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A colonização inglesa

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A região Norte da América ficou esquecida pelos europeus durante todo o século XVI. Foram feitas algumas viagens exploratórias, mas somente no século XVII se iniciou o povoamento e a colonização pelos ingleses, que decidiram ocupar efetivamente a região. Foram criadas, para isso, duas companhias de comércio: a Companhia  de Londres, que ocuparia a região Sul, e a Companhia de Plymouth, que ficaria com o Norte.

As colônias do Norte e do Centro

As colônias do norte eram conhecidas como Nova Inglaterra, e dentre elas destacavam-se Massachusetts, Connecticut, New Hampshire, Rhode Island. As colônias do centro da América inglesa eram: Nova York, Nova Jersey, Delaware e Pensilvânia.

São chamadas de colônias de povoamento, em oposição às colônias de exploração próprias da colonização portuguesa e da espanhola. As atividades nelas desenvolvidas não tinham cunho mercantil. Sua ocupação foi feita por pessoas perseguidas por motivos políticos e religiosos na Inglaterra, Holanda, Irlanda e Escócia. Dedicavam-se principalmente às atividades manufatureiras e comerciais. Também desenvolveram a pesca, já que o mar da região favorecia essa atividade.

Estabeleceram intenso comércio com as colônias britânicas do Caribe (Jamaica, Barbados), que lhes compravam peixes secos e produtos manufaturados (ferramentas, materiais náuticos etc.). Em troca, o Caribe lhes fornecia melado de açúcar, que transformavam em rum, trocado por escravos na África. Esses escravos eram vendidos para as colônias inglesas do Sul. Essa atividade econômica ficou conhecida como comércio triangular. 

 

As colônias do Sul

Eram as seguintes: Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. Por ser uma região de solo fértil e extensas  planícies, propiciou o cultivo de produtos tropicais: índigo, arroz e tabaco. Era uma agricultura voltada para o mercado externo, realizada em grandes propriedades, empregando mão-de-obra escrava negra, assemelhando-se às colônias ibéricas. Esse tipo de colônia ficou conhecido como colônia de exploração.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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A Revolta da Vacina

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O Rio de Janeiro, habitado por cerca de 700 mil pessoas nos primeiros anos do século XX, era uma cidade com graves problemas urbanísticos. As ruas eram estreitas e malcheirosas devido à quase total inexistência de um sistema de esgotos adequado.

Em 1902, ao assumir a Presidência da República, Rodrigues Alves deu plenos poderes ao prefeito Pereira Passos para promover uma reforma urbanística na capital do país. As obras foram concluídas em 1906.

 

Francisco Pereira Passos

 

Ao mesmo tempo que promovia uma reforma urbanística, o governo decidiu combater as doenças que afetavam a população do Rio de Janeiro. O médico sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado diretor-geral da Saúde Pública, com o objetivo de erradicar os agentes transmissores da peste bubônica (causada pela pulga dos ratos), da febre amarela (transmitida pelo mosquito Aedes aegypti) e da varíola (que se propaga pelo contato com as pessoas infectadas.

Oswaldo Cruz tomou várias medidas: iniciou uma campanha de caça aos ratos, organizou uma brigada de guardas-sanitários que percorriam as residências eliminando focos do mosquito transmissor da febre amarela; conseguiu, em 1904, a aprovação de uma lei tornando obrigatória a vacinação contra a varíola.

 

Oswaldo Cruz 

 

Por uma série de razões, a população se rebelou contra essas iniciativas. Os seguidores do positivismo, que na época eram muito numerosos, alegavam que a obrigatoriedade era uma violação à liberdade individual. Para os adeptos de religiões de origem africana, a varíola era uma doença sagrada, que não podia ser combatida dessa maneira.

Muitas pessoas já estavam descontentes com as reformas urbanas promovidas por Pereira Passos. Ao saber que a vacina era feita do próprio vírus da varíola, achavam que o governo queria "envenenar" a população mais pobre.

Para piorar a situação, muitos homens não permitiam que os funcionários públicos segurassem o braço de suas esposas e filhas para aplicar a vacina por considerarem o ato uma ofensa.

Tantos desentendimentos culminaram em um levante, em novembro de 1904. No dia 13, o centro do Rio de Janeiro e os bairros da Tijuca, Gamboa, Saúde, Laranjeiras, Botafogo, Rio Comprido, Catumbi e Engenho Novo se transformaram em campo de batalha. Diversos bondes foram incendiados, lampiões de gás foram quebrados e barricadas foram construídas nas ruas. Cerca de trezentos cadetes da Escola Militar aderiram à rebelião.

As forças do governo responderam com bombardeios pela marinha e ataques do Exército. Ao todo morreram trinta pessoas, 110 ficaram feridas e 945 foram presas - das quais 454 enviadas para o Acre. No dia 16 de novembro, o governo revogou a obrigatoriedade da vacinação.

Ratos que valiam ouro

Para acabar com os ratos do Rio de Janeiro e erradicar a peste bubônica que eles transmitiam, o diretor-geral da Saúde Pública, Oswaldo Cruz, teve uma idéia genial. Montou brigadas mata-ratos. A tarefa de cada voluntário era eliminar cinco roedores por dia. Para cada rato caçado acima dessa cota, recebia-se 300 réis do governo!

Foi uma mina de ouro para os malandros. De olho na recompensa, houve quem se especializasse na criação doméstica de ratos, que eram vendidos ou depois de abatidos trocados por dinheiro. Conhecidos pela sua extraordinária capacidade de procriar, os bichinhos devem ter feito o pé-de-meia de muita gente. Mas a farsa foi descoberta e alguns criadores presos.

Ratos que valiam ouro. Nossa História, n.1o, agosto 2004, p.89

CARDOSO, Oldimar. coleção: Tudo é História. ensino fundamental.

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A vida urbana e as doenças (parte II)

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Alcovas e cortiços

Uma série de fatores contribuiu para o crescimento desordenado de muitas cidades brasileiras, sem planejamento por parte dos governos. O mau uso do espaço urbano afetou, principalmente, a vida da população menos favorecida.

Os terrenos que existiam nas cidades pertenciam a um número reduzido de pessoas e eram vendidos a preços altos. Não havia leis que regulamentassem a construção de habitações. Por isso, em vez de casas ou prédios, era mais lucrativo construir conjuntos de cômodos sem janelas, chamados alcovas. Também era comum dividir uma casa entre várias famílias, transformando-a num cortiço.

As pessoas, mais pobres se viam obrigadas a viver em alcovas e cortiços, em precárias condições de higiene, o que facilitava a propagação de doenças. Desde o século XIX, doenças como a febre amarela e a varíola mataram milhares de brasileiros.

Veja o texto a seguir, extraído de um pronunciamento feito em 1873 pelo médico Ataliba de Gomensoro na Academia Imperial de Medicina, no Rio de Janeiro.

Para debelar a epidemia, 1873

Entendendo que o foco de epidemia [...] existe nessas casas [...] chamadas cortiços [...] propus a disseminação forçada dos indivíduos que aí vivem [...] respirando um ar insuficientíssimo, como o único meio possível de debelar, senão totalmente, ao menos em grande parte, a epidemia que parece tomar [grandes] proporções [...]

Ao propor essa medida não tive em vista entrar por essas casas e expulsar os moradores, dando-lhes as ruas por moradas, porém reduzir os habitantes dos cortiços ao número rigorosamente comportável a essas casas. Se em um quarto [...] o ar é somente suficiente para duas pessoas, deve-se remover as 18 ou 20 para as quais o ar existente torna-se confinado, e que entretanto aí vivem.

JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco et alii. Coletânea de documentos históricos para o 1º grau: 5ª a 8ª séries. São Paulo: Secretaria de Estado da Educação, 1985, p. 38.

 

Academia Imperial de Medicina

Criada em 1829 como Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1835 passou a se chamar Academia Imperial de Medicina. Com a proclamação da República (1889), tornou-se Academia Nacional de Medicina, nome que mantém até hoje. Mais informações sobre a instituição acesse:

Academia Nacional de Medicina

CARDOSO, Oldimar. coleção: Tudo é História. ensino fundamental.

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A vida urbana e as doenças (parte I)

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Na virada do século XIX para o século XX, o Brasil ainda era um país essencialmente agrícola. O café se mantinha como o principal produto de exportação, e a maior parte da população vivia no campo. Nessa época, no entanto, começou a aumentar cada vez mais o número de pessoas que trocavam a vida rural pela vida urbana. Alguns fatores contribuíram para isso.

Um deles foi o crescente interesse dos cafeicultores e grandes comerciantes em diversificar seus investimentos. Muitos passaram a investir o lucro de seus negócios na indústria, processo que acelerou o número de fábricas instaladas no Brasil.

Em 1907, por exemplo, existiam apenas 3,1 mil fábricas no país; já em 1920 esse número ultrapassava os 13 mil. Nos primeiros anos do século XX, o Rio de Janeiro era o principal pólo industrial brasileiro; duas décadas mais tarde esse posto já era do estado de São Paulo.

Ao mesmo tempo que se industrializava, a capital paulista via sua população aumentar em um ritmo alucinante: no fim do século XIX viviam apenas 65 mil pessoas em São Paulo; em 1920, já eram 580 mil habitantes.

Além do acelerado processo de industrialização, outro fator que contribuiu para o aumento da urbanização do país foi a crescente imigração verificada a partir do fim do século XIX. Estimulados por promessas de emprego nos cafezais e nas indústrias, milhares de europeus fugiram das péssimas condições de vida em seus países e se mudaram para o Brasil em busca de um futuro melhor.

Entre 1887 e 1930, mais de 3,8 milhões de estrangeiros se instalaram no Brasil. Os maiores contingentes vieram de Portugal, Itália, Espanha e Alemanha. Inicialmente, a maior parte dessas pessoas se estabeleceu na zona rural trabalhando nas fazendas de café.

No entanto, os baixos salários, a violência praticada pelos fazendeiros e a falta de infra-estrutura fizeram com que muitos imigrantes retornassem a seus países de origem. Outros preferiram se mudar para as cidades, em busca de emprego nas indústrias, onde chegavam a trabalhar de dez a catorze horas diárias, sem direito a férias nem descanso remunerado.

continua no próximo post...

CARDOSO, Oldimar. coleção: Tudo é história. ensino fundamental.

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Quanto mais lemos, mais aprendemos

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Então, vamos aprender um pouco mais com as sugestões da semana.

 

O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira, ed. Companhia das Letras, 2004. Relato de Fernando Gabeira, que, no fim da década de 1960, participou da guerrilha urbana, foi preso, torturado e viveu no exílio até a anistia.

 

Pergunte a quem conhece: Thaíde, de César Alves, ed. Labortexto, 2004. A trajetória do rapper Thaíde, que se confunde com a história  do hip hop no Brasil.

 

Retrato da arte moderna - Uma história no Brasil e no mundo ocidental (1860-1960), de Katia Canton, ed. Martins Fontes, 2002. Cada capítulo estuda um período definido, situando os movimentos artísticos no contexto histórico e estabelecendo ligações com os principais acontecimentos da época.

Technorati Marcas: ,,

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Revolução de 1930 e a queda da República Velha

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Getúlio Vargas para presidente e o político paraibano João Pessoa para vice-presidente. Essa era a  chapa da Aliança Liberal que deveria disputar com a chapa oficial encabeçada por Júlio Prestes. Esta contava com todo o apoio da máquina federal e, portanto, do sistema de fraudes, o que tinha sempre garantido a vitória do candidato oficial. Tentando contrabalançar o poderio da máquina do governo na corrupção eleitoral da República Velha, os políticos da Aliança buscaram apoio em todos os setores da oposição: os tenentes e as massas urbanas. A plataforma da Aliança, ainda que não fosse totalmente diferente das tradicionais oligarquias, introduzia elementos políticos mais progressistas: o voto secreto, o voto feminino, oito horas de jornada de trabalho. Isso deu um colorido todo especial à campanha, e Getúlio era recebido por verdadeiras multidões nos grandes centros urbanos do país.

Toda agitação e a grande campanha que mobilizaram as massas urbanas não foram, no entanto, suficientes para derrotar a máquina da corrupção eleitoral do governo. Em março de 1930, os resultados das eleições deram para Júlio Prestes aproximadamente 1 milhão de votos. Só restava uma saída: o levante armado.

O início da Revolução

Getúlio Vargas, como líder da Aliança Liberal, não tinha uma posição muito clara em favor do levante armado. Apesar de a crise do capitalismo não ter influência imediata sobre os acontecimentos, ela já começava a se fazer sentir em nosso país, trazendo preocupação aos grandes cafeicultores e o desespero das massas, com o aumento do custo de vida. Isso tudo parecia levar o país para uma situação de revolta. O impasse das oposições, que não tomavam decisão quanto ao levante armado, foi rompido quando João Pessoa, candidato a vice na chapa de Vargas, foi assassinado.

O levante foi marcado por Getúlio Vargas e outros membros da Aliança Liberal para o dia 3 de outubro de 1930. O comando militar do levante foi oferecido a Luís Carlos Prestes, que se  encontrava no exílio, mas o líder havia aderido ao marxismo e considerou o movimento uma revolta de elites. A partir daí, a condução do levante coube ao coronel Góis Monteiro, que, apesar de ter combatido os tenentes, contava com a confiança de Getúlio Vargas.

Num movimento bem coordenado, as regiões do Brasil foram, uma a uma, caindo nas mãos dos rebeldes. O Rio Grande do Sul, já no dia 5 de outubro, estava totalmente nas mãos de Getúlio e seus seguidores. Depois, o movimento se estendeu por Santa Catarina e Paraná, vindo em direção a São Paulo. No Nordeste, a tomada de Recife, por Juarez Távora, foi facilitada pela ajuda popular na luta contra as forças do governo federal. Depois da tomada do recife, toda a região Norte e a Nordeste estavam controladas pelos tenentes. Em Belo Horizonte, houve forte resistência das forças  fiéis a Washington Luís, mas, depois de cinco dias de combates, os rebeldes dominaram a situação.

A resistência maior parecia que ia ocorrer em São Paulo. As forças revolucionárias vindas do Paraná se preparavam para travar violenta batalha na região de Itararé, entre São Paulo e o Paraná. Já haviam começado pequenos tiroteios, quando chegou, no dia 24 de outubro, a notícia de que o alto comando das Forças Armadas havia deposto o velho presidente Washington Luís. Não houve a batalha esperada. Na capital paulista, a notícia da deposição do presidente acirrou os ânimos, e populares invadiram e depredaram várias entidades e organismos ligados ao Partido Republicano Paulista, como foi o caso do Clube Republicano Paulista. Era uma manifestação de repúdio ao velho domínio da oligarquia cafeeira.

À medida que as forças revolucionárias, sob o comando de Getúlio Vargas, Góis Monteiro e Miguel Costa, iam se aproximando, eram recebidas triunfalmente nas grandes cidades, como foi o caso de São Paulo. No dia 24 de outubro, Washington Luís, sem esperança de resistir à revolução, abandonou o palácio da Guanabara.

Primeiros passos para a nova ordem

Quando os chefes militares depuseram Washington Luís, fizeram-no porque, apesar da resistência do presidente, era claro o absoluto sucesso das forças revolucionárias. Os altos oficiais não fizeram nada mais do que atender à vontade esmagadora do país.

Os militares formaram uma Junta Pacificadora e resolveram entregar a Getúlio Vargas o comando do país. Estava acabada a República Velha e nascendo uma nova República, sob o comando de Getúlio Vargas, que ficaria na cena política até 1954.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio volume único.

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