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Bandeirantes contra jesuítas

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A expansão bandeirante para o oeste foi facilitada durante o domínio espanhol, que na prática, eliminava os limites de Tratado de Tordesilhas. Os bandeirantes puderam então ir bastante longe na caça ao índio, encontrando como único obstáculo a presença de missões jesuíticas. Mas, como estas concentravam grande número de índios, mais do que dificultar a ação dos bandeirantes, tornaram-se alvos de ataque de inúmeras expedições.

Entre 1619 e 1623, o bandeirante Manuel Preto, liderou diversas expedições bem sucedidas quanto ao número de índios escravizados. Em 1629, uma força de quase 3 mil homens, entre brancos, mamelucos e índios, chefiada por Manuel Preto e pelo famoso Raposo Tavares, praticamente destruiu as missões jesuíticas  de Guairá. Mais de 60 mil indígenas foram aprisionados. Os jesuítas e os indígenas sobreviventes retiraram-se para a região de Tape e se organizaram militarmente para se prevenir de novos ataques dos bandeirantes. Surpreendentemente, em 1641, as tropas de Raposo Tavares foram derrotadas.

 

 Maquete de Missão Jesuíta. Museu de História do Pantanal. foto: Alek Baptista

As regiões abandonadas pelos jesuítas foram anexadas aos domínios portugueses, fazendo parte futuramente do território brasileiro.

Nessa época, o tráfico negreiro com o Brasil foi restabelecido e os preços de escravos voltaram a cair, tornando sua aquisição mais acessível. Os índios passaram a ser menos procurados como mão-de-obra, e os bandeirantes perderam o interesse por sua captura, voltando suas atenções para a busca dos metais preciosos.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio volume único.

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O ciclo das bandeiras de apresamento

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São Vicente ficou conhecida com o nome de "porto dos escravos". Os colonos paulistas tiravam proveito das divergências entre as tribos indígenas e aprisionavam grandes quantidades de índios, que eram vendidos para fazendeiros ou usados pelos próprios bandeirantes que eram proprietários de terras.

Os colonos avançavam cada vez mais pelo interior em busca de mão-de-obra escrava. Na historiografia tradicional do Brasil, os bandeirantes são  mostrados como heróis na luta contra os índios. Foram, sem dúvida, destemidos conquistadores, mas a motivação não tinha nada de heróica: obter mão-de-obra, terras e metais preciosos. A figura que se tem do bandeirante foi criada pela historiografia tradicional, pelas artes plásticas e pela literatura comprometidas em desenvolver um sentimento nacionalista de exaltação do país. Essa figura não coincide muito  com a do bandeirante real do século XVII. Por exemplo, ele não usavam aquelas botas que costumamos ver nas pinturas. Na maioria, andavam descalços e pobremente vestidos; utilizavam não só armas de fogo, mas também as usadas pelos próprios índios.

No século XVII, a expansão bandeirante mudou suas características iniciais. Aos poucos, os paulistas se organizaram de forma mais profissional.

Na primeira metade do século XVII, os holandeses praticamente monopolizaram o comércio de negros no Atlântico. Portugueses e espanhóis não conseguiram romper esse monopólio. Consequentemente, o preço do trabalhador escravo tornou-se praticamente inacessível para os colonos de poucos recursos.

Os paulistas viram nesse momento uma oportunidade de enriquecer, pois os escravos indígenas atingiram alto preço no mercado interno. Em 1599, já havia uma tendência para a formação de bandeiras, grupos com organização e disciplina militar, cujo líder tinha poder absoluto sobre os demais componentes, que podiam chegar a centenas. A partir daí, São Paulo militarizou-se para poder fazer bons negócios com a escravidão de índios.

 

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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A expansão bandeirante

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Para entendermos o fenômeno do bandeirantismo tão ligado à formação do território brasileiro, temos de entender melhor a situação da capitânia de São Vicente.

A capitânia de São Vicente conheceu um período de prosperidade com a introdução da cultura de cana-de-açúcar e dos primeiros engenhos, em 1549. O solo pobre e a distância da metrópole fizeram com que a preferência dos colonos se voltasse para as férteis terras de Pernambuco e da Bahia. A economia vicentina entrou num processo de estagnação. Os colonos da região começaram a subir o planalto em busca de condições para sobreviver.

A partir de São Vicente, os colonos subiriam a serra fundando Santo André da Borda do Campo. Em 1554, deu-se a fundação do Colégio São Paulo, no campo de Piratininga, formando um núcleo de povoamento. Os colonos fixaram-se em São Paulo e daí partiam para a caça de índios, pedras e metais preciosos. São Paulo passou a ser um pólo de atração, pois oferecia ótimas condições de defesa. Em 1560, foi elevada à condição de vila, adquirindo alguns direitos junto à metrópole.

No planalto paulista prevalecia a economia de subsistência, e por isso alguns autores dizem que a ocupação territorial tinha características de colonização de povoamento e não de exploração, como no Norte e Nordeste. Tudo o que se plantava era destinado ao próprio consumo dos colonos. Praticamente não se exportava e pouco se importava.

 Histoblog208

O tipo de vida era bastante pobre, contrastando com a riqueza ostentada pela aristocracia dos engenhos. Afastados da metrópole, os colonos de São Paulo nem chegavam a reconhecer sua autoridade inteiramente. Gozavam de certa liberdade, pois a própria metrópole tinha poucos interesses nessa região. Muitas vezes entravam em choque com a Coroa, quando os administradores da Coroa e os jesuítas tentavam impedir a escravização dos índios.

Formou-se em São Paulo uma população com traços indígenas. O número de mamelucos, resultado do cruzamento de brancos e índios, era enorme. Os próprios brancos adquiriam os hábitos e costumes dos indígenas. O constante contato com os índios e o afastamento da metrópole levaram  ao uso da língua tupi em detrimento do português.

A esperança dos paulistas em superar a pobreza dessa sociedade era encontrar metais e pedras preciosas.

continua no próximo post...

Leia também... A colonização do Sul

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Os Bandeirantes

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Inicialmente conhecidos como "gente de São Paulo", ou, simplesmente, "paulistas", os bandeirantes eram aventureiros que partiam em expedições armadas pelo interior do Brasil entre os séculos XVI e XVIII a fim de capturar indígenas e descobrir minas de ouro e pedras preciosas.

Veja algumas informações sobre os principais bandeirantes:

Domingos Jorge Velho (1614-1703)

 

Domingos Jorge Velho 

 

Viajou por terras de São Paulo até o Piauí. Foi contratado pelo governador de Pernambuco para destruir o Quilombo dos Palmares (1695). Lutou também contra indígenas na Guerra dos Bárbaros, no Rio Grande do Norte.

 

Pascoal Moreira Cabral Leme (1654-1724)

Liderou expedições em direção ao sul e sudeste de São Paulo até Curitiba. Em 1718, alcançou o Mato Grosso e descobriu minas de ouro. Fez ainda expedições em direção ao norte e, pelo rio Tapajós, chegou até o rio Amazonas.

Bartolomeu Bueno da Silva, o Velho

Liderou expedições que atingiram Goiás (1682). Segundo consta, tornou-se famoso por ter ludibriado os indígenas da seguinte maneira: como estes não queriam indicar-lhe a localização de certa jazida de ouro, colocou aguardente em um recipiente e ateou fogo; depois disse aos nativos que se não informassem sobre a localização da mina, faria o mesmo com os rios. Assustados, os indígenas indicaram o caminho e apelidaram-no de Anhangüera.

Seu filho (Bartolomeu Bueno da Silva, o Moço), chamado de Segundo Anhangüera, percorreu o mesmo caminho de seu pai e descobriu jazidas de ouro em Goiás (1722). Morreu em 1740.

Manuel Borba Gato (1628-1718)

Era genro do bandeirante Fernão Dias Paes , tendo-o acompanhado na bandeira em busca de esmeraldas (1674-1681). Consta que teria sido o primeiro a descobrir ouro na serra de Sabarabuçu e no rio das Velhas, em Minas Gerais. Estabeleceu-se em Minas Gerais - possuindo terras em sesmaria - e ocupou cargos importantes na administração local.

Fernão Dias Paes (1608-1681)

Iniciou suas atividades capturando indígenas para serem escravizados. Em 1674, organizou uma expedição destinada à descoberta de prata e esmeraldas e chegou a receber do governador-geral do Brasil o título de Governador das Esmeraldas.

Partindo de São Paulo, seguiu pelo Vale do Paraíba e atingiu o norte de Minas Gerais, a bacia do rio Jequitinhonha. Durante sete anos procurou as esmeraldas, tendo também de enfrentar revoltas; após muito sacrifício, descobriu as pedras verdes que julgou serem as tão desejadas esmeraldas.

Morreu atacado por febres. Mais tarde, as pedras que descobriu foram remetidas a Portugal a fim de serem analisadas; descobriu-se que eram pedras comuns, destituídas de qualquer valor.

Manuel Preto (?- 1630)

Bandeirante paulista que tomou de assalto missões jesuíticas (Guaíra, Iguaçu) no sul do Brasil, chegando a trazer grande número de escravos indígenas para São Paulo.

Premiado pelas autoridades portuguesas com o título de Governador das Ilhas de Santana e Santa Catarina, Manuel Preto também fundou um povoado em São Paulo, tendo obtido permissão para construir uma capela dedicada a Nossa Senhora da Esperança (1615), da qual era devoto.

Nas festas religiosas celebradas a partir do dia 17 de dezembro - consagradas à Virgem Maria -, cantavam-se sete peças musicais que começavam todas com o vocativo Ó e, por essa razão, o povoado ficou conhecido como a Vila de Nossa Senhora do Ó, origem de um dos bairros mais antigos de São Paulo, a Freguesia do Ó.

Antônio Raposo Tavares (1598-1659)

Antônio Raposo Tavares

Talvez o mais importante dos bandeirantes. Nascido em Portugal e paulista por adoção, veio para o Brasil com seu pai que, em 1622 fora nomeado governador da capitania de São Vicente. Inicialmente, fez explorações ao sul, onde destruiu missões jesuíticas espanholas. Deve-se a ele o fato de os atuais estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e sul de Mato Grosso pertencerem ao Brasil.

Em 1639 liderou uma expedição em direção ao Nordeste para lutar contra os holandeses que ocupavam Pernambuco. Sua última expedição teve início em 1648, partindo de São Paulo, tomou a direção do rio Paraguai no sentido de suas nascentes; atingiu os rios Mamoré, Madeira e, finalmente, o Amazonas. Essa viagem durou mais de três anos e, de alguma maneira, foi importante no sentido de possibilitar a incorporação desse extenso território aos domínios portugueses.

sesmaria: terreno abandonado que era concedido  pelos reis de Portugal a sesmeiros para cultivo.

fonte: apostilas ETAPA

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A expansão territorial no Brasil

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A pecuária e o povoamento do sertão

A criação de gado surgiu para atender às necessidades do engenho e realizava-se dentro de seus limites. Servia, basicamente, para fornecer alimentos e couro, que era utilizado nos instrumentos de trabalho, além de animais de tração. O crescimento  do mercado açucareiro exigia o aumento da produção e a conseqüente ocupação das terras disponíveis. O gado, que até esse momento coexistia com as demais atividades do engenho, foi deslocado para outras áreas para ceder lugar à cultura de cana-de-açúcar.

A primeira fase da expansão territorial teve seu ponto de partida nas capitanias da Bahia e de Pernambuco. Segundo textos da época, como, por exemplo, o do cronista Antonil, foi principalmente em Pernambuco que os vaqueiros seguiram o curso dos rios em busca de pastagens para o gado. Ainda segundo esse cronista, o sertão, região de criação de gado, estendia-se desde Olinda, seguindo por todo o curso do rio São Francisco.

O avanço dos vaqueiros não se fez pacificamente, pois encontrou muitas vezes feroz resistência dos índios. Essa resistência, foi em parte vencida com o auxílio dos bandeirantes paulistas, já habituados à guerra de apresamento dos indígenas. Muitos desses bandeirantes acabaram fixando-se no Nordeste. O gado e o vaqueiro foram para terras cada vez mais distantes onde surgiram feiras de gado para a sua comercialização.

Foi somente com a descoberta de ouro, no final do século XVII, que a pecuária se desvinculou da dependência exclusiva da economia açucareira. A partir dessa época, os vaqueiros avançaram pelos sertões, criando, ao lado dos currais de gado, pequenos povoados e aldeias, ocupando o interior dos atuais estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas, etc.

Em direção ao norte

Quando Filipe II da Espanha se tornou rei de Portugal, por meio das Coroas Ibéricas, a situação política na Europa era bastante instável. Filipe II intervinha nas lutas religiosas da França, esperando enfraquecer a monarquia vizinha.

Na América, principalmente no Brasil, os franceses  continuavam suas tentativas de colonização. Os espanhóis esperavam enfraquecer ainda mais os franceses, combatendo-os onde eles estivessem ameaçando suas colônias.

Os colonos luso-brasileiros foram os responsáveis pela luta  e expulsão dos franceses. E nisso tinham seus interesses. Queriam, além de conservar a posse das terras e da mão-de-obra indígena, necessárias à produção, afastar a ameaça que os índios representavam aos engenhos da região. Os franceses, por seu lado, procuravam fazer alianças com as tribos indígenas inimigas dos portugueses.

A conquista do Nordeste e da Amazônia

A região do atual Sergipe tinha uma importância estratégica, pois permitia a ligação por terra entre as capitanias da Bahia de Todos os Santos e de Pernambuco. Até 1590, os índios foram dominados, e a região efetivamente conquistada. Os colonos luso-brasileiros prosseguiram seu avanço. Moveram violenta guerra aos franceses e seus aliados indígenas, empurrando-os cada vez mais para o norte e consolidando o domínio sobre as novas regiões.

Mas, a situação ficou muito difícil no Maranhão, onde os franceses pretendiam instalar uma colônia, efetivando a experiência que não dera certo no Rio de Janeiro. Em 1612, o francês La Ravardière fundou São Luís, nome dado à cidade em homenagem ao rei francês, que seria a capital da chamada  França Equinocial.

Era no tempo da União das Coroas Ibéricas, e portugueses e espanhóis trataram de expulsar os invasores.

Todavia, com o auxílio dos Tupinambá, os franceses resistiram durante três anos  ao assédio das forças conjuntas de colonos portugueses e espanhóis. Em 1615 com ajuda de uma poderosa força espanhola, os colonos desalojaram e expulsaram os franceses do Maranhão.

A tendência natural era prosseguir as conquistas adentrando a Amazônia. A colonização dessa região se concretizou por volta de 1630, depois que a exploração de plantas medicinais e aromáticas, conhecidas como "drogas do sertão", tornou-se economicamente rentável. Além das drogas do sertão, a região oferecia grandes possibilidades para a captura e escravização de índios.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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A colonização do Sul

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No sul da colônia, a pecuária foi introduzida por jesuítas espanhóis nas missões construídas às margens do rio Uruguai. Com a destruição das missões pelos bandeirantes, o gado se dispersou, passando a viver e a se reproduzir livremente.

Temendo perder essa região para os espanhóis, o governo português estimulou sua colonização. Surgiram aí grandes propriedades rurais, chamadas estâncias, onde se criava gado principalmente para a produção  de carne-seca e couro, destinada a outras regiões da colônia. Essa movimentação deu origem a vilas, como Curitiba (no atual estado do Paraná), em 1654, e Desterro (atual Florianópolis, Santa Catarina), em 1676.

Para garantir a posse da atual região sul do Brasil, os colonos portugueses fundaram, em 1680, a Colônia do Sacramento, às margens do rio da Prata, no atual Uruguai. Mas, no mesmo ano, a Colônia do Sacramento foi tomada por tropas do Vice-Reino do Prata, que consideravam a região parte da América espanhola. No ano seguinte, os portugueses retomaram a Colônia Sacramento.

Após longa disputa, os espanhóis reconheceram a posse dos portugueses sobre as terras colonizadas além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. Em 1750, pelo Tratado de Madri, os portugueses cederam a Colônia do Sacramento aos espanhóis e receberam em troca a região Sete Povos das Missões.

Essa ampliação da América portuguesa em direção ao sul, aliada à descoberta de ouro na Minas Gerais, estimulou a transferência da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, o que ocorreu em 1763.

A Guerra Guaranítica (1754-1756)

A região de Sete Povos das Missões, cedida pelos espanhóis aos portugueses, abrigava em 1750 aproximadamente 30 mil indígenas que viviam em missões jesuíticas espanholas. Depois do Tratado de Madri, os jesuítas tentaram convencer os indígenas a se mudarem para a América espanhola, do outro lado do rio Uruguai.

Mas os indígenas se recusaram a abandonar sua terra, decidindo ficar e enfrentar os portugueses. Com o apoio de vários jesuítas e liderados pelos indígenas Sepé Tiaraju, Nicolau Languiru, Cristóforo Acatu, Bartolomeu Candiú e Tiago Pindó, os habitantes de Sete Povos das Missões travaram com tropas portuguesas e espanholas o que ficou conhecido como Guerra Guaranítica.

Derrotados em 1756, os indígenas permaneceram atacando os portugueses com guerrilhas até 1767, quando passaram a habitar regiões próximas. No ano seguinte, os jesuítas foram expulsos da região pelo governo espanhol. Em 1777, o Tratado de Santo Idelfonso devolveu a região de Sete Povos das Missões aos espanhóis, mas em 1801 ela retornou definitivamente aos portugueses, pelo Tratado de Badajoz.

Ruínas da Igreja de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul

Bandeirantes e indígenas

A partir do século XIX, muitos pintores e escritores passaram a retratar os bandeirantes como indivíduos heróicos, que desbravaram o interior do território brasileiro vestidos com belas roupas e longas botas de couro. Em seu livro Populações meridionais do Brasil (1920), o escritor Oliveira Viana chegou a descrever os bandeirantes como “muito finos de maneiras, opulentos e cultos, vivendo a lei da nobreza numa atmosfera de elegância”.

Entretanto, pessoas que conviveram com os bandeirantes tinham deles impressão bem diferente. O padre Antônio Vieira, ao ver um grupo sair do mato, observou que “mais pareciam desenterrados que vivos”. O bispo de Pernambuco, Francisco Lima, descreveu Domingos Jorge Velho como “um dos maiores selvagens com que tenho topado”.

É pouco provável que os bandeirantes andassem bem vestidos, como aparecem em imagens produzidas nos séculos XIX e XX. No entanto, muita gente ainda acredita nessa versão heróica.

Essas representações que glorificam os bandeirantes surgiram no século XIX, quando a cidade de São Paulo começou a enriquecer com a produção de café para exportação. Nessa época, era importante que uma das cidades mais ricas do país mostrasse com orgulho os feitos de seus antepassados. Sem levar em conta que a São Paulo do século XVII não passava de uma pobre vila, a elite paulista inventou para os bandeirantes um passado bem mais glorioso do que ele foi.

 A Muralha. Direção: Denise Saraceni e Eduardo Figueira, 2002, 810 min. Minissérie em cinco DVDs produzida e exibida pela TV Globo, mergulha nos primórdios do século XVI e leva o espectador a São Paulo de Piratininga, a capital dos bandeirantes.

CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental.

Veja artigo da revista Super Interessante sobre os Bandeirantes. clique aqui

As missões jesuíticas

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Os missionários jesuítas eram contra a escravização dos indígenas promovida pelos bandeirantes. Sob a justificativa de defende-los, os jesuítas passaram a reunir os indígenas que viviam no interior do território em agrupamentos conhecidos como missões, aldeamentos ou reduções.

Nas missões ficou mais fácil converter os indígenas à fé cristã. Acreditando que as culturas européias eram superiores às indígenas, os jesuítas obrigavam os indígenas a abandonar seus costumes, como a prática da poligamia e da antropofagia, e a substituir suas línguas pela língua geral.

No século XVII, várias missões foram destruídas. Calcula-se que entre 1614 e 1639, os bandeirantes paulistas aprisionaram e escravizaram cerca de 300 mil indígenas. Em uma única bandeira, comandada por Manuel Preto e Antônio Raposo Tavares, foram aprisionados cerca de 30 mil indígenas que viviam nos aldeamentos do Guairá, no atual estado do Paraná. Por causa da morte e do apresamento de milhares de indígenas que ali viviam, a região que vai do atual Mato Grosso ao atual Rio Grande do Sul ficou praticamente desabitada por várias décadas.

Na década de 1640, os jesuítas e os indígenas das missões passaram a resistir aos bandeirantes. A partir desse momento, as expedições dos paulistas sofreram suas primeiras derrotas.

As missões sobreviveram até meados do século XVIII. Em 1759, por ordem do marquês de Pombal, os jesuítas foram expulsos da colônia e tiveram suas propriedades confiscadas. Isso porque para Pombal, eles agiam na colônia segundo seus projetos, sem se submeter à autoridade do governo português.

Algumas missões deram origem a cidades, como São Borja, no atual estado do Rio Grande do Sul; de outras, só restaram ruínas.

Opiniões diferentes

No século XVII, nem todas as pessoas que viviam na colônia portuguesa tinham a mesma opinião sobre os bandeirantes paulistas. Isso fica claro nos textos a seguir. O primeiro deles, escrito pelo jesuíta Antonio Ruiz de Montoya, descreve a tomada da missão de Jesus Maria, no Guairá (hoje oeste do Paraná). No segundo, o funcionário Manuel Barreto de Sampaio descreve para o rei de Portugal a vida dos paulistas.

 

Texto do Jesuíta Antonio Ruiz de Montoya, 1636

[…] aqueles tigres ferozes [os paulistas] começaram, com espadas, facões e alfanjes, a derrubar cabeças, truncar braços, despedaçar pernas e atravessar corpos, matando com a maior brutalidade ou barbaridade já vista no mundo.

[…] Provaram eles o fio de aço dos seus sabres em cortarem os meninos em duas partes, em lhes abrirem as cabeças e despedaçarem os seus membros fracos. […] Não mostraram qualquer compaixão com os feridos, sendo que em vez disso ou de preferência, os meteram numa prisão, defendida com boa guarda. […] Com respeito a seus próprios índios, que tinham consigo a título de ajuda, mostraram-se tão cruéis que, achando-se estes feridos pelos nossos, mandavam arrasta-los numa lagoa, para que ali se afogassem

CIMI- Conselho Indigenista Missionário. Outros 500: construindo uma nova história. São Paulo: Salesiana, 2001, p. 43

 

Texto de Manuel Barreto de Sampaio, 1674

Os moradores […] de [São Paulo] vivem conforme as leis do Reino e muito obedientes às ordens da Sua Alteza. As famílias estão unidas por casamentos umas às outras, dedicando-se ao descobrimento do sertão e à lavoura dos frutos da terra, de que é abundante. Fornece ao Rio de Janeiro e mais capitanias, farinhas, carnes, algodões, legumes e outros gêneros. Têm fundado vilas e muitas povoações, sem ajuda […] [financeira] de Sua Alteza.

Esses moradores são aqueles que por várias vezes vieram à Bahia combater o gentio Tapuia, que destruía o recôncavo. Estes mesmos desbarataram todo o gentio que existia na parte sul, para poderem os portugueses viver seguramente em suas fazendas e casas.

Ultimamente passou […] [uma bandeira] com 200 brancos, 200 mestiços e 400 [nativos] desta vila, cortando imensidade de caminhos e vindo parar nas cabeceiras do Rio Tocantins. Aí, tem-se notícia que descobriram minerais por terem formado casas e aberto estradas para a vila de São Paulo.

JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco; MESGRAVIS, Laima e LIMA, Enezila de. Coletânea de documentos históricos para o primeiro grau- São Paulo: SE/ CENP, 1985, p 19-20

A expansão pecuária

Ao longo dos séculos XVI e XVII, a criação de gado bovino na América portuguesa era praticada principalmente nas terras dos engenhos de açúcar. Bois e vacas eram utilizados para transportar a cana, movimentar as moendas e alimentar os moradores do engenho.

Com o crescimento dos rebanhos, o gado começou a invadir os canaviais em busca de pasto. Em 1701, para evitar que a pecuária atrapalhasse a produção de açúcar, o governo português proibiu a criação de gado a menos de 10 léguas (cerca de 66 quilômetros) do litoral, na região onde se concentravam os engenhos. Assim, a pecuária passou a ocupar mais e mais o interior do território.

Como os proprietários de terra não queriam viver longe do litoral, confiavam a criação de gado aos vaqueiros. Estes eram auxiliados por outros trabalhadores que recebiam um salário anual. Além de fornecer o gado necessário aos engenhos, os criadores do interior também produziam carne-seca e couro, utilizado para a confecção de roupas, calçados e bolsas.

Em troca de cinco anos de trabalho, os vaqueiros recebiam um quarto das crias nascidas nesse período. Com o passar do tempo, os vaqueiros conseguiam se tornar proprietários de seu próprio rebanho, com o qual avançavam cada vez mais para o sertão. Esse movimento foi responsável pela colonização da região a oeste do rio São Francisco, sobretudo nas capitanias da Bahia e de Pernambuco.

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Novos territórios

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Nos séculos XVI e XVII, enquanto o litoral da América portuguesa era ocupado pelos colonos, o interior do território, chamado de sertão, praticamente não foi explorado. Temendo que os colonos roubassem os metais e pedras preciosas que viessem a encontrar, o governo de Portugal proibiu a circulação pelo sertão. Só poderiam andar pelo interior da colônia pessoas autorizadas pelo governador-geral.

Caminhar pelo sertão adentro, numa região desconhecida, não era fácil para os europeus. Além do risco de perder o rumo, havia muitos perigos: Contrair doenças, enfrentar animais ferozes, picadas de insetos e de cobras. Só os indígenas conheciam o interior do território, as características do relevo, o percurso dos rios, os animais e as plantas. Sabiam se orientar no mato, encontrar água e comida para sobreviver.

A penetração pelo interior também era limitada pelo Tratado de Tordesilhas, cuja linha divisória separava a América portuguesa, da América espanhola. Com a união Ibérica, em 1580, essa divisão perdeu o sentido, o que facilitou a colonização do interior.

A colonização do oeste

Diante a constante ameaça de invasão do território colonial por franceses, ingleses e holandeses, os portugueses decidiram ocupar regiões que ainda não haviam explorado. Essa expansão resultou na fundação de Belém, em 1616, o que permitiu a exploração do rio Amazonas.

Mais tarde, a luta para expulsar os holandeses da capitania de Pernambuco estimulou a colonização de áreas próximas, como as capitanias do Rio Grande, do Ceará e do Maranhão.

Em 1690, a ocupação do rio Negro deu origem à futura cidade de Manaus. Da região amazônica, os portugueses retiravam principalmente produtos como peixes, madeiras e drogas do sertão, de grande valor no mercado europeu.

No século XVIII, o desenvolvimento da indústria de tecidos na Inglaterra estimulou a produção de algodão na região do Grão-Pará e do Maranhão, o que contribuiu para a colonização local. No fim desse século, por causa do processo de independência da América inglesa, os britânicos deixaram de adquirir grande parte do algodão produzido em suas colônias e passaram a importar o produto do Brasil. Isso provocou uma expansão da produção algodoeira em várias regiões da colônia portuguesa na América.

Drogas do Sertão: Produtos extraídos da floresta Amazônica nos séculos XVII e XVIII, como o cacau, o gengibre, o óleo de copaíba, a salsaparrilha e a baunilha, entre outros. As drogas do sertão destinavam-se a substituir no mercado europeu as drogas e especiarias das Índias, cujo monopólio os portugueses perderam ainda no século XVI, para comerciantes de outras nacionalidades. A busca destes produtos foi importante fator de estímulo à colonização do Pará e da região do rio Negro, no Amazonas.

 

Entradas e bandeiras

Outro fator que contribuiu para a expansão do território em direção ao interior foram as expedições organizadas pelos colonos. Chamadas de entradas ou bandeiras, tinham como objetivo encontrar ouro, prata e pedras preciosas e também aprisionar nativos para escraviza-los. Chegando a contar com mais de mil integrantes, entre colonos e indígenas, essas incursões pelo sertão eram feitas a pé e duravam vários meses.

A vila de São Paulo era o principal ponto de partida das bandeiras. Como estavam separados do litoral pela serra do mar, os paulistas tinham dificuldade para comerciar com Portugal. Por isso, as bandeiras passaram a constituir para eles uma atividade econômica importante.

No século XVII, com a fundação da Nova Holanda, o bandeirismo paulista ganhou força. O conflito entre holandeses e portugueses dificultou o tráfico de africanos escravizados, estimulando os bandeirantes a capturar indígenas para vende-los aos proprietários de engenhos de açúcar da região do atual Nordeste.

Por sua experiência em percorrer o sertão, os bandeirantes também eram contratados pelos governadores-gerais para combater grupos indígenas que resistiam à invasão de suas terras pelos colonos e ainda para capturar escravos fugidos e destruir quilombos.

No fim do século XVII, os bandeirantes descobriram ouro na atual região de Minas Gerais. É provável que a primeira jazida tenha sido encontrada em 1693, em Caeté, pela expedição de Antônio Rodrigues Arzão. A busca de ouro atraiu para a região mineira grande  grande número de pessoas e deu origem a muitos núcleos urbanos no interior da colônia.

Expansão territorial do Brasil – Cronologia

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  • 1616   Fundação de Belém.
  • 1654   Fundação da vila de Curitiba, no Paraná.
  • 1676   Fundação da vila de Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina.
  • 1680   Fundação da colônia de Sacramento, tomada nesse mesmo ano pelos espanhóis.
  • 1693   Antônio Rodrigues de Arzão encontra jazida de ouro na região das minas do atual estado de Minas Gerais.
  • 1750   Assinatura do Tratado de Madri.
  • 1754-1756  Guerra Guaranítica.
  • 1763   A cidade do Rio de Janeiro passa ser a capital da República.

Bartolomeu Bueno da Silva (século XVII). Nascido em São Paulo. Em 1682, recolheu amostras de ouro nos sertões do atual estado de Goiás. Segundo a tradição, numa de suas incursões pelo sertão encontrou um grupo de indígenas que se recusou a lhe mostrar onde havia ouro. Para amedronta-los, Bueno ateou fogo a uma vasilha cheia de aguardente ameaçando fazer o mesmo aos rios da região. Assustados, os indígenas o chamaram de ANHANGÜERA, que quer dizer ‘diabo velho’.

 

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