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Frederico Garcia Lorca

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O poeta e dramaturgo espanhol Frederico Garcia Lorca foi preso e fuzilado durante a Guerra Civil Espanhola.

Frederico Garcia Lorca (1898-1936) 

 

Frederico Garcia Lorca. Poeta e dramaturgo espanhol. Destacou-se com Romanceiro gitano (1928), versos cujos temas e imagens se inspiram nas tradições populares. No teatro, sua obra mais conhecida é a trilogia formada por Bodas de sangue (1933), Yerma (1934) e A casa de Bernarda Alba (1936). Apesar de apolítico foi fuzilado em Viznar pelas forças franquistas.

Poeta e Personagem

As homenagens a Lorca, por ocasião de seu centenário de nascimento (5 d junho de 1998), não só na Espanha, mas no Brasil e no restante do mundo, confirmaram tratar-se de um autor popular. De toda literatura espanhola, o único mais editado e traduzido do que ele é Cervantes. Além de ser lembrado, comentado e estudado, Lorca também compareceu em outros autores. Foi o poeta de outros poetas. Há coletâneas e antologias com  páginas magistrais sobre ele e sobre sua morte [...]

No Brasil, dedicaram-lhe poemas Drummond, Bandeira, Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos [...] Seria possível uma sessão completa só com leituras de poemas de qualidade sobre Lorca por autores brasileiros.

Em seu livro Poeta em Nova York, escrito quando Lorca vivia nessa cidade em plena crise de 1929, ele parece antecipar as catástrofes vividas por ele e pelos outros espanhóis, durante a Guerra Civil.

Quando se fundem as formas puras

sob o cricri das margaridas

compreendi que me haviam assassinado

Percorreram os cafés e os cemitérios e as igrejas,

abriram os tonéis e os armários,

destroçaram os três esqueletos para arrancar seus dentes de ouro.

Já não me encontraram.

Não me encontraram?

Não. Não me encontraram.

Mas se soube que a sexta lua fugiu torrente acima,

e que o mar recordou sem tardança

os nomes de todos os seus afogados.

Lorca pretendera dar ao seu livro Poeta em Nova York, inicialmente, o título de Introdução à morte. Vidente, antecipou, naquele final de 1929, a catástrofe coletiva que sobreviria em uma década, e a catástrofe pessoal, seu assassinato em agosto de 1936, nos primeiros dias da Guerra Civil Espanhola, quando fascistas o seqüestraram, fuzilaram e enterraram em uma vala que nunca foi localizada.

(WILLER, Claudio. Frederico Garcia Lorca, poeta e personagem. Agulha. Revista de Cultura, n.28- Fortaleza, São Paulo, setembro/2002.<www.revista.agulha.nom.br/ag28lorca.htm.Acesso: 18/4/2008)

 

CARSOSO, Oldimar. coleção: Tudo é História. ensino fundamental.

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Madrid e as brigadas

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Entre 17 de junho de 1936 e 1º de abril de 1939, os espanhóis travaram uma das mais cruéis guerras civis da História. O General Franco tinha como principal objetivo ocupar Madrid cuja captura terminaria a guerra. Uma Brigada Internacional de Voluntários, com cerca de 60% de comunistas, de mais de 50 países foi reunida em Albacete, tendo recebido algumas semanas de treinamento e sido enviada para a frente de batalha, em Madrid, num momento crítico.
O povo de Madrid, e os milicianos sem qualquer treinamento haviam detido o avanço de Franco. Franco tentou o bombardeamento terrorista de Madrid, com seus aviões alemães, mas isto só serviu para aumentar a vontade de resistir dos enfurecidos madrilenhos. A milícia, formada por cerca de 80 mil homens e também mulheres, aguentara o principal choque do ataque pelos insurretos (pessoa que se rebela contra algo).
Nos dias cruciais de 7 a 12 de novembro de 1936, os Internacionais - perto de 3 500 homens - foram lançados na brecha que se abrira na Cidade Universitária, nos limites ocidentais da capital. O mais pesado e principal ataque pelo exército de Franco verificou-se no domingo, 8 de novembro. Nessa tarde, as Brigadas Internacionais - em maioria composta de alemães e franceses - chegaram de Albacete, desfilando em parada, com canções revolucionárias pela cidade, em direção à frente de Batalha, onde a maioria morreu nos dez dias seguintes. No dia 9 de novembro, foram eles que suportaram o grosso do ataque à Cidade Universitária.
Os historiadores ainda discutem sobre se a Brigada Internacional salvou Madrid. A verdade é que ajudou a salvar Madrid. Houve glória suficiente para todos. A heroína comunista Dolores Ibárruri, conhecida como La Pasionaria, repetiu o grito: "Eles não passarão"! - No pasarán! - e o inimigo não passou.
Adaptado de MATTHEWS, Herbert L. Metade da Espanha morreu: uma reavaliação da guerra civil espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975, p. 1-7.
Dolores Ibárruri, conhecida como Lá Pasionaria. Líder comunista espanhola
O governo de Franco
Uma das razões da [...] permanência [de Franco por tanto tempo] no poder é o horror a uma nova guerra civil. Oficialmente incensado (adulado, elogiado, bajulado), secretamente atacado, mais talvez que nenhum chefe de Estado, Franco permaneceu porque a sua partida abriu a porta a uma aventura que os espanhóis durante muito tempo julgaram terrifica. (aterrorizante) [...]
Franco nunca deixou de utilizar sucessivamente, ou umas contra as outras, as peças da Igreja, do exército, da Falange, dos sindicatos, [...] dos economistas, das forças sociais [...] [Franco] tinha conseguido consolidar um poder quase absoluto.
O único princípio de legitimidade que ele tinha reconhecido para si próprio  é aquele que fez gravar nas moedas de 5 pesetas: "Pela graça de Deus".
Nos primeiros anos, os conselhos de ministros duravam por vezes de 8 a 9 horas a fio e ele era o único que permanecia sempre imóvel. Ele tomava todas as decisões, as quais eram sem apelo.
NIEDERGAND, Marcel. O caudilho. In: FREITAS, Gustavo de, 900 textos e documentos de História. v. III. Lisboa: Plátano, s.d., p 292-3.
O vôo de Carrero Blanco
Luiz Carrero Blanco, primeiro-ministro da Espanha, morreu num atentado à bomba organizado pelo ETA em 1973. Nessa época, o general Francisco Franco já estava no poder há 34 anos.
O almirante Carrero Blanco, apontado como provável sucessor do ditador espanhol, fora nomeado primeiro-ministro há apenas alguns meses. Seu assassinato foi um dos fatores que contribuíram para o fim do franquismo.
Para alcançar seu objetivo, os membros do ETA, construíram um túnel sob uma rua pela qual Carrero Blanco passaria de automóvel.
Lá instalaram cerca de 500 quilos de explosivos, que, detonados jogaram o carro de Carrero Blanco a mais de 20 metros de altura. Depois do atentado, uma irônica frase tornou-se comum entre os opositores do governo Franco.
"Arriba España, arriba Franco, más alto que Carrero Blanco!".
FARFEL, Nicolas. O vôo de Carrero Blanco. História Viva. Ano I, n. 12, outubro de 2004, p. 20-1.
ETAEuzkadi Ta Azkatasuna (Pátria Basca e Liberdade). Grupo terrorista do País Basco, região que compreende uma parte do nordeste da Espanha e uma pequena parte do nordeste da Espanha parte do sudoeste da França. Fundado em 1959, luta pela independência de seu país.
Veja os principais ataques terroristas do ETA na Espanha

CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental.
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A Guerra Civil Espanhola

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(1936-1939)

Em 1936, uma guerra civil começou na Espanha. Fascistas  entraram em choque com liberais, anarquistas e comunistas. Embora não tenha ultrapassado as fronteiras espanholas, a guerra provocou o envolvimento de combatentes e o empenho do governo de diversos países.

Os regimes fascistas da Itália e da Alemanha enviaram tropas e equipamentos modernos para as frentes de batalha. Por isso, a guerra na Espanha foi considerada "um ensaio" dos fascistas para a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, anarquistas e comunistas de vários continentes foram para a Espanha lutar pela República.

Nessa guerra civil, a cidade basca de Guernica foi destruída, com grande número de civis mortos e feridos.

Tudo começou com uma revolta de militares contra o governo do presidente Manuel Azaña, liderados pelo general Francisco Franco, eram chamados de nacionalistas. Entre eles estavam principalmente monarquistas, latifundiários, membros da Igreja católica e de um grupo chamado Falange Fascista. Em 1936, Franco chefiou um golpe de Estado contra o governo de Azaña. Os governos fascistas da Alemanha e da Itália consideraram o golpe legítimo e reconheceram o governo de Franco.

A Frente Popular, formada por democratas e socialistas que defendiam a permanência do governo republicano, resistiu ao golpe de Franco. Para isso, recebeu o apoio do governo socialista da União Soviética e de milhares de voluntários vindos de dezenas de países. Os governos da Inglaterra e da França eram favoráveis aos republicanos, mas não ofereceram a eles nenhuma ajuda material.

A resistência

Em julho de 1936, a ameaça ao governo republicano levou a população das grandes cidades, como Madri e Barcelona, a se organizar para impedir o sucesso do golpe. Em pouco tempo, o território espanhol se viu dividido, com uma parte republicana e outra dominada pelas forças do general Franco.

As áreas controladas pelos republicanos passaram por grandes mudanças sociais. As terras se tornaram coletivas, as fábricas e os meios de comunicação ficaram sob o controle dos trabalhadores reunidos em sindicatos. Em alguns lugares, o dinheiro foi abolido.

Em toda Espanha, milhares de pessoas foram fuziladas. Sindicalistas e professores tornaram-se o principal alvo dos nacionalistas, enquanto padres, militares e latifundiários eram executados pelos republicanos.

Além de lutarem contra o governo de Franco, os anarquistas e comunistas que compunham as tropas republicanas também brigaram  entre si. Isso ocorria porque  cada um desses grupos acreditava que a guerra deveria ser conduzida à sua maneira. Por exemplo, os anarquistas defendiam que não deveria haver hierarquia no exército republicano, opondo-se nesse sentido aos comunistas.

As tropas nacionalistas, fortalecidas pelo apoio dos fascistas italianos e alemães, aproveitaram-se das disputas entre os republicanos para derrotá-los. A guerra foi vencida pelos nacionalistas em março de 1939, três anos depois do golpe do general Franco. Terminada a guerra, ele assumiu o governo como ditador e permaneceu no poder até sua morte, em 1975, eliminando sistematicamente a oposição.

Guernica, óleo sobre tela, de Pablo Picasso. Inspirada na destruição da cidade basca em 1937, esta pintura foi realizada no mesmo ano por encomenda do governo espanhol para o pavilhão espanhol da Exposição Universal de Paris. A obra reflete intensa dramaticidade e é considerada a obra-prima do autor. Faz parte do acervo do Centro de Arte Reina Sofia, em Madri. Segundo se diz, durante a Segunda Guerra Mundial, quando Paris esteve ocupada pelas tropas nazistas, um oficial alemão entrou no ateliê de Picasso e, vendo essa tela, perguntou ao pintor:

"Foi o senhor que fez isto?". Picasso, então,  teria respondido: "Não foram os senhores!".

CARDOSO, Oldimar. coleção: Tudo é História. ensino fundamental.

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