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A artilharia Grega

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A guerra constituía uma parte importante da vida de gregos e persas. Tanto os primeiros quanto os segundos se preparavam para ela ainda jovens e dedicavam muito de seu pensamento à estratégia militar.

A idéia popular de que os gregos e romanos antigos detestavam o trabalho manual está sofrendo um grande golpe.

Uma pesquisadora do Imperial College de Londres, Serafina Cuomo, está mostrando agora que teoria e prática, arte e ciência, matemática e engenharia já se harmonizavam perfeitamente no trabalho dos engenheiros militares que projetavam e operavam armas então sofisticadas como as catapultas.

“Os engenheiros de catapultas, combinaram aptidões matemáticas e de engenharia para criar as armas mais poderosas de sua época”, afirmou Cuomo em um artigo na revista científica norte-americana Science.

As catapultas eram a arma ideal para atacar cidades e muralhas. As primeiras catapultas foram criadas no Oriente Médio, onde hoje fica o Iraque, no século IV a.C. Mas foram os gregos que realmente as desenvolveram, usando experimentos e cálculos matemáticos para produzir a artilharia mais letal da Antiguidade. Dionísio, tirano de Siracusa, é o sujeito apontado pelos textos existentes como o grande divulgador das catapultas e dos engenheiros que as construíam. Ele teria até feito um concurso público em 399 a.C. para conseguir os melhores artesãos e engenheiros militares.

Catapulta

A Guerra de Peloponeso

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Em 478 a.C., para melhor se protegerem de futuros ataques dos persas. Atenas e outras cidades gregas firmaram uma aliança. Chamada de Confederação (ou Liga) de Delos, por causa da cidade onde estava sediada, essa aliança recolhia contribuições anuais de seus participantes sob a forma de dinheiro, barcos e soldados.

No início, as cidades que faziam parte da confederação mantiveram sua autonomia política. Atenas, entretanto, desfrutava de uma  posição especial, pois dirigia as operações militares e administrativa os recursos que seus aliados depositavam no templo de Apolo, em Delos. Percebendo que os persas não eram mais uma ameaça, representantes de algumas cidades, como Naxos e Tasos, tentaram abandonar a Confederação. Mas os atenienses, que se beneficiavam dos recursos da Liga de Delos. não permitiram a saída de seus integrantes.

Rival de Atenas, Esparta e outras cidades que não faziam parte da Liga formaram a Confederação do Peloponeso, sob a liderança dos espartanos. Em 431 a.C., a rivalidade entre as duas potências se transformou em conflito aberto. Tinha início a Guerra do Peloponeso.

Atenas, cujo comércio marítimo era intenso, levava vantagem no mar. Superiores em terra, pois contavam com um exército mais bem preparado, os espartanos sitiaram Atenas. Os atenienses se refugiaram no interior de suas muralhas, mas foram atingidos por uma epidemia de peste que dizimou a população da cidade.

A guerra, continuou, até que os atenienses foram derrotados na batalha naval de Egos-Pótamos (rio Cabras) em 405 a.C. No ano seguinte, cercada por terra e por mar, Atenas se rendeu.

Vitoriosos, os espartanos dominaram a Grécia por algumas décadas. Em 362 a.C., porém, os tebanos (habitantes da cidade de Tebas) se rebelaram contra a supremacia de Esparta e, comandados pelo general Epaminondas, invadiram o Peloponeso. O conflito terminou com a vitória de Tebas. A partir de então, as cidades gregas entrariam em decadência, tornando-se presa fácil de um conquistador do norte, o rei Filipe II da Macedônia.

 

Trecho de A Guerra do Peloponeso, de Tucíades, século V a.C

A história de Peloponeso foi escrita por Tucíades, um ateniense que participou dos combates. No trecho de sua obra ele se refere ao temor dos espartanos em relação à possibilidade de uma revolta dos escravos (chamados hilotas). Esse temor fazia com que espartanos enviassem os hilotas ao campo de batalha, de modo a evitar que se rebelassem.

Os atenienses estavam bem próximos do Peloponeso […] e os lacedemônios {espartanos} estavam contentes por terem um pretexto para mandar os hilotas para longe, a fim de impedi-los de tentar  se revoltar […] Realmente por medo de sua juventude e de seu  número […] eles, em certa ocasião, haviam chegado ao extremo de recorrer ao seguinte estratagema: fizeram uma proclamação no sentido de que todos os hilotas que pretendiam ter prestado aos lacedemônios bons serviços na guerra  se apresentassem para que fossem libertados.

Na realidade estavam apenas submetendo-os a uma  prova; pois pensavam que os escravos que primeiro se apresentassem seriam os candidatos a comandar uma rebelião. Nessa prova  selecionaram dois mil hilotas, que receberam coroas de louros, percorreram os templos , como se já estivessem livres, e depois ninguém soube de seu destino.

TUCÍDIDES. A Guerra do Peloponeso. In: VAN ACKER. Maria Teresa Vianna . Grécia: a vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994, p. 67.

b

Data da batalha de Maratona pode estar errada

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A data tradicionalmente aceita para a batalha de Maratona, 12 de Setembro de 490 a.C., foi proposta no século XIX pelo estudioso August Boeckh, que se baseou nos registros feitos pouco tempo depois da batalha pelo historiador grego Heródoto. Entretanto, pesquisas recentes realizadas por astrônomos indicam que essa data talvez esteja errada.[…]

Heródoto registrou que os atenienses solicitaram o apoio dos espartanos para a batalha contra os persas, mas os espartanos responderam que só poderiam combater após o festival religioso da Karneia, que terminaria com a próxima lua cheia. Para determinar a data da batalha, Boeckh usou o calendário ateniense.

“Acredito que o método de datação de Boeckh, o calendário ateniense, tenha uma falha grave”. disse Donald Olson, astrônomo da Universidade do Estado do Texas, Estados Unidos, e responsável pela pesquisa juntamente com Russel Doescher e Marilyn Olson. Para Olson o festival religioso espartano da Karneia só pode ser analisado por meio de um calendário espartano.

Naquele ano, o calendário espartano estava um mês lunar na frente do calendário ateniense. Isso significa que a batalha de Maratona realmente aconteceu em 12 de agosto de 490 a.C., segundo os cálculos de Olson. Ele ainda sugere que foi o calor do verão no mês de agosto que colocou o mensageiro Feidípedes em estado de exaustão, o que explicaria seu colapso logo após o fim do trajeto.

Mesmo com a nova explicação, John Lazenby, historiador da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, não acredita nessa parte das conclusões de Olson. “A evidência para a corrida entre Maratona e Atenas é muito fraca. Não existe nenhum registro sobre um mensageiro que correu esse trajeto até que Plutarco o mencionou 500 anos após a batalha de Maratona. Também não temos a menor idéia de como Plutarco tomou conhecimento dessa história.”

Se a corrida de Feidípedes tivesse realmente ocorrido, acho que seria improvável que Heródoto não tivesse levantado com os atenienses a veracidade desse fato”, afirmou Lazenby

As Guerras Greco-Pérsicas

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Os gregos antigos chamavam esse acontecimento de Guerras Médicas por causa da palavra medos, nome que davam aos povos do Império persa. Depois da derrota em Maratona, o imperador persa Dario I reorganizou seu exército para voltar a atacar a península Balcânica. Entretanto morreu em  486 a.C antes que esse exército estivesse preparado para um novo confronto.

Termópilas e Salaminas

Dario I foi sucedido no trono por seu filho Xerxes, que retomou a ofensiva contra os gregos em 480 a.C . Reuniu para isso 300 mil soldados e mais de setecentos navios. Começava assim a Segunda Guerra Médica ou Greco-Pérsica. Em sua investida, o enorme exército invadiu a Trácia e a Macedônia e rumou para Atenas.

Ao contrário do que acontecera em Maratona, agora os espartanos se mobilizaram em apoio aos atenienses. À espera do invasor, Leônidas um dos reis de Esparta, se postou no desfiladeiro das Termópilas à frente dos trezentos homens que compunham sua guarda pessoal e de centenas de gregos vindos de outras cidades.

A diferença numérica era gritante. Mesmo assim, os espartanos retardaram por vários dias a marcha do invasor. A batalha terminou quando os persas descobriram um atalho e o utilizaram para cercar os gregos no interior do desfiladeiro. Cercado Leônidas combateu até o último homem.

Vencida a batalha das Termópilas, os persas invadiram e incendiaram Atenas. Os atenienses, porém, haviam se refugiado na ilha de Salamina. As tropas de Xerxes rumaram de barco para lá. Hábeis marinheiros, os atenienses se impuseram infringindo aos persas uma decisiva derrota na batalha naval de Salamina. Sem o apoio de suas embarcações, destruídas no combate, o exército persa foi novamente derrotado pelos gregos na batalha de Platéia, em 479 a.C.

Seguiram-se anos de confronto esparsos durante  quais os gregos libertaram as cidades da Jônia (na Ásia Menor) do domínio persa. Em 448 a.C., finalmente o rei persa Artaxerxes (filho de Xerxes, que havia falecido em 465 a.C) assinou com embaixadores gregos a Paz de Susa, que pôs fim às Guerra Médicas.

Veja trailer do filme 300 adaptação dos quadrinhos de Frank Miller.

Em 480 antes de Cristo, durante a famosa batalha de Termópilas o rei de Esparta, Leônidas (Gerard Butler), lidera seu exército contra o avanço dos Persas, comandados por Xerxes (Rodrigo Santoro). Na História, a batalha ficou marcada por ter inspirado toda a Grécia a se unir, o que ajudou a solidificar o conceito de democracia que se conhece hoje. Adaptação dos quadrinhos criados por Frank Miller.

A preparação dos soldados espartanos

À partir dos 7 anos, as crianças espartanas do sexo masculino eram entregues ao  Estado para sua educação, que se dava da seguinte forma:

[Da] gramática [a leitura e a escrita], só aprendiam o necessário para as necessidades correntes; todo o resto da instrução tendia a que fossem obedientes, resistentes à fadiga, vencedores nos combates […] Quando avançavam na idade, raspavam-lhes o cabelo, habituavam-nos a andar descalços e a jogar nus […] Aos 12 anos vivam sem túnica e recebiam um único manto para todo o ano […] Dormiam em comum […] sobre enxerga que eles mesmos confeccionavam depois de ter partido com suas mãos, sem a ajuda de qualquer lâmina, a parte superior das canas que crescem ao longo do [rio] Eurotas.

PLUTARCO. Vida de Licurgo. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano Editora.

As Guerras Médicas Cronologia

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(490 a.C. 404 a.C)

  • 490 a.C  Tem início a Primeira Guerra Médica ou Greco-Pérsica. Os atenienses vencem a batalha de Maratona, contra os persas.
  • 486 a.C  Morre Dario I, soberano do Império persa.
  • 480 a.C  Tem início a Segunda Guerra Médica. Os atenienses vencem os persas na batalha naval de Salamina.
  • 478 a.C  É constituída a Liga de Delos.
  • 460 a.C Péricles chega ao poder em Atenas.
  • 448 a.C É firmada a Paz de Susa, que põe fim à guerra entre gregos e persas.
  • 431 a.C Tem início a Guerra do Peloponeso.
  • 404 a.C Os espartanos derrotam os atenienses na batalha de  Egos-Pótamos. Termina a Guerra de Peloponeso.

Em 490 a.C., milhares de persas atravessaram o mar Egeu e desembarcaram na costa grega.

Objetivo: Destruir Atenas e submeter os gregos ao domínio persa. Na versão dessa história contada pelos gregos, uma força ateniense numericamente inferior,  venceu os persas, que bateram em retirada. A batalha ocorreu na planície de Maratona, a cerca de 40 quilômetros de Atenas.

Segundo a lenda, para comunicar a boa nova à população da cidade, um mensageiro percorreu a distância  de Maratona até Atenas a toda velocidade. Ao chegar, mal teve fôlego para anunciar a vitória e caiu morto. Em homenagem a essa lenda, nas Olímpiadas de 1896 foi criada a maratona, modalidade de corrida com extensão aproximada de 40 quilômetros.

 

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