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A nova sociedade da era do ouro

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Dois fenômenos importantes acompanharam a economia da mineração, de um lado, um crescimento populacional bastante acentuado; por outro, a urbanização do Centro-Sul. A população das Gerais, concentrada em núcleo urbanos, podia contar com alguns serviços incentivados pela circulação de moedas. Os núcleo urbanos tendiam a crescer. Vila Rica de Ouro Preto, teve uma população que oscilou entre 30 e 100 mil habitantes, conforme a época. Nesses núcleos surgiram várias atividades profissionais livres: o trabalho de artesãos, de pequenos comerciantes, lojas, armazéns, hospedarias e, é claro, a prostituição. O ouro podia comprar tudo.

Esse comércio subsidiário à economia mineradora aumentava as possibilidades de enriquecimento. A sociedade estratificada e rígida da colônia, que praticamente não permitia a ascensão de uma classe a outra, começava a modificar-se. Existia uma pequena possibilidade de ascensão social.

As transformações sociais

As novas atividades econômicas geraram novas camadas na sociedade, as quais nem sempre estavam ligadas às antigas estruturas sociais da colônia. Surgia, assim, aquilo que muitos chamaram de embrião de uma classe intermediária, ou média.

Mas, mesmo com o aparecimento desses novos setores na sociedade, o Brasil continuava um país escravista. O aumento do trabalho livre não chegava nem de longe a ameaçar a ordem escravocrata. Por volta de 1780, havia em Minas Gerais cerca de quatro escravos por cada pessoa livre. Numa população de cerca de 300 mil pessoas, 250 mil eram escravos.

Por essa razão, não podemos afirmar que as transformações foram profundas a ponto de modificar a estrutura social da colônia.

No entanto, a sociedade produzida pela economia mineradora dava condições de mobilidade social, embora isso fosse a exceção não a regra. A alforria de negros escravos existia, embora bem mais rara do que se chegou a pensar. Geralmente eram as escravas que se tornavam esposas ou concubinas de homens dos setores médios que se formavam na região das minas, sendo assim alforriadas por eles. Na sociedade açucareira isso não existia.

Toda essa vida mais dinâmica favoreceu uma produção intelectual, antes impossível.

O ouro e a cultura

A produção cultural no Brasil no século XVIII foi bastante marcada pelo euforia da mineração. Minas Gerais, a região mais populosa e urbanizada, era o centro da produção musical, literária e das artes plásticas.

A cultura de Minas Gerais estava obviamente exposta à influência portuguesa, mas sofria também a influência do Iluminismo francês.

A fundação de diversas academias de letras e ciências em Salvador e no Rio de Janeiro pode ser entendida como a formação das bases de uma cultura mais urbanizada e contestadora do colonialismo. Inicialmente, os intelectuais que participavam desses grupos centraram seus estudos nas ciências naturais. Mas foi a partir daí que acabaram por descobrir as potencialidades do Brasil, acentuando ainda mais o caráter anticolonialista de suas reflexões.

Os livros eram contrabandeados ou, muitas vezes, vinham com a capa de outros livros para burlar a censura e a Inquisição. Existiam bibliotecas particulares que funcionavam quase como se fossem públicas. Esse foi o caso de Luís Vieira da Silva, um dos participantes da Inconfidência Mineira, que possuía mais de 800 volumes, com grande parte das obras de autores iluministas. Pela primeira vez na história da cultura brasileira começava a esboçar-se a formação de um público.

A literatura da época da mineração reagiu, através do estilo chamado arcadismo, contra o estilo rebuscado e artificial do barroco. O arcadismo se inspirava na natureza, na simplicidade e no racionalismo, ao mesmo tempo em que enaltecia os sentimentos amorosos. Tomás Antonio Gonzaga foi um dos foi um dos mais famosos árcades. Enalteceu sua paixão por Marília em versos mas também fez críticas ao despotismo (poder absoluto) do governador português.

Claudio Manuel da Costa foi, sem dúvida, o maior dos poetas do arcadismo. Por seu envolvimento na Inconfidência Mineira, morreu na prisão em condições pouco esclarecidas.

As Artes Plásticas

Os trabalhos de arquitetura e os temas de escultura sofreram a influência nítida da vida religiosa e dos padrões portugueses.

Os artistas (em sua maioria padres) preocupavam-se com a ostentação e trabalhavam com os arquitetos de acordo com a estética importada da Europa: o barroco.

O Barroco europeu moldou e influenciou as realizações dos artistas mineiros. Houve, no entanto, uma reelaboração e adaptação ao novo contexto histórico-social brasileiro no trabalho de São Francisco de Assis e nas estátuas do adro da igreja de Congonhas do Campo.

PEDRO, Antonio. História da civilização ocidental. ensino médio

Descoberta e exploração dos diamantes - Brasil

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O ouro não foi a única riqueza encontrada na região das Minas Gerais. Em 1729, o governo português foi avisado da existência de jazidas de diamantes na região do rio Jequitinhonha, próximo ao Arraial do Tijuco (atual Diamantina, Minas Gerais).

As primeiras descobertas de diamantes no Brasil ocorreram em princípios do século XVIII. Logo o Brasil transformou-se no primeiro produtor moderno de diamantes do mundo. Até essa data, os diamantes eram comercializados em pequenas quantidades pelos portugueses, que valiam-se do entreposto de Goa, na Índia.

De início a extração era livre e o pagamento dos impostos fazia-se como o do ouro, isto é, pelo quinto. Logo as autoridades pensaram em outra forma de controle, dada a facilidade de burlar o fisco.

ilustração de Carlos Juliano representa escravos trabalhando em uma mina, Minas Gerais, século XVIII

As autoridades agiram rápido. De imediato, anularam todas as concessões de terras no local e proibiram a exploração de ouro. A extração de diamantes foi transformada em monopólio do governo português e quem fosse pego explorando essas minas sem autorização podia ser punido com o degredo (exílio) para Angola.

Em 1743, o governo português criou o Distrito Diamantino, administrado inicialmente por Rafael Pires Pardinho. Para evitar o contrabando, Pardinho impôs à população local um isolamento quase completo em relação a outras regiões da colônia. Ninguém podia sair sem prévia autorização do Intendente, que tinha poder de vida e morte sobre os habitantes da região demarcada. Mas o valor de venda dos diamantes era tão alto que os próprios funcionários do rei contrabandeavam as pedras.

O centro administrativo do Distrito  Diamantino, localizado no arraial do Tijuco, fazia valer a autoridade do intendente por meio dos chamados Dragões de Minas, que eram a tropa de elite para reprimir qualquer tentativa de contrabando.

A permissão para que particulares participassem da extração de diamantes só foi dada em 1739. Em troca do pagamento de uma quantia fixa ao governo português, essas pessoas, chamadas de contratadores, exploravam as minas utilizando trabalho escravo.

Economia

A região das minas funcionou como um grande imã na colônia, isto é, atraindo gente pela possibilidade de enriquecimento fácil e rápido. Essa atração exercida pelo ouro fez com que, ao longo do século XVIII, ocorresse uma intensa circulação de mercadorias e animais na colônia.

A maior parte da população concentrava-se na região das minas, e sua única preocupação era achar ouro e enriquecer. As atividades agrícolas foram esquecidas e relegadas a segundo plano. O resultado foi que gêneros alimentícios e vestimentas tiveram uma alta de preços nunca vista antes.

Isso significava que um produto custava, na região das minas, aproximadamente cinquenta vezes mais do que se pagava no litoral.

Com a região das Minas consumindo uma grande quantidade de produtos que não produzia e devido ao alto poder aquisitivo gerado pelo ouro e os diamantes, as atividades comerciais internas à colônia, antes insignificantes, tiveram um grande desenvolvimento. Os surtos de fome provocados pela precariedade do abastecimento, foram superados com a dinamização da economia.

A mudança no perfil da economia se materializou no aparecimento de centros produtores de alimentos em torno da região das minas. A partir de então, surgiu uma verdadeira malha de caminhos que ligavam as diferentes regiões da colônia com o centro produtor de ouro.

Os caminhos e o comércio da colônia

No início da mineração, existiam somente dois caminhos para chegar à região aurífera: o Caminho Geral e o Caminho do São Francisco. O primeiro ligava a capitania de São Paulo, passando por Parati, até a região das minas. O do São Francisco era o caminho “natural” entre o Nordeste e as minas.

Como o Rio de Janeiro era um importante centro fornecedor e havia necessidade de melhorar o acesso à região das minas, o governo da colônia resolveu abrir o Caminho Novo das Gerais, pelo qual, segundo o cronista Antonil, era possível fazer a viagem entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais em 10 ou 12 dias.

Esse novo caminho, com suas ramificações, facilitava o trabalho de fiscalização da real Fazenda, que instalou barreiras e registros onde a passagem era obrigatória.

Nas proximidades de cada barreira ou registro, iam surgindo aglomerados de casas que, de povoações se transformaram em vilas e depois em cidades. As cidades de Mogi-Mirim, Mogi-Guaçu e Ouro Fino são alguns dos exemplos de formações urbanas em torno dos registros da Real Fazenda.

Nos vários caminhos que ligavam as diferentes partes da colônia a Minas Gerais, também se formavam vilas e povoamentos junto dos pousos, pontos de abastecimento e descanso dos viajantes. Aos poucos a colônia tomava uma feição que se poderia chamar de urbana, principalmente graças à circulação de uma personagem  nova na economia e na sociedade coloniais: o tropeiro, condutor das tropas de mulas.

Do Nordeste vinham para a região das Gerais escravos, tabaco e muita aguardente. Além dos caminhos principais, existiam os secundários, por onde muito ouro era contrabandeado.

Caminhos do ouro

Entre os séculos XV e XVIII, 50% de todo ouro produzido no mundo foi extraído do Brasil. E 70% desse total saiu da capitania de Minas Gerais. Mas como explicar que apesar disso, a imensa maioria da população local vivia numa situação de extrema pobreza, chegando muitas vezes a passar fome, perambulando pelas ladeiras e morros da região?

Biblioteca do Convento de Mafra (Portugal)

É que só uma parte pequena do ouro ficou aqui. Com essa parte foram construídos, os altares de igrejas mineiras e baianas. A maior parte do ouro e dos diamantes ia para Portugal, onde era gasta em construções monumentais como o Convento de Mafra, e servia para pagar as importações portuguesas, que vinham sobretudo da Inglaterra. Por isso, para alguns historiadores, grande parte do ouro extraído do Brasil no século XVIII contribuiu para o enriquecimento da Inglaterra

PEDRO, Antonio. História da civilização ocidental. ensino médio. CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental. BOULOS JUNIOR. coleção História Sociedade & Cidadania. ensino fundamental.

Administração e exploração no Brasil do ouro

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Os problemas econômicos e financeiros que envolviam Portugal e, consequentemente, a colônia, levaram o governo metropolitano a pensar numa forma mais racional de controlar a exploração mineral. O Brasil passava a ser alvo de maiores atenções da Coroa. Todas as atividades eram sujeitas a vigilância e fiscalização rigorosas. Sobre o ouro encontrado, aplicavam-se altas taxas entre a metrópole e a colônia.

Pela legislação, toda jazida encontrada pertencia ao rei. A descoberta deveria ser imediatamente comunicada à Intendência das Minas. que demarcava o terreno. O ‘descobridor recebia as duas primeiras datas, lotes que continham minério. Os que possuíam mais escravos para o trabalho na mineração recebiam as maiores datas.

Para a exploração do ouro, não havia necessidade de muita aparelhagem ou técnicas sofisticadas. O ouro no Brasil era de aluvião, isto é, encontrava-se nas margens dos rios, podendo ser retirado com técnicas rudimentares. Se a compararmos com um engenho de açúcar, poderemos verificar que a mineração era uma atividade que exigia menor capital.

O trabalho empregado na mineração, como na economia açucareira, também era o escravo, mas havia algumas diferenças. O escravo muitas vezes tinha uma certa participação na produção. Havia, portanto, algumas chances de mobilidade na sociedade mineradora, o que não acontecia na sociedade açucareira.

Havia dois tipos de exploração do ouro: as lavras e faisqueiras. As lavras eram exploradas na forma de grande empresa mineradora, com vultoso emprego de capital, muitos escravos, ferramentas e equipamentos. Pelo sistema de lavra exploravam-se minas que exigiam maiores recursos técnicos para a escavação de profundidade. As faisqueiras operavam na forma de pequena empresa, de um só dono, que explorava o ouro da superfície com o trabalho feito por homens  livres ou escravos alforriados.

Os impostos sobre as minas

À medida que se descobriam mais jazidas de ouro, maior era a preocupação da Coroa em fazer leis sobre a exploração e o controle da mineração. Em 1702, aparecia o Regimento das Minas de Ouro, que criava um governo especial para a região: A Intendência das Minas, diretamente subordinada à Lisboa. A Intendência administrava, fiscalizava e dirigia a exploração das minas, aplicava a justiça em qualquer desavença e cobrava os impostos (a função mais importante). O governo das minas era exercido por um superintendente, ajudado por um guarda-mor.

Toda preocupação da Coroa era no sentido de vigiar, administrar e cobrar impostos. Não pensava em desenvolver melhores técnicas para a exploração do ouro, feita de forma bastante predatória.

O principal imposto cobrado pela Coroa era o quinto: deveria ser paga a quinta parte de todo o ouro extraído no Brasil. A forma de controle instituída para garantir a arrecadação do quinto foi a obrigatoriedade de fundir todo ouro encontrado na colônia. Casas de fundição oficiais transformavam o ouro bruto (pó ou pepita) em barras marcadas com o selo real, retendo a parte devida à Coroa.

A casa de fundição mais próxima da região das minas era em Taubaté (São Paulo). A longa distância incentivava a sonegação dos impostos. A maior parte do ouro que circulava era em forma bruta, que funcionava como moeda. Tentando evitar isso, a Coroa aumentou a fiscalização e o policiamento, criando postos fiscais nos caminhos que saíam da região mineradora: eram os registros.

Criou-se depois uma outra forma de arrecadação de imposto, chamada capitação: cada mina estava obrigada a pagar determinada quantia  por escravo que usasse na extração, independente da quantidade de ouro que fosse extraído.

A Revolta de Filipe dos Santos e a derrama

As casas de fundição mostraram-se o sistema mais eficiente para a fiscalização e arrecadação de impostos, e por isso passaram a funcionar com mais intensidade depois de 1719, o que gerou violentos protestos. Um dos mais importantes dessa época foi o de Filipe dos Santos, que se rebelou contra a extorsão da Coroa. Por isso foi preso, executado e esquartejado em 1720. No mesmo ano em que ocorreu a revolta de Filipe dos Santos, o governo português transformou Minas Gerais em  capitania, separando-a de São Paulo.

Estabeleceu-se mais tarde uma taxa obrigatória de 100 arrobas (1.500 quilos) de ouro por ano. Caso não se atingisse essa arrecadação, acumulava-se como dívida para ser cobrada mais tarde. A derrama era a cobrança forçada dessa dívida tributária atrasada na qual confiscava-se ouro ou outros bens até se obter o valor determinado.

A Revolta de 1720

Os altos impostos cobrados pela Coroa portuguesa deixavam indignada a população da zona mineradora. A fiscalização era rígida, e quem fosse pego fora das minas com ouro em pó ou com barras de ouro sem o símbolo real era preso. Entretanto, muitos mineiros usavam de vários artifícios para burlar a vigilância dos funcionários do rei.

Para não pagar impostos, os colonos faziam imagens ocas de santos, em cujo interior escondiam ouro. Quando os soldados encontravam as imagens durante a revista, faziam respeitosamente o sinal-da-cruz sem saber que as estatuetas escondiam ouro contrabandeado. Dessa história nasceu a expressão “santo do pau oco”.

Em 1719, novas leis implantadas por ordem do rei de Portugal para evitar o contrabando desagradaram muitos habitantes das Minas Gerais. Vários militares foram substituídos por outros vindos de Portugal, nos quais o rei confiava mais. Os religiosos foram proibidos de circular pelas minas, tendo que se recolher aos seus conventos, pois o rei acreditava que alguns deles também participavam do contrabando. Pessoas que deviam impostos atrasados foram forçadas a paga-los.

Essa pressão do Estado português sobre os colonos estimulou uma revolta em Vila Rica. Em 1720, cerca de 2 mil pessoas seguiram para uma Vila do Carmo (atual Mariana) e protestaram diante do conde de Assumar, governador da capitania, contra a criação das Casas de Fundição. O governador fingiu atender às reivindicações da população, mas no mês seguinte ordenou que suas tropas invadissem Vila Rica, prendessem os principais líderes do movimento e queimassem suas moradias. Foi então que Filipe dos Santos, apontado como líder do movimento foi morto por enforcamento, seu corpo esquartejado e exposto na região para servir de exemplo. Apesar dos protestos e da revolta, as Casas de Fundição entraram em funcionamento em 1725.

Pedro, Antonio. História da civilização ocidental: ensino médio.volume único. CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História.ensino fundamental.

Os efeitos imediatos da descoberta do ouro no Brasil

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Quando a notícia da descoberta do ouro se espalhou pela colônia, os paulistas foram os primeiros a correr para a região, pois para eles era uma das poucas formas de enriquecimento. Atravessavam a serra da Mantiqueira, chegando à região mineradora depois de penosa caminhada. Do nordeste da colônia também chegavam colonos pelo rio São Francisco. De Portugal, começou a chegar uma nova leva de colonos. Todos eram atraídos pela possibilidade do rápido enriquecimento.

Essa gente instalava-se precariamente. Somente mais tarde é que surgiriam povoações, mais ou menos prósperas, como Vila Rica de Ouro Preto. A população  de Minas Gerais saltou, de poucas pessoas na época do descobrimento do ouro, para mais de 30 mil em 1709. No fim do século XVIII, Minas Gerais contava com quase 500 mil habitantes.

Essa população, tomada pela “febre do ouro”, não se preocupava com a agricultura ou com a criação de animais. A maioria dos alimentos era importada de outras regiões, o que tornava a alimentação bastante cara. Os suprimentos, além de percorrer grandes distâncias, eram vendidos ou trocados diretamente por ouro. Isso facilitava o contrabando, criando atrito com as autoridades.

Toda a área mineradora converteu-se em centro de tensões. A disputa pelas melhores jazidas e locais que possuíam mais ouro começou a provocar sérios conflitos. Um dos incidentes importantes foi a chamada Guerra dos Emboabas.

A Guerra dos Emboabas

Os paulistas, descobridores do ouro na região de Minas Gerais, começaram a reivindicar exclusividade no direito de exploração do metal. Consideravam os portugueses, mestiços, índios, brancos e negros que chegavam à região como estrangeiros e invasores.

Como a região das minas fazia parte da capitania de São Vicente, a câmara municipal de São Paulo pediu ao rei, em abril de 1700, direitos exclusivos sobre a região de Minas Gerais. O clima começava a ficar tenso. Os paulistas se diferenciavam muito dos outros colonos: sua língua corrente não era o português e sim o tupi-guarani; eram mais pobres, andavam vestidos de forma bastante simples e quase sempre descalços. Por essa razão, chamavam os outros colonos de emboabas, isto é, aqueles que andavam de botas.

Os paulistas concentravam-se entre o rio das Velhas e o rio das Mortes, na região de Vila Rica de Ouro Preto, liderados por Borba Gato, superintendente das minas.

Os emboabas, liderados por Manuel Nunes Viana mantiveram constantes atritos com os paulistas por quase um ano. O episódio mais famoso foi o do chamado Capão da Traição, onde vários paulistas foram massacrados.

A pacificação só se deu quando foi nomeado o novo governador, em janeiro de 1709, que expulsou o líder emboaba e atendeu a algumas das reivindicações dos paulistas, como a de garantir o retorno dos que haviam saído da região.

O governador, D. Antônio de Albuquerque Coelho ainda determinou a proibição de uso de armas por negros, índios e mestiços, instituindo uma campanha de soldados para garantir a ordem. O conflito refletia a pouca organização administrativa em que se encontrava a região mineira. A partir daí, a Coroa começou a esboçar os primeiros sistemas de administração e organização para explorar o ouro.

Os desclassificados do ouro

Somando-se aos aventureiros do ouro e aos desclassificados que Portugal despejava nas Minas, toda uma camada de gente decaída e triturada pela engrenagem econômica da colônia ficava, aparentemente sem razão de ser, vagando pelos arraiais, pedindo esmola e comida, brigando pelas estradas e pelas serranias, amanhecendo morta embaixo das pontes ou no fundo dos córregos mineiros. […] Sua presença inquietava os administradores coloniais […], dentre estes, cabe destacar o desembargador Teixeira Coelho.

[…] [Em] sua instrução para o governo da capitania de Minas Gerais (1780) […] [Teixeira Coelho escreveu]: “ Os vadios são o ódio de todas as nações civilizadas, e contra eles se tem muitas vezes legislado; porém as regras comuns relativas a este ponto não podem ser aplicáveis ao território de Minas; porque estes vadios, que em outra parte seriam prejudiciais, são ali úteis”. Negros forros e mestiços na sua maior parte – mulatos, caboclos, carijós –, serviam para povoar locais distantes como Cuieté, Abre Campo e Peçanha, onde se iam estabelecendo presídios; engrossavam os contingentes que entravam mato adentro destruindo quilombos e prendendo foragidos; cultivavam plantações de subsistência, enfim, realizavam uma série de tarefas que não podiam ser cumpridas pela mão-de-obra escrava.

MELLO E SOUZA, Laura de. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 1986, p.71-2.

CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental.

PEDRO, Antonio. História da civilização ocidental. ensino médio – volume único.

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As sociedades Mineiras – Cronologia

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(SÉCULO XVIII)

De repente, os colonizadores portugueses começaram a criar muitas vilas. Todas elas repletas de gente: garimpeiros, comerciantes, artesãos, aventureiros, artistas, poetas, etc. Por toda parte se ergueram  igrejas, casarões sobrados e palácios.

Toda essa mudança ocorreu no interior da América portuguesa do século XVIII. Tudo pago pelo ouro -  e, mais tarde, pelos diamantes – descobertos por bandeirantes no sertão para além da Serra da Mantiqueira.

A vida na colônia portuguesa foi alterada pela descoberta de ouro e pedras preciosas no interior.

  • 1674   Fernão Dias Paes parte de São Paulo para o sertão à frente de uma bandeira.
  • 1693   A expedição comandada por Antônio Rodrigues Arzão encontra ouro na região do atual estado de Minas Gerais.
  • c. 1700 Borba Gato descobre ouro em Sabará. Criação do imposto chamado quinto.
  • 1707-1709 Guerra dos Emboabas
  • 1720   Revolta de Vila Rica
  • 1725   Começaram a funcionar as Casas de Fundição nas Minas Gerais.
  • 1729  Encontradas minas de diamantes na região da atual Diamantina.

Em busca do ouro

Desde 1500, quando chegaram à América, os portugueses esperavam encontrar metais e pedras preciosas no continente. Esse interesse se tornou ainda mais urgente no século XVII, com o fim da Nova Holanda. Ao deixar o Brasil, os holandeses passaram a produzir açúcar nas Antilhas. Como essas ilhas estão mais próximas da Europa do que o Brasil, o açúcar vendido pelos holandeses era mais barato do que os produzidos pelos portugueses. Por causa dessa concorrência, o açúcar deixou de dar os grandes lucros que até então vinham sustentando a riqueza de Portugal.

Na esperança de compensar essa perda, o governo português passou a estimular ainda mais a busca de pedras e metais preciosos na colônia e apoiou diversas expedições com esse objetivo. Em 1674, o paulista Fernão Dias Paes partiu de São Paulo à frente de uma bandeira em direção à futura capitania de Minas Gerais em busca de esmeraldas. A viagem durou sete anos, mas Fernão Dias só encontrou turmalinas, que, apesar de verdes como as esmeraldas, tem pouco valor comercial.

Somente na última década do século XVII as expedições tiveram êxito. Em 1693, Antônio Rodrigues Arzão encontrou ouro na região de Caeté, atual estado de Minas Gerais. Cinco anos mais tarde foi a vez de Antônio Dias de Oliveira, que encontrou ouro em Vila Rica (atual Ouro Preto); por volta de 1700, Borba Gato encontrou ouro em Sabará.

A descoberta do ouro na região de Minas Gerais incentivou os bandeirantes a continuarem suas pesquisas exploratórias em outras regiões. Em 1718, partindo de São Paulo e seguindo o curso dos rios, eles chegaram À região da atual Cuiabá, onde encontraram ouro. Em 1725, foram descobertas outras minas em Goiás. A região central do Brasil começou a se transformar. Cuiabá era uma cidade de mais de 7 mil habitantes em 1726, e Goiás transformou-se em capitania em 1744.

CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental. PEDRO, Antonio. História da Civilização Ocidental.ensino médio. volume único.

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