o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o país estava “acéfalo”, isto é, sem governo. Alguns órgão da imprensa chegavam a ridicularizar o imperador, chamando–o, por exemplo, de “Pedro Banana” e “Pedro Caju”.

Nelson Piletti, Claudino Piletti, Thiago Tremonte. História e vida integrada.

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A mão-de-obra no Segundo Reinado

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O desenvolvimento capitalista, consolidado com a Revolução Industrial Inglesa, ampliou o mercado consumidor de gêneros industrializados , multiplicando as pressões para se pôr fim à escravidão, considerada um entrave ao crescimento capitalista. A sua extinção poderia significar o redirecionamento de capitais gastos com a compra de cativos para a de produtos industrializados, como também o mercado consumidor poderia ser ampliado pela substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada. Ao condenar o tráfico de africanos, os britânicos desejavam, também, preservar, na África, a mão-de-obra necessária aos empreendimentos  que então estavam iniciando nesse continente.

Até o início do século XIX, não se questionavam as más condições de vida dos escravos em toda América, tampouco se criticava a ordem escravista. Para os brancos, era natural que os negros não tivessem liberdade ou que fossem submetidos ao trabalho excessivo e até a maus tratos. Essa visão foi alterada pela Revolução Industrial, que, detonando irreversível processo de aumento da produtividade, despertou os interesses econômicos dos empresários.

Logo após a independência, D.Pedro I, assumiu o compromisso de extinguir o tráfico negreiro até 1830, em troca do reconhecimento da emancipação do Brasil pela Inglaterra. Tal, acordo, ratificado pela Regência, em 1831, no entanto não saiu do papel.

gráfico  - Queda do tráfico escravo para o Brasil

Em 1845, em resposta à não-renovação dos tratados de 1810, que garantiam amplas vantagens para a Inglaterra no comércio com o Brasil, foi decretada pelo governo britânico a Bill Aberdeen. Por essa lei ficava proibido o tráfico de cativos no Atlântico e prevista a apreensão de qualquer navio que transportasse escravos, assim como a prisão e o julgamento dos traficantes segundo as leis inglesas.

Graças à existência de empresas inglesas no Brasil, que controlavam mais da metade das exportações nacionais, e sob ameaças  militares e políticas, o governo brasileiro cedeu aos interesses britânicos. Assinou a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que interrompeu o abastecimento de escravos africanos, embora os senhores de engenho continuassem a praticar o tráfico ilegalmente.

Igualmente decisivas para o fim do tráfico foram as pressões e resistências internas  (fugas e rebeliões de escravos, atuação de novas forças sociais contrárias à escravidão, entre outros) e o estímulo à imigração para fornecer novos trabalhadores.

Cláudio Vicentino. Gianpaolo Dorigo. História para o Ensino Médio. História Geral e do Brasil.

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Ascensão e Queda da Borracha

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A exploração comercial do látex, goma extraída da seringueira e do qual se obtém a borracha, ocorria desde o século XVIII. Utilizada para impermeabilizar tecidos, a borracha ficava quebradiça no inverno e pastosa no verão. Em 1844, Charles Goodyear patenteou um processo que dava mais resistência ao produto, deixando-o imune às variações de temperatura. A partir de então, as exportações do látex da região amazônica aumentaram bastante.

O grande salto, porém, deu-se a partir de 1886, com a invenção do automóvel e a necessidade de borracha para a fabricação de pneus. O Brasil passou a responder por 90% de toda a produção mundial do látex, e o produto chegou a representar 40% das exportações brasileiras.

Assim, entre a última década do século XIX e o começo do século XX, a Amazônia passou por um surto de riqueza que promoveu o surgimento de uma elite formada sobretudo por seringalistas, comerciantes e banqueiros.

Manaus e Belém se modernizaram, com a construção de largas avenidas, praças, bulevares, mercados e edifícios imponentes como o Palácio do Governo e o Teatro Amazonas, ambos em Manaus.

Teatro Amazonas - Manaus  Teatro Amazonas, Manaus

 

A euforia, entretanto, não durou muito. Atraídos pela perspectiva de altos lucros, os ingleses transplantaram mudas de seringueiras para o Ceilão (atual Sri Lanka) e Cingapura, onde a planta passou a ser cultivada de forma racional em grandes propriedades (no Brasil, ao contrário, ela crescia espontaneamente no meio da floresta). Assim, em pouco tempo os asiáticos passaram a liderar a produção mundial do látex, desbancando os produtores brasileiros. Em 1919, as vendas brasileiras no mercado externo não chegavam a 10% das exportações mundiais do produto.

Fonte: Maria da Nazaré Sarges. Belém: riquezas produzindo a Belle-Époque (1870-1912). Belém: Paka-Tatu, 2000;Vulcanized rubber.)

Gislane e Reinaldo. História, ensino médio. volume único.

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Leia Também: A Borracha e o cacau na economia do século XIX

A cultura no Brasil Império

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A nossa cultura também sofria as conseqüências de economia dependente. Essa dependência provocava algumas contradições: enquanto na Europa a cultura era resultado de um sistema liberal, baseado no trabalho assalariado no Brasil ainda prevalecia a mão-de-obra escrava. Por isso, nossa cultura, apesar de imitar a européia, mantinha diferenças marcantes.

O Romantismo

O Romantismo surgiu como reação ao Arcadismo. Foi o gênero literário que mais adequou à realidade brasileira da época.

Enquanto o europeu buscava inspiração no medievalismo, os românticos brasileiros e encontravam no indianismo. Por isso podemos dizer que, com o Romantismo, começou a nascer a literatura brasileira, surgindo o romance e o teatro. Diferentemente do período colonial, a literatura desse período tinha um pequeno público consumidor.

Os poetas românticos

O primeiro poeta romântico brasileiro autêntico foi, sem dúvida, Gonçalves Dias, que, nos famosos I-Juca Pirama e Os Timbiras, mostrava as marcas tão típicas do Romantismo brasileiro: o indiano e a brasilidade.

Outro importante poeta romântico foi Fagundes Varela, que, diferentemente de outros, produzia uma poesia em que apareciam as tensões de uma sociedade escravocrata e a própria exploração do trabalho escravo.

Mas foi Castro Alves o romântico  que denunciou com maior fervor a oposição entre escravo e senhor, num momento em que o Império já se encontrava em processo de decadência. Com Castro Alves, a poesia adquire o caráter de denúncia social, ao mesmo tempo que sugere a participação política e social do autor como no poema O Navio Negreiro:

(...)

Ontem plena liberdade

A vontade de poder

Hoje... cum' lo de maldade

Nem são livres p'ra... morrer...

Prende-os a mesma corrente -

Férrea, lúgubre serpente -

Nas roscas da escravidão.

O romance

O romance surgiu no Brasil inicialmente como folhetim, conquistando um público relativamente mais amplo. Um dos primeiros romances, apresentado  em série, foi O filho do pescador, de Teixeira e Sousa. Em 1844, Joaquim Manoel de Macedo, um dos mais importantes romancistas da época, publicou A moreninha  e O moço loiro.

Manuel Antônio de Almeida, com seu único livro publicado em forma de folhetim, em 1852, Memórias de um sargento de milícias, mostrou as tensões da sociedade da época. De forma irônica, o herói-personagem usa de malandragem para safar-se das enrascadas.

Os romances passaram a expressar uma realidade bem mais brasileira, e esta marca vamos encontrar talvez no mais expressivo autor do gênero, José de Alencar, introdutor de uma nova forma de escrita, rompendo na prática com as influências portuguesas.  O nacionalismo de Alencar era marcado por um forte indianismo, mas não é somente por essa razão que foi considerado "o mais brasileiro", e sim por causa da sua forma literária. Construiu seus romances através da observação direta e, a partir dali, criava uma realidade imaginária.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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A Questão Religiosa no reinado de D. Pedro II

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Na época do Império, a Igreja católica era subordinada à autoridade do Estado. Essa subordinação era efetiva pelo sistema do Padroado, que dava ao imperador do direito de indicar todos os candidatos a cargos eclesiásticos no Brasil. Ao mesmo tempo, o clero recebia seus salários do Estado, transformando-se literalmente numa classe de funcionários públicos.

Outra instituição que marcava a submissão da Igreja ao Estado era Beneplácito: todas as bulas e documentos papais vindos para o país eram obrigados a obter a autorização do imperador.

Poucos padres tinham uma formação intelectual adequada para a função de orientadores dos fiéis e alguns chegavam a constituir família.

O quadro se complicava ainda mais por causa das relações entre a Igreja e a maçonaria. A maçonaria tem origens obscuras e pouco conhecidas, mas como confraria surgiu no século XVI e se difundiu nos séculos XVII e XVIII em toda a Europa, ligada ao ideal burguês do Iluminismo. A maçonaria adquiriu caráter político na luta contra o absolutismo e a Igreja, os dois pilares do Antigo Regime.

Se na Europa a tradição maçônica era de um profundo anticlericalismo, no Brasil isso não acontecia.  Desde fins do século XVIII, vários padres que lutavam pela independência do Brasil pertenciam às lojas maçônicas, e esse vínculo continuou mesmo depois da independência. Entre os membros do governo acontecia o mesmo: grande parte dos conselheiros e ministros do Império eram maçons. Isso se dava num país oficialmente católico.

Na Europa. o Vaticano começava a organizar um movimento conservador chamado ultramontanismo cujo objetivo era lutar contra as tendências revolucionárias e contra a maçonaria.

No Brasil o monge capuchino Antônio Gonçalves de Oliveira, ou  frei  Vital, depois que voltou de uma viagem à Itália e tornou-se bispo de Olinda, em 1782, quis cumprir as ordens papais que condenavam a maçonaria. Este foi o início do conflito entre o Estado e a Igreja: o imperador D. Pedro II não acatou a ordem do papa. A reação do bispo de Olinda foi radical: cassou  o direito dos padres maçons, deixando Recife praticamente sem religiosos.

Os mesmos atritos se repetiram em Belém, onde o bispo D. Antônio de Macedo Costa apoiou a atitude de D. Vital em Recife e Olinda.

D. Pedro II ainda tentou uma solução conciliatória, mandando um representante ao Vaticano, mas foi em vão. A Igreja se mostrou intransigente. O conflito foi, então, submetido ao julgamento do Conselho de Estado, que acabou condenando, em 1873, os dois bispos a quatro anos de trabalhos forçados. Dois anos depois foram anistiados pelo duque de Caxias, então primeiro-ministro.

O significado da questão religiosa

Se analisada isoladamente, a Questão Religiosa não teria maior importância, pois seria um simples incidente entre o Estado e a Igreja. No entanto, por ter ocorrido no mesmo período em que o movimento abolicionista estava em curso e que os conflitos entre o Império e o Exército afloravam, esse conflito adquiriu importância.

Ainda que em escala muito menor do que o abolicionismo e do que a subseqüente Questão Militar, a Questão Religiosa deixou à mostra as fraquezas do Império.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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O significado da Abolição

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A abolição dos escravos negros  foi  pensada e promovida principalmente pelos brancos mais ilustrados, que viam nela uma forma de se libertarem do peso que a escravidão representava para as atividades econômicas mais dinâmicas. Alguns negros ou mulatos, participantes do movimento abolicionista, também estavam envolvidos de uma forma ou de outra com os interesses do mundo do homem branco modernizado.

Na década em que se deu a abolição, abriram-se várias oportunidades para investimentos mais dinâmicos. O capital dos fazendeiros podia encontrar aplicações mais rentáveis nas industrias, mesmo que incipientes, nas ferrovias e nas atividades bancárias. Investir em escravo tornara-se antilucrativo.

A região açucareira do Nordeste se modificou totalmente depois da quase paralisação da produção de seus engenhos. Inovações técnicas na produção açucareira transformavam o velho engenho em modernas usinas.

No Sudeste cafeeiro, somente a região do Rio de Janeiro e do Vale do Paraíba empregava maçiçamente a mão-de-obra escrava em suas lavouras. Essas regiões entravam rapidamente em decadência diante do dinamismo da região do Oeste Paulista, que empregava métodos modernos e, quase na sua totalidade, mão-de-obra assalariada na lavoura cafeeira.

O processo da abolição era irreversível, pois a escravidão era um pesado obstáculo às novas condições dinâmicas do capitalismo internacional. E, quando ela se deu, os negros "foram atirados a sua própria sorte".

Na região do Nordeste, por exemplo, os negros não encontraram nem mesmo um pedaço de terra para iniciar uma cultura de subsistência. Ao procurar as cidades encontraram um excedente populacional que deixava para eles pouco espaço para sobreviver. Por essa razão, ficaram marginalizados. No Sudeste, num primeiro momento, os negros conseguiram sobreviver graças a uma economia de subsistência.

De modo geral, os antigos escravos não foram integrados no mundo do consumo para dinamizar o mercado, como pensam alguns historiadores. Quando se empregavam, trabalhavam durante alguns dias, apenas o suficiente para a sobrevivência. Nada mais lógico, pois para eles o trabalho significava a lembrança de séculos de submissão e desgraça. Preferiam o ócio. Isso dificultou ainda mais sua integração social, pois ficaram à margem dos bens que a sociedade produzia.

O Império estava, portanto, condenado. As contradições se manifestavam em vários setores da sociedade. Além do movimento abolicionista, que era sem dúvida o mais importante sinal de crise, O Império entrou em choque com a Igreja, uma de suas bases de apoio.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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Lei do Ventre Livre, Sexagenário e Lei Áurea

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A primeira lei, a do Ventre Livre, sancionada  pelo visconde do Rio Branco, em setembro de 1871, rezava que:

"Art. 1º Os filhos da mulher escrava que nascerem no Império, desde a data desta lei, serão considerados livre.

Parágrafo 1º Os ditos filhos menores ficarão em poder e sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão a obrigação de criá-los até a idade de 8 anos completos.

Parágrafo 2º Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá a opção ou de receber do Estado a indenização de 600 mil-réis ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos".

De acordo com essa lei, somente em meados do século XX estariam livres todos os escravos do Brasil.

Por um certo tempo, a campanha abolicionista ficou paralisada sob o efeito da lei do Ventre Livre. O ressurgimento da campanha tendeu a radicalizar as posições. Surgiram duas correntes dentro do movimento abolicionista: a moderada que propunha a abolição lenta, gradual e de forma pacífica, e a radical, que propunha a luta violenta contra os senhores de escravos. A corrente moderada era representada por Joaquim Nabuco, Pereira Barreto (ligado ao jornal A Província de São Paulo), José do Patrocínio e Campos Sales. A corrente radical era representada por Silva Jardim, o ex-escravo Luís Gama, Antônio Bento e Raul Pompéia, entre outros.

Várias associações abolicionistas surgiram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Quase todas possuíam jornais próprios e desenvolviam intensas campanhas de conscientização da população. Os escravos, assim, viam-se encorajados a fugir das senzalas e buscar proteção dos grupos abolicionistas.

Enquanto na região Centro-Sul associações como a Sociedade Brasileira contra a Escravidão do Rio de Janeiro e a Confederação Abolicionista atacavam pelos jornais o escravismo, no Nordeste a luta abolicionista tomara outros rumos.

O jangadeiro cearense Francisco do Nascimento recusou-se a transportar escravos para os navios que faziam o tráfico interno do norte para o sul.

Os engenhos produtores de açúcar no Nordeste estavam em franca decadência. O preço dos escravos na região tornava praticamente impossível a adoção desse tipo de mão-de-obra. A escravidão tornara-se antieconômica para os senhores de engenho. Por isso muitos deles aderiram ao abolicionismo. No Ceará, por exemplo, a escravidão foi abolida em 1884.

Em São Paulo surgiu um dos grupos mais importantes do movimento antiescravista: o chamado grupo dos caifases, liderado por Antônio Bento. Os caifases atuavam, muitas vezes, de forma violenta: iam diretamente às fazendas e ajudavam os negros a fugir. A campanha abolicionista tomou conta de todo o país. E isso, de certa forma, deixava o governo de D. Pedro II atemorizado. Por essa razão, o imperador tentou, mais uma vez, fazer algumas reformas no sentido de adiar a solução efetiva do problema.

Lei do Sexagenário

Depois de intensos debates parlamentares, foi aprovada, em setembro de 1885, a Lei Saraiva-Cotegipe, mais conhecida como Lei dos Sexagenários. De modo geral, essa lei previa a libertação dos escravos negros que tivessem mais de 60 anos e que esse trabalhador deveria dar mais três anos de trabalho gratuito ao senhor, como forma de indenização.

A Lei Saraiva-Cotegipe não mudava praticamente nada no panorama da escravidão no Brasil. Era uma lei retrógrada, que visava tão-somente diminuir a atuação da campanha abolicionista sem tocar nos privilégios dos grandes latifundiários escravocratas. Mas, ao contrário do que se pensou, o movimento abolicionista não se convenceu e partiu para uma campanha de caráter mais agressivo.

Em 1887, Joaquim Nabuco pedia que o Exército recusasse definitivamente o papel de capitão-do-mato, isto é, de perseguidor de negros fugidos das fazendas. O marechal Deodoro da Fonseca liberou o Exército dessa função, deixando clara sua posição contra a escravidão.

Lei Áurea

Os grandes fazendeiros do Oeste Paulista provavam a cada dia o caráter antieconômico da escravidão. Isso ajudava o movimento abolicionista a demonstrar a falência e a desumanidade do trabalho escravo.

Mesmo numericamente, a população escrava diminuía depressa: dos 13,5 milhões de habitantes do Brasil, pouco mais de 700 mil eram escravos.

Os grandes latifundiários escravistas ainda tentaram formar grupos paramilitares no intuito de impedir a fuga de escravos e a atuação das sociedades abolicionistas. Pouco a pouco vários fazendeiros compreenderam que não conseguiriam impedir a fuga dos seus trabalhadores e começaram, por conta própria, a dar liberdade para os negros, como forma de reter os trabalhadores em suas fazendas.

O governo,  acatando o projeto do ministro João Alfredo, decretou a abolição definitiva da escravidão. O ato foi assinado pela princesa Isabel, que ocupava interinamente o cargo de D. Pedro II, pois na ocasião ele se encontrava na Europa. O dia 13 de maio de 1888 passou para a história oficial como o dia em que a princesa Isabel deu a liberdade para os escravos do Brasil. Atualmente essa data é posta em questão pelos movimentos dos afrodescendentes.

Na verdade, não havia outra saída. Sabemos que o trabalho escravo era a base de sustentação política econômica do Império. Terminada a escravidão, o Império perdia a base e, portanto, se condenava à extinção. O diálogo entre a princesa Isabel e o barão de Cotegipe serve para ilustrar o fim da base político-econômica que acabou por derrubar o Império.

Princesa: "Então, senhor barão, ganhei ou não ganhei a partida?"

Barão: " Ganhou a partida, mas perdeu o trono".

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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Final do Império no Brasil

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A estrutura agroexportadora do Brasil, tinha por base a mão-de-obra escrava. As transformações provocadas pela modernização dos mercados internacionais tornavam essa forma de trabalho improdutiva e pouco lucrativa para um mercado mais dinâmico.

Muitas vezes, a escravidão já havia sido criticada. A abolição era um dos objetivos da Revolução dos Alfaiates de Salvador, em 1798. No entanto, no interior das classes dominantes havia considerável resistência à ideia de por fim a essa forma de trabalho.

No início da década de 1850, diante das pressões inglesas, efetuou-se a extinção do tráfico negreiro. Em longo prazo, tonava-se impossível repor os trabalhadores negros. Em outras palavras, a escravidão tendia a morrer.

A dificuldade de conseguir novos escravos teve como conseqüência o aumento dos preços dos trabalhadores negros no mercado. A ideia da implantação do trabalho livre aumentou, principalmente na década de 1870, entre os cafeicultores da região Centro-Sul.

A implantação da mão-de-obra livre significava, para os modernos setores da cafeicultura paulista, a dinamização de suas atividades e o conseqüente aumento dos lucros. Ao mesmo tempo, se comparada ao trabalho livre, a escravidão tornava-se cada vez menos produtiva e lucrativa.

Ainda assim, os grandes cafeicultores da região fluminense e do Vale do Paraíba mantinham-se intransigentes diante das novas formas de mão-de-obra. Essa velha aristocracia do café sustentava a política imperial de D. Pedro II.

A modernização do país não refletia na vida dos escravos, que continuava a mesma. Duras jornadas de trabalho exauriam as forças dos negros. O sistema repressivo continuava a sobreviver para manter os escravos em estado de terror e impedir rebeliões e fugas. Os escravos resistiam como podiam. Revoltas estouravam, mas eram controladas.

Ocorriam fugas, mas nunca de forma a destruir a escravidão como um todo, Foi sob essas condições que o movimento contra a escravidão tomou impulso.

A luta pela abolição

Por volta de 1870, já se falava abertamente no fim  da escravidão. Intelectuais, profissionais liberais, funcionários e comerciantes organizavam-se para discutir as formas de se pressionar o Estado com uma campanha abolicionista.

No entanto, foi no interior da baixa oficialidade do Exército que o movimento abolicionista ganhou mais força depois da Guerra do Paraguai.

Os soldados brasileiros lutaram lado a lado com os soldados argentinos e uruguaios, que eram republicanos e seus países haviam abolido a escravidão. Defender essa forma de trabalho e o sistema imperial tornava-se difícil para os soldados do Exército brasileiro.

O Exército tornava-se, assim, uma das principais bases na luta contra a escravidão. Os soldados negros que haviam lutado na guerra tinham recebido a promessa de ser alforriados depois do conflito. Quando voltaram, encontraram muitos de seus parentes submetidos aos castigos e humilhações, próprios da escravidão.

As tensões entre o Exército e os políticos aumentaram porque muitos fazendeiros retrógrados (antiquados) queriam que os soldados negros voltassem à condição de escravos. Os oficiais se recusaram a desempenhar o papel de capitão-do-mato na captura dos negros fugidos. Esses atritos entre o Exército e o Império acabaram desencadeando, as chamadas "questões militares".

Nos meios intelectuais do país, crescia o sentimento abolicionista. Organizavam-se grupos para discutir a questão. Enquanto o movimento ganhava certa força, a crise política se acentuava, pois havia um violento conflito entre conservadores e liberais que causava a instabilidade dos gabinetes (ministérios).

Com o claro objetivo de diminuir as tensões e desviar as atenções, o governo imperial iniciou pálidas reformas para diminuir gradativamente a escravidão.

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Transformações urbanas e sociais no Brasil de D. Pedro II

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Apesar de a economia brasileira ser dependente e controlada pelos banqueiros ingleses, as exportações dos produtos agrícolas proporcionavam certas atividades paralelas e subsidiárias, concentradas nos centros urbanos.

Os centros urbanos mais notáveis eram o Rio de Janeiro, capital do Império, e São Paulo, capital do café, o produto que contribuía com a maior parte das nossas exportações. Mesmo assim, somente a cidade do Rio de Janeiro poderia ser comparada, de longe, com alguma capital européia. Possuía, desde 1854, iluminação a gás nas ruas. Havia na capital do Império uma população de profissionais liberais, comerciários e militares que davam uma vida mais dinâmica à cidade. Em 1883, a população do Rio de Janeiro era de cerca de 400 mil pessoas.

São Paulo não possuía o mesmo brilhantismo da capital do Império, mas também tinha uma vida dinâmica, ligada ao surto do café. Apesar de não ter rede de esgotos e só em 1872 possuir iluminação a gás, em algumas ruas, São Paulo cresceu e se modernizou. A cidade era atendida por serviços de carruagem e de bonde à tração animal.

Um grande incremento às atividades culturais aconteceu em 1883, com a inauguração do Teatro São José, onde a burguesia paulista podia apreciar espetáculos com artistas internacionais.

Novas atividades econômicas surgiam nas cidades, criando novas camadas sociais, independentes da sociedade agrária. Operários de uma incipiente (iniciante) industrialização, comerciantes, uma burocracia ligada ao Estado e artesãos. Surgia aos poucos uma pequena burguesia nos centros urbanos do país.

Essa nova camada fazia concorrência aos filhos da aristocracia do café: a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na cidade de São Paulo, por exemplo, já era freqüentada por jovens das novas camadas urbanas. O mesmo pode-se dizer das escolas militares, principalmente depois da guerra contra o Paraguai. Os sinais de mudança tornavam-se cada vez mais evidentes.

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A borracha e o cacau na economia do século XIX

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A segunda metade do século XIX foi um período de grandes transformações para a história do Brasil. O crescimento das cidades e o surgimento de novas camadas na sociedade eram provas de que as modificações começavam a atingir as estruturas antiquadas do Império. O crescimento do comércio internacional e o surgimento de novos produtos de exportação na economia brasileira só  fizeram aumentar as contradições do Império.

Até 1840, aproximadamente, o látex, produto retirado de uma árvore nativa da região amazônica, não tinha muita utilidade. Somente depois que o americano Goodyear inventou uma forma de industrializá-lo e torná-lo mais resistente é que passou a ter um consumo industrial.

Foi a partir daí que o Brasil começou a exportar a borracha, promovendo uma euforia de rápido enriquecimento em uma pequena camada de nossa sociedade.

Na década de 1860, o surto da borracha tomou conta, primeiro, da região do Pará e, depois, da do Amazonas. O fato de a demanda mundial ser muito grande principalmente depois do desenvolvimento do automóvel, fez com que a economia da região se transformasse. Em 1878, o Brasil já dominava mais de 90% do comércio mundial do produto.

extração do látex

A extração era feita utilizando-se da mão-de-obra de migrantes nordestinos que fugiam da seca. o seringueiro, nome pelo qual era conhecido o trabalhador que extraía o látex, era superexplorado pelo seringalista (dono dos seringais), numa condição análoga (semelhante) à escravidão.

Porém, os altos ganhos dos seringalistas e exportadores tiveram breve duração. No começo do século XX, os ingleses, levando mudas e sementes da Amazônia as selvas da Malásia e do Ceilão (atual Sri Lanka), iniciaram uma exploração mais racional dos seringais. A produção brasileira caiu, então, a níveis insignificantes.

Cacau

O cacau teve uma trajetória semelhante à do látex. Cultivado no sul da Bahia, atendeu à demanda do mercado internacional, que cresceu nos finais do século  passado. O cacau representou, juntamente com a borracha, importante item de nossa balança de exportações. A economia do cacau também utilizava a mão-de-obra dos nordestinos, na qual a presença feminina era notável.

O volume das exportações brasileiras era muito maior do que o das importações. No entanto, O Brasil exportava produtos agrícolas baratos e importava manufaturados caros. Por essa razão, apesar de exportarmos um volume muito grande de produtos, continuávamos com dívida externa.

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De escravo a trabalhador livre -Segundo Reinado

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A Lei Eusébio Queirós,   proibiu o tráfico de escravos e as pressões exercidas pela Inglaterra trouxeram problemas para a crescente lavoura de café no Brasil.

Uma das saídas tentadas pelos grandes fazendeiros de café da região fluminense, do Vale do Paraíba e principalmente de São Paulo foi o tráfico interno de escravos. Mas muitos fazendeiros paulistas, mais progressistas e imbuídos de um espírito empreendedor, já sentiam que o trabalho assalariado era mais rentável do que o trabalho escravo. De modo geral, essa opinião não era compartilhada pelos fazendeiros do Vale do Paraíba, que permaneciam refratários às novas relações capitalistas que se impunham nas atividades econômicas.

Parcerias na cafeicultura

Um poderoso fazendeiro da região de Limeira, em São Paulo, o senador Vergueiro, foi pioneiro ao tentar estabelecer novas relações de produção no campo. Em 1847, ele conseguiu trazer da Suíça e da Alemanha 364 famílias de imigrantes para trabalhar em suas fazendas. Inicia-se assim, no Brasil,  o sistema de parceria: o fazendeiro pagava as despesas de viagem dos imigrantes que, por sua vez, se comprometiam a pagar o fazendeiro com trabalho. O colono tinha o direito de plantar nas terras do fazendeiro, dando-lhe em troca parcela das vendas. Ao mesmo tempo, o colono tinha direito de participar dos lucros de venda do café. Mas os cálculos eram feitos de forma a favorecer os fazendeiros, que procuravam obter o máximo de ganho nessas transações. Na verdade, os colonos imigrantes sentiam-se como servos. Esses imigrantes vinham de uma Europa fervilhante do liberalismo revolucionário de 1848. Por essa razão, não admitiam ser tratados como escravos.

O primeiro e mais importante sinal do fracasso do sistema de parceria foi a revolta dos colonos da fazenda Ibicaba, de Vergueiro,  no ano de 1857. O líder dos colonos, Thomas Datavz, foi ameaçado pelo senador e isso fez com que quase todos os imigrantes que trabalhavam na fazenda se armassem e cercassem a casa. O senador foi obrigado a recuar, e os imigrantes instauraram uma sindicância com a mediação do cônsul da Suíça. Desde então, o sistema de parceria que começava a ser implantado em outras fazendas, foi praticamente  abandonado.

O trabalho livre na cafeicultura

O trabalho escravo era o mais empregado, mas os fazendeiros de visão comercial mais ampla sabiam que ele estava prestes a acabar. Muitos faziam cálculos do custo de um trabalhador escravo, comparando-o com os custos de um trabalhador livre, e concluíam que o trabalho assalariado era mais vantajoso. Para o primeiro era necessário desembolsar um grande  capital antecipadamente. Além do mais a cafeicultura não podia mais  contar com o trabalho escravo, pois o aumento da procura do produto exigia formas mais modernas de produção.

O trabalho livre era a única solução viável. Não se poderiam reutilizar os homens livres que viviam pelo sertão, pois estes se dedicavam a uma economia de subsistência e não se adaptariam a novas formas de vida. A imigração seria a melhor alternativa, mas sem cair nos erros do senador Vergueiro.

As lutas pela unificação da Itália facilitaram a vinda de imigrantes italianos para o Brasil. As subvenções dadas pelo governo imperial ou provincial também foram fatores de importância fundamental para essa segunda experiência de imigração.

De modo geral, o colono tinha sua passagem paga pelo governo, o que diminuía as despesas do trabalhador.

A formação da Associação Auxiliadora da Colonização sistematizou a vinda dos imigrantes, providenciando alojamento, alimentação etc. A partir daí, a imigração cresceu rapidamente, facilitando a abolição dos escravos, em 1888, e se multiplicou depois dessa data.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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Modernização e contradições no Segundo Reinado

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Na segunda metade do século XIX, os grandes cafezais da região do vale do rio Paraíba começaram a entrar em decadência. O solo estava esgotado pela exploração indiscriminada. Além disso, a proibição do tráfico negreiro provocou a alta do preço do escravo, transformando-o numa mão-de-obra pouco acessível para as fazendas decadentes das duas regiões, onde praticamente não se usava inovações técnicas.

O contrário ocorria com o Oeste Paulista (região de Jundiaí e Campinas). Além  do solo fértil e clima favorável, a região contou com outros fatores que impulsionaram a moderna cafeicultura. Os fazendeiros paulistas, diferentemente dos fluminenses, procuravam meios de modernizar suas fazendas com o capital acumulado em outras atividades, em especial nos negócios com animais de tração na região de Sorocaba. Assim, na segunda metade do século XIX, a região já contava com oficinas metalúrgicas que ofereciam máquinas de beneficiar, arados e outras ferramentas, que incrementaram a tecnologia nas fazendas. A introdução da ferrovia deu o toque final na modernização e expansão da cafeicultura paulista.

Ferrovia e café

A ideia de instalar estradas de ferro no Brasil não era nova. Em 1854, fora inaugurada no Rio de Janeiro a primeira estrada de ferro. Com apenas 18 quilômetros de extensão, era uma via de pouca utilidade econômica.

O primeiro projeto de estrada de ferro de grande envergadura começou a viabilizar-se em 1855 e pretendia ligar o Rio de Janeiro a São Paulo. O traçado, que recebeu o nome de D. Pedro II, contou com grande participação de capital inglês. O trecho paulista só foi inaugurado em 1875, quando a produção de café da região do Vale do Paraíba já começava a diminuir.

A implantação e a expansão da estrada de ferro no Brasil estavam intimamente ligadas à expansão a lavoura de café. Daí a razão de desenvolver-se mais em São Paulo do que em outras regiões.

Com grande participação de capital e engenheiros ingleses e parte do capital do visconde de Mauá, em 1867 foi inaugurada a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, ligando uma região produtora de café com o porto exportador. Quatro meses depois da inauguração, sua receita já era quatro vezes maior que as despesas.

A expansão do café no Oeste Paulista e a concomitante expansão das ferrovias eram demonstrativos de que o Brasil se modernizava e modificava seu perfil econômico. Essas transformações manifestavam-se em todos os setores da vida e da economia.

A mão-de-obra escrava, que era a fonte de riqueza para os grandes proprietários, começou a entrar em decadência desde a primeira metade do século XIX. A questão da mão-de-obra foi mais uma demonstração de que o Império não suportava essas rápidas e profundas mudanças.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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Principais batalhas e a derrota do Paraguai

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Uma das características mais marcantes da guerra foi a violência indiscriminada de ambos os lados. Praticamente não havia prisioneiros. Todos eram sumariamente degolados.

A batalha do Riachuelo e depois a de Tuiuti em março de 1866 foram importantes, pois garantiram o domínio dos rios e abriram caminho para a tomada para a fortaleza de Humaitá. Somente depois da nomeação de Caxias e da queda de Humaitá, o caminho para tomar Assunção (capital paraguaia) ficou mais fácil. Depois de perseguição feroz, os exércitos aliados chegaram a Assunção no dia 1 de janeiro de 1869. Solano Lopez estabeleceu uma capital provisória mais ao norte, onde pretendia resistir ao avanço dos soldados brasileiros, que nessa altura da luta, eram maioria.

Mas Solano López ainda resistiu, utilizando a tática de guerrilhas, por mais um ano, sendo derrotado e morto na campanha das Cordilheiras, em março de 1870. Estava terminada a guerra que destruiu um país e seu povo.

Conseqüências da guerra

A historiografia recente chama a atenção para as simplificações que até pouco tempo eram correntes nos livros de história. O Paraguai era visto como um país antiimperialista que lutava contra os interesses da Inglaterra, e, de certa forma, o Brasil era um intermediário dos interesses ingleses. Hoje, com base em novas pesquisas, historiadores têm desacreditado essa teoria e explicam a Guerra do Paraguai muito mais como resultante de choque de interesses regionais. De qualquer forma, as conseqüências para todos os países envolvidos no conflito, que durou de fins de 1864 a 1870, foram marcantes.

Para o Paraguai, o resultado da guerra foi brutal. Transformou-se numa das regiões mais pobres do mundo. As conseqüências ainda hoje são sentidas. Impossível saber, com precisão, o número de habitantes do Paraguai antes da guerra. Estudos recentes apontam algo em torno de 500 mil pessoas. Fontes divergentes indicam que talvez tenham morrido cerca de 200 mil pessoas. A maioria por causa de doenças. Para o Brasil, dos quase 140 mil soldados que foram lutar voltaram cerca de 90 mil. No plano financeiro o resultado imediato foi o aumento da dívida externa. Entretanto, o Exército brasileiro se transformou numa entidade tão importante que passou a ter constante presença nas decisões políticas. Basta lembrar que o Exército não cresceu somente em número, mas também em qualidade.

Os soldados que conviveram com outros latino-americanos voltaram acreditando mais no sistema republicano do que na monarquia. E principalmente não podiam admitir que os companheiros negros, de volta à pátria, continuassem escravos. Enfim, o exército passou a ser um foco de republicanismo e abolicionismo, dois importantes inimigos do Império brasileiro.

Vários oficiais que participaram do conflito foram os grande críticos da condução da guerra. Esse foi o caso do jovem Benjamin Constant Botelho Magalhães, que achava que tanto as altas patentes militares como, principalmente, os ministros civis eram, por exemplo, responsáveis pela sangrenta derrota brasileira sofrida na batalha de Curupaiti. Benjamin Constant seria um dos fundadores da república.

A guerra contra o Paraguai trouxe ao Brasil conseqüências políticas e profundas transformações sociais e  econômicas. Essas transformações aceleraram a crise do Império.

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A Guerra do Paraguai

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O Paraguai teve uma formação social e econômica diferente da de outras regiões coloniais da América do Sul. Praticamente não conheceu o latifúndio, tendo uma economia herdada das missões jesuíticas, baseada na produção do mate, na criação do gado e no comércio do couro. Por isso, não tinha uma elite agrária exportadora forte, fato que  favoreceu a formação de uma camada de camponeses livres.

Depois da independência, liderada por José Gaspar Francia, o Paraguai, para evitar contatos com Buenos Aires, ficou praticamente isolado do resto do continente. Por isso, os paraguaios viviam de uma economia que poderíamos chamar de subsistência. Embora em escala artesanal, os paraguaios produziam roupas, calçados e alguns artigos metalúrgicos.

No governo de Carlos Antônio Lopez, foram criadas fundições na localidade de Ibicuí e um arsenal em Assunção. Não é possível afirmar com precisão a quantidade e a qualidade de ferramentas e armamentos produzidos nessas oficinas, mas sabe-se que parte das armas do Exército paraguaio era de fabricação própria. Quanto aos armamentos pesados, eles dependiam de países europeus.

O Paraguai contava ainda com uma pequena ferrovia, com uma fábrica de pólvora e uma indústria têxtil. Com a morte de Carlos Antônio Lopez, que governava a república de forma ditatorial, aliás de forma semelhante à maioria das outras repúblicas sul-americanas.

O início e a ampliação da guerra

Embora o Paraguai não representasse uma ameaça direta ao Brasil, sua política em relação à navegação dos rios Paraná e Paraguai provocava constantes atritos a diplomacia brasileira.

Os navios brasileiros obtiveram do Paraguai, depois de longas conversações, o direito de livre navegação, isto é, não precisavam pagar taxas para transitar pelos rios Paraguai e Paraná. A intervenção brasileira no Uruguai aumentou a tensão no Prata: o Partido Colorado era apoiado pelo Brasil, enquanto o Paraguai apoiava o Partido Blanco, que se achava no poder em Montevidéu.

Em julho de 1864, o Brasil havia invadido o Uruguai e tomado Montevidéu. A atuação do diplomata  José Maria da Silva Paranhos, o futuro barão do Rio Branco, resultou numa paz momentânea na região, proporcionando uma política de cooperação entre o novo governo uruguaio e o brasileiro.

Tentativas de negociações entre o Paraguai e o Brasil não surtiram efeito. Quando Solano López começou a atravessar a província argentina de Corrientes para socorrer os seus partidários uruguaios (blancos), entrou em choque com o governo argentino, que pediu ajuda ao Brasil.

Francisco Solano Lopez contava com o apoio da população paraguaia e com o apoio dos blancos uruguaios.

Os combates  se iniciaram com nítidas vantagens para os paraguaios. Depois de aprisionar o navio brasileiro Marquês de Olinda, no fim de 1864, em janeiro de 1865 todo o Mato Grosso encontrava-se nas mãos de Solano Lopez.

A invasão do Mato Grosso teve tão-somente resultados propagandísticos para Solano Lopez, porque, do ponto de vista militar, o Paraguai teve de desguarnecer o sul, onde estavam concentradas as principais forças brasileiras.

No dia 1 de maio de 1865, foi assinado o acordo que formava a Tríplice Aliança, isto é, a união das forças brasileiras, argentinas e o governo colorado do Uruguai.

O Paraguai tinha o melhor Exército da América do Sul, enquanto o Brasil praticamente não o possuía. As forças brasileiras consistiam na Guarda Nacional, cujo papel principal era manter a ordem interna contra rebeliões de escravos e distúrbios políticos. Com a  guerra, o Exército brasileiro precisou ser formado: recrutamentos forçados e promessas de alforria para os escravos eram as formas mais usuais para aumentar nossos efetivos. Alguns jovens que se alistaram voluntariamente para lutar contra o Paraguai ficaram conhecidos como Voluntários da Pátria.

O Paraguai lutava em três frentes: no Mato Grosso, na região de Corrientes (Argentina) e no Rio Grande do Sul, invadido em junho de 1865. A força naval brasileira, comandada pelo almirante Barroso, derrotou os paraguaios na batalha do Riachuelo, em junho de 1865.

A partir daí, a Tríplice Aliança pensou que pudesse dominar o Paraguai em três meses, mas a guerra duraria ainda mais cinco anos.

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Política externa anterior a Guerra do Paraguai

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A bacia do rio da Prata engloba países banhados pelos rios da Prata, Paraguai e Uruguai. Essa região tinha uma formação complexa e bem específica, que se caracterizava por vários conflitos fronteiriços. Dentro da própria Argentina, os conflitos entre Buenos Aires e as províncias eram constantes.

Principal porto da região no período colonial. Era por Buenos Aires que todos os produtos vindos dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai eram obrigados a passar. Buenos Aires exercia, através de uma elite, o monopólio comercial, que antes era da metrópole espanhola. As províncias argentinas, dominadas por caudilhos (chefe de facção, de partido ou de bando armado, líder) latifundiários, sentiam-se exploradas pela capital. Essa foi uma longa luta entre Bueno Aires, de tendência unitarista, e as províncias de tendência federalista.

A instabilidade política do Uruguai agravou ainda mais a situação da região e foi o motivo imediato para a intervenção do Brasil no Prata. O Uruguai estava em plena guerra civil depois da independência. Dois partidos lutavam pelo poder: de um lado, os colorados, apoiados pelo Brasil e sob liderança de Frutuoso Rivera, representavam os interesses dos comerciantes de Montevidéu; de outro, os blancos, apoiados pela Argentina e chefiados por Manuel Oribe, representavam os interesses dos criadores de gado do interior.

O Brasil tinha interesse de manter o direito de livre navegação nos rios da região. Em 1829, subiu ao poder argentino o caudilho Juan Manoel Rosas. O novo governo argentino conseguiu incrementar importantes atividades econômicas, melhorando as condições gerais do país. O aumento da popularidade de Rosas e o crescimento da Argentina preocupavam a política externa brasileira, temerosa do potencial desse vizinho. A partir daí, a política brasileira para a região foi incentivar as divergências entre Bueno Aires e as províncias que não reconheciam a autoridade de Rosas. Essa política de intervenção envolveu o Uruguai.

Sob o argumento de que tropas uruguaias de Oribe, aliado a Rosas, invadiram o Rio Grande do Sul, o Brasil rompeu relações com a Argentina. Imediatamente aliou-se à província Argentina de Entre Rios que queriam o fim do domínio de Rosas. Os aliados invadiram o Uruguai e depois a Argentina e, em 1852, depuseram Rosas, que já estava há 23 anos no poder. Os novos governos do Uruguai e da Argentina declararam-se amigos do Brasil, ao mesmo tempo que garantiram a livre navegação dos rios.

Depois de um período de relativa calma, o Uruguai passou a ser governado pelo Partido Blanco, sob a liderança de  Atanásio Aguirre. Isso significava conflito com a política externa do governo brasileiro. As missões diplomáticas brasileiras pressionaram o novo governo uruguaio, no sentido de manter os rios livres para a navegação, ao mesmo tempo que exigiam "fidelidade" do governo brasileiro. O Brasil acusava o governo de Aguirre de violar nossas fronteiras. Aguirre viu-se cercado e não queria apelar para a Argentina, que estava mais próxima da política brasileira. O Uruguai buscou apoio no novo governante do Paraguai, Francisco Solano Lopez. O Brasil invadiu o Uruguai e, em fevereiro de 1865, Aguirre estava deposto, mas a guerra do Paraguai estava começando, o que traria graves conseqüências para o Império brasileiro.

A Questão Christie

A arrogante política externa inglesa não respeitava nem mesmo fiéis aliados como o Brasil. Em 1861, o incidente com o afundamento do navio Prince Of Walles e, em 1862, outro incidente, envolvendo dois marujos britânicos bêbados, levaram ao rompimento de relações entre o Brasil e a Inglaterra. O responsável foi o embaixador inglês no Brasil, William D. Christie. Ele  afirmava  que o Brasil não respeitou o princípio de "extraterritorialidade", isto é, os ingleses deveriam ser julgados apenas por ingleses. Exigia, então, indenização pelo navio afundado e desculpas formais aos marinheiros. Como o governo brasileiro se recusasse a submeter-se às exigências, o embaixador mandou a esquadra britânica prender navios mercantes brasileiros.

Houve rompimento  das relações entre os dois países, apesar do arbítrio do rei da Bélgica, favorável ao Brasil. Somente com o início da Guerra do Paraguai é que as relações foram restabelecidas.

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O cenário político do Segundo Reinado

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O início da segunda metade do século XIX conheceu um certo equilíbrio econômico-financeiro que trouxe como reflexo algum progresso material. Essa situação coincidia com a consolidação do Estado no Brasil, graças, principalmente, ao esquema de repressão, muito bem articulado pela Guarda Nacional.

A estabilidade econômica e a ausência de agitação social proporcionaram o estabelecimento da chamada política de conciliação, característica das alianças partidárias do Império brasileiro. Ferreira Vianna, um político da época, ao expressar sua opinião sobre a situação político-partidária do Segundo Reinado, pôde sugerir um caminho para se entender as difíceis articulações de poder. O partido que sobe entrega o programa de oposição ao partido que desce e recebe deste o programa de governo.

Tanto o Partido Liberal quanto o Partido Conservador tinham os mesmos interesses, principalmente no plano econômico. A maior dinamização da economia, proporcionada pela Tarifa Alves Branco e principalmente pela proibição do tráfico de escravos, abria novos campos de investimento para capitais antes destinados a compra de escravos.

O país passava por transformações no plano financeiro, com investimentos em ações e casas bancárias, onde se faziam grandes negociatas. Tanto liberais quanto conservadores foram os maiores beneficiados desse surto de especulações e enriquecimentos rápidos. Os antagonismos entre os dois partidos tendiam praticamente a desaparecer, pois os  dois eram, na verdade, semelhantes. É importante dizer que a política dos gabinetes da conciliação era pautada pela implantação de medidas que facilitassem a livre iniciativa nas atividades econômicas.

A união dos dois partidos tinha, portanto, dois objetivos básicos: manter a situação de privilégios e afastar as possíveis contestações de grupos mais radicais.

Uma demonstração do início da política da conciliação se deu já nas eleições de 1852. A maioria era composta de conservadores e, por um momento, pretendeu não reconhecer o mandato de um deputado liberal. Um outro deputado conservador saiu em defesa do liberal, pedindo apoio para os "oposicionistas esclarecidos e moderados, porque dessa maneira se dava um passo para a aproximação e a conciliação dos partidos".

Em setembro de 1853, o gabinete (ministério) articulado por Honório Hermeto Carneiro Leão, marquês do Paraná, levou adiante a política de conciliar os dois partidos. O gabinete do marquês do Paraná era composto de liberais e conservadores.

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A economia e as finanças no Segundo Reinado

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Com a abertura dos portos, findou o domínio econômico de Portugal sobre o Brasil. De colônia a Reino Unido, o Brasil passou a integrar o mundo capitalista do liberalismo. As lojas e os armazéns brasileiros ficaram abarrotados de mercadorias importadas, dando a idéia de progresso econômico. Nada mais falso: isso era uma manifestação de uma economia frágil e dependente de empréstimos externos, que se estendeu até o advento da República.

A queda das exportações brasileiras acentuou-se entre o fim do século XVIII e princípio do XIX. Os preços de produtos, como o algodão, o fumo e o açúcar estavam em constante baixa ou pelo menos ficavam estáveis nas bolsas dos mercados internacionais. O café, apesar de sua franca expansão, não conseguia cobrir os déficits  provocados pela queda dos outros produtos. A balança comercial brasileira era deficitária: comprava-se muito mais do que se vendia.

A dívida externa crescia, e o pagamento dos juros e serviços da dívida aumentou o déficit. Além de termos de pagar em ouro, o mil-réis (moeda da época) se desvalorizava devido às emissões do governo e devido também à falsificação. Calcula-se que cerca de 30% do papel-moeda que circulava no período do Primeiro Reinado era falsificado.

A total desorganização do sistema de cobranças de impostos agravava a já caótica situação financeira.

A Tarifa Alves Branco

Foi somente no ano de 1844 que se modificou a política alfandegária. Instituiu-se a chamada Tarifa Alves Branco (nome do autor da lei), que tinha um caráter protecionista, impedindo a entrada de certos produtos importados através do aumento das taxações. Essa política incentivou uma pequena produção industrial no país.

Logo se fizeram ouvir as vozes de protesto: os importadores brasileiros e os exportadores estrangeiros. Resistindo às pressões, a Tarifa Alves Branco acabou por dar uma melhora relativa às finanças do Segundo Reinado. Uma interessante iniciativa tomada nessa época foi a tentativa pioneira dos empreendimentos industriais e financeiros do barão de Mauá.

Experiências empresariais de Mauá

Os capitais empregados na compra de escravos passaram a ser aplicados, depois da proibição do tráfico, em setores mais dinâmicos da economia. Irineu Evangelista de Sousa (barão de Mauá) soube aproveitar essa tendência da economia brasileira. Começou comprando uma pequena empresa, no Rio de Janeiro, depois que voltou de uma viagem à Europa. Com algum dinheiro acumulado, aplicou em setores diversificados da economia, como empresa de eletricidade, companhias agrícolas, companhia de gás etc. Todavia, sua principal iniciativa foi inaugurar a primeira estrada de ferro do Brasil, no ano de 1854, que ligava o Rio de Janeiro a Petrópolis.

Mas as atividades econômicas de Mauá, típicas de uma economia capitalista avançada, tinham poucas possibilidades de se consolidar num país agrário, escravista e latifundiário. Ao mesmo tempo, suas empresas não tiveram condições de enfrentar a concorrência dos produtos ingleses que entraram depois do fim da Tarifa Alves Branco. Todas as suas empresas foram vendidas ou faliram.

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Cafeícultura do Segundo Reinado

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Não se sabe exatamente quando o café foi introduzido no Brasil. A tradição meio lendária fixa o ano de 1727, quando Melo Palheta teria introduzido a primeira muda no norte da colônia. Na Europa, o café já era conhecido como vegetal medicinal, capaz de curar certas doenças. No Brasil, apesar do crescente interesse europeu pelo produto, o café foi deixado em plano secundário por causa da euforia do período da mineração. O café começou a despertar interesse econômico com a decadência da mineração e com o chamado renascimento agrícola.

Vegetal de difícil adaptação, o café exige temperatura amena, tipo de solo específico e chuvas bem distribuídas o ano todo. O tempo de carência é demorado, isto é, só começa a produzir depois de cinco anos. As regiões em que o café se adaptou melhor foram: parte do Rio de Janeiro, sudoeste de Minas Gerais e São Paulo. O Nordeste não tinha nem capital suficiente nem condições climáticas propícias para o desenvolvimento da lavoura cafeeira. O Rio de Janeiro pode ser considerado a região pioneira na agricultura do café. Vagarosamente, as lavouras de café foram avançando nas áreas próximas ao litoral em direção ao sul, seguindo o vale do rio Paraíba do Sul.

Os anos de 1837 e 1838 registraram números surpreendentes. A agricultura cafeeira, já se estendendo em direção a São Paulo, superou a produção do açúcar, e o café passou a ser o principal produto de exportação.

Na segunda metade do século XIX, percebeu-se que solos de terra roxa eram os ideais para o cultivo do café. A região que tinha esse tipo de solo era o oeste de São Paulo. Campinas, que em 1836 havia produzido 8.801 arrobas, em 1854 produziu quase quarenta vezes mais, isto é, 335 mil arrobas. Entre 1850 a 1860, a produção passou de 17 mil para 26 mil sacas de café. Em 1860, Santos já era o principal porto exportador.

A economia agrária e exportadora continuava a exigir grandes latifúndios. Esses latifúndios dominados por uma nova aristocracia, logo chamada de "barões do café", dependia, da mão-de-obra escrava. As tradicionais fazendas de café possuíam, como os velhos engenhos, uma casa-grande e uma senzala, mas havia uma tendência para introduzir a mão-de-obra livre, por se tratar de uma economia capitalista mais dinâmica. O senador Nicolau de Campos Vergueiro foi o pioneiro na utilização da mão-de-obra livre de colono de origem européia, em 1847.

Um outro dado inovador da agricultura cafeeira foi a instituição da ferrovia como meio de transporte, substituindo os muares (da raça do mulo, besta, muar, mula). O Brasil estava se modernizando e se adaptando à era do capitalismo imperialista.

O capital para a expansão da economia cafeeira foi basicamente o dos próprios fazendeiros, isto é, não foi preciso, como no período do açúcar, a associação com estrangeiros. Na região fluminense, o capital necessário para o desenvolvimento da lavoura existente, como a cana-de-açúcar. Em São Paulo, o capital originou-se do comércio de mulas e cavalos na região de Sorocaba bem como de outras atividades agrícolas.

Apesar de as duas regiões financiarem com recursos próprios as suas lavouras, havia uma diferença marcante entre elas: enquanto a região fluminense insistia  em sistemas mais antiquados, como a mão-de-obra escrava, a lavoura paulista se modernizava, mecanizando-se e introduzindo a mão-de-obra assalariada.

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O apogeu do Império brasileiro

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A economia colonial brasileira esteve, desde o seu nascimento, ligada à mão-de-obra escrava. A independência e a instituição do império em nada modificaram a estrutura escravista. Ao contrário, a escravidão ficou mais acentuada.

O problema básico era como manter constante o fluxo de escravos. Como a mortalidade era maior que a natalidade, a tendência era a diminuição do número de escravos. Por isso, a economia colonial precisava comprar cada vez mais escravos.

A Inglaterra e o tráfico negreiro

Até o século XVIII, a Inglaterra havia lucrado e acumulado muito capital com o comércio de escravos,mas no século XIX a situação mudou. Os industriais ingleses, que se desenvolveram com a Revolução Industrial, viam no escravismo um obstáculo para a expansão de novos mercados. Os ingleses achavam que os capitais aplicados na compra de escravos poderiam ser dirigidos para setores mais dinâmicos da economia, como, por exemplo, para a compra de máquinas e de produtos industriais. Além do mais, a escravidão significava um mercado restrito, ou seja, consumia muito pouco. Os ingleses queriam um mercado livre, sem o protecionismo do mercantilismo e do pacto colonial. Por essa razão é que eles combatiam o escravismo, não só em suas próprias colônias das Antilhas, como também em regiões como o Brasil.

Como nos tratados de 1810 D. João já havia se comprometido a extinguir o tráfico, os ingleses sentiram-se com autoridade para iniciar a perseguição aos navios negreiros. A Inglaterra só reconheceu nossa independência com uma nova promessa de extinção, que nunca foi cumprida. Em 1831, formulou-se uma lei bastante ambígua sobre o controle do tráfico. Os escravos continuaram a ser importados. O tráfico continuava e as ações dos navios de guerra contra os navios negreiros cresciam na mesma proporção. A perseguição da Inglaterra aos navios negreiros brasileiros gerou fortes tensões nas relações entre os dois países.

A Lei Eusébio de Queirós

No dia 8 de agosto de 1845, foi aprovada na Inglaterra uma lei que levava o nome de seu autor, a Lei Aberdeen (Bill Aberdeen), que afirmava "(...) será lícito ao alto tribunal do almirantado e a qualquer tribunal de Sua Majestade (...) julgar qualquer que faça o tráfico de escravos africanos (...)". O Brasil protestou contra a ingerência (intervenção) nos assuntos internos de nossa política, mas a Inglaterra não tomou conhecimento.

O Brasil não tinha saída. Seria muito difícil para um país de economia agrária e dependente enfrentar a maior potência mundial da época. O governo brasileiro teve de ceder. No dia 4 de setembro de 1850, foi publicada a Lei Eusébio de Queirós, que levava o nome do ministro da Justiça, pela qual ficava extinto o tráfico de escravos entre o Brasil e a África. O número de escravos importados caiu rapidamente.

As províncias do Nordeste foram as que mais sentiram o fim da importação de mão-de-obra. As províncias do Centro-Sul, que já estavam se dedicando à cafeícultura, conseguiram, num primeiro momento, superar o problema com o tráfico interno de escravos.

Porque não se utilizava da mão-de-obra livre nas lavouras? Essa solução era quase impossível, se pensarmos que os três séculos de escravidão geraram uma pequena oferta de trabalhadores. E mesmo esse pequeno contingente de trabalhadores livres não queria enfrentar uma tarefa que foi sempre "coisa de negro". O trabalho nas grandes lavouras era visto como algo aviltante (que desonra).

A conseqüência mais imediata dessa situação foi que os preços de escravos subiram assustadoramente. Alguns latifundiários sentiam que o trabalho escravo era improdutivo e ensaiavam a introdução de imigrantes como mão-de-obra.

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A violência política do Segundo Reinado

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Assim que um novo ministério era empossado, tomava-se uma série de providências antes das eleições: nomeavam-se os novos presidentes de províncias, mais afinados com os ministros, novos chefes de polícia de confiança eram admitidos, mudavam-se os juízes e os chefes da Guarda nacional. Prontos para a realização das eleições, os novos donos do poder contratavam capangas, conhecidos como "papos amarelos" (por usarem lenço amarelo no pescoço), que andavam armados e obrigavam os eleitores a votar nos candidatos indicados. Além disso, trocavam-se urnas que porventura pudessem dar a vitória a um candidato adversário, modificavam-se as listas de eleitores, incluindo nomes de pessoas já falecidas, de crianças ou mesmo de pessoas inexistentes.

A violência política ia substituindo a violência social como forma de manter no poder a aristocracia agrária.

Em março de 1841, D. Pedro II dissolveu o ministério liberal, que havia articulado o golpe da maioridade, e nomeou um gabinete composto de conservadores. Esse gabinete restaurou o antigo Conselho de Estado e centralizou todas as atividades judiciais e policiais nas mãos do Ministério da Justiça, acabando efetivamente com a autonomia das províncias. Com a centralização das atividades judiciais, desapareceu o habeas corpus, isto é, o tradicional direito de um acusado de defender-se em liberdade. Essa medida aumentava o poder já quase absoluto do governo imperial.

Foi por causa desse aumento do poder que novamente estouraram manifestações de protesto em diversas províncias.

Protestos em São Paulo e Minas Gerais

A aristocracia liberal de São Paulo e a de Minas Gerais reagiram a supressão da autonomia das províncias.

No dia 17 de maio de 1842. Tobias de Aguiar, um dos líderes liberais da província de São Paulo, com o apoio de Diogo Feijó, tentou um levante armado, que foi reprimido pelo duque de Caxias. Em Minas Gerais, a reação desencadeou violentos combates entre os liberais e as forças do Império, comandadas pelo duque de Caxias.

Diante da onda de protestos, D. Pedro II, com bastante habilidade, dissolveu o ministério conservador e chamou os liberais para formar outro gabinete. Novamente no poder, os liberais não alteraram a legislação, que até a véspera era combatida por eles. Liberais e conservadores: no Brasil, a diferença ficava somente no nome.

Pernambuco e a Revolução Praieira

Toda região da antiga capitania de Pernambuco estava sob o domínio exclusivo de duas ou três famílias de latifundiários. Grandes fazendas dominavam toda a Zona da Mata, impedindo a sobrevivência de homens livres que por ventura quisessem trabalhar a terra. Um dos maiores proprietários da região era a família dos Cavalcantes.

O poder da província era dividido entre liberais e conservadores, da mesma forma que o poder central.

Em outras palavras, as diferenças entre liberais e conservadores eram, praticamente inexistentes, a ponto de os dois partidos se  revezarem no poder e não acontecer nenhuma mudança político-social. No entanto, havia um grupo político formado por antigos liberais radicais de tendências democráticas, quase todos intelectuais. Esse grupo era conhecido pelo nome de Partido da Praia, por se reunir na sede do jornal Diário Novo, localizado na rua da Praia, em Recife. O Partido da Praia tinha plena consciência de que os males da região eram causados pela presença do latifúndio, que impedia o pequeno lavrador livre de cultivar sua própria terra.

Dentro do Partido da Praia  havia várias tendências, e alguns membros mais radicais chegaram a entusiasmar-se com as idéias socialistas, vindas da Europa junto com as notícias das Revoluções de 1848.

Realizadas as eleições para as Assembléias Provinciais, o setor mais moderado do Partido da Praia obteve a maioria de votos e a província passou a ser governada pelo líder praieiro Chichorro da Gama. O governo central, nas mãos dos conservadores, temia que a situação se radicalizasse e exigiu que um conservador  governasse a província de Pernambuco.

No dia 7 de novembro de 1848, os praieiros e uma grande parcela da população levantaram-se em armas. A rebelião começou em Olinda e espalhou-se pela Zona da Mata. Os praieiros exigiam o voto universal e a liberdade de imprensa. Mas as forças do governo imperial conseguiram dominar os rebeldes, apesar de o líder Pedro Ivo resistir até maio de 1849, quando foi preso.

A consolidação do poder do Latifúndio

Durante o período regencial, o sistema político brasileiro chegou a ter alguma semelhança com um sistema republicano. O golpe desfechado pelos liberais acabou com essa tendência, consolidando o sistema monárquico por mais de 40 anos. Nesse período, tanto liberais quanto conservadores revezaram-se no poder, pois os dois partidos representavam os latifundiários.

Após a repressão das últimas revoltas, já sob o reinado de D. Pedro II, as tendências mais liberais ou republicanas estavam derrotadas. A elite conservadora havia conseguido afastar da cena política os projetos que ameaçavam, mesmo que remotamente, a ordem econômica e social baseada no latifúndio e no privilégio aristocrático.

 

PEDRO, Antonio. História da Civilização Ocidental. ensino médio. volume único

 

 

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