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1904:- A questão marroquina

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As disputas imperialistas sobre o norte da África resultaram na Convenção de Madrid, em 1880, que definiu uma “política de porta aberta” para o Marrocos, regulando os direitos de exploração da região para os franceses, alemães e britânicos. Entretanto, as ambições francesas e alemãs sobre esse território acabaram gerando uma acirrada disputa, tornando mais intensas as rivalidades entre os dois países iniciadas com a Guerra Franco-Prussiana (1870).

Em 1904, França e Inglaterra  firmaram um acordo pelo qual os franceses  reconheciam os interesses ingleses no Egito e, em contrapartida, recebiam o apoio inglês para a dominação francesa sobre o Marrocos, dificultando, assim, a ação dos alemães nesse país. Em 1905, entretanto, o kaiser Guilherme II desembarcou em Tânger, criando um impasse ao prometer preservar a independência do Marrocos.

A crise do Marrocos foi resolvida em 1906, na Conferência de Algeciras, na qual se confirmou a “política de porta aberta” aos franceses e alemães, porém com vantagens para os franceses, a exemplo da divisão do controle da política do país com a Espanha.

Em tal situação, o sultão do Marrocos subordinou-se ao domínio francês, que o auxiliava nos enfrentamentos dos chefes tribais rivais e das rebeliões muçulmanas. Afora os colonizadores novas crises entre  imperialistas  ocorreram em 1908, em Casablanca, e, em 1911, em Agadir, sendo solucionadas pela cessão do Congo francês à Alemanha, que em troca, abandonava  suas pretensões sobre o Marrocos. Mesmo assim, permaneceu o descontentamento, pois os alemães consideraram pequena a compensação recebida, e os franceses ficaram inconformados por cederem uma área colonial.

Cláudio Vicentino. Gianpaolo Dorigo. História para o ensino médio. História Geral e do Brasil

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O mundo depois da Primeira Guerra Mundial - Gripe Espanhola

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Depois da Primeira Guerra, a Europa já não era a mesma. Havia perdido a influência no mundo. Mergulhava rapidamente em uma crise que duraria até as vésperas de outra guerra: A Segunda Guerra Mundial.

A Alemanha teve quase 2 milhões de mortes; A França e a Inglaterra, juntas mais de 2 milhões. A Rússia, incluindo a fase da guerra civil, perdeu perto de 5 milhões de habitantes. Enfim, a quantidade de mortos fazia qualquer outro conflito anterior parecer uma pequena batalha perto da carnificina provocada pela Primeira Guerra Mundial.

Os prejuízos materiais eram incalculáveis. O comércio estava praticamente a zero. Somente os países que ficaram distantes do palco da guerra, como os Estados Unidos e o Japão, conseguiram tirar proveito do comércio europeu. Também para a América Latina o conflito trouxe alguns benefícios.

A Primeira Guerra Mundial foi o prenúncio da crise total que se abateu sobre a Europa, ao mesmo tempo que marcou a mudança do centro das decisões para o outro lado do Atlântico. Também acirrou as contradições do capitalismo, a ponto de provocar o aparecimento de uma nova forma de sociedade: a socialista.

História e Saúde

A Primeira Guerra Mundial, considerada um dos mais sangrentos episódios da história da humanidade, é vista por muitos historiadores como um marco no nascimento do mundo moderno. Mas o nascimento desse mundo moderno custou muito em termos de vidas. No total as estimativas variam entre 9 e 10 milhões de mortos. A maioria esmagadora dos soldados era formada por jovens. Muitos desses jovens eram estudantes de Oxford e Cambridge , as mais famosas universidades inglesas.

Porém não só as balas e as bombas mataram durante  os conflitos. A epidemia da chamada gripe espanhola chegou a matar muito mais do que a luta. Veja o exemplo: os Estados Unidos, que se envolveram na guerra só depois de 1917, tiveram cerca de 115 mil soldados mortos, mas a gripe espanhola matou mais de 500 mil americanos.

 

A gripe espanhola mais do que guerra

No outono de 1918, enquanto os aliados empurravam as linhas alemãs para leste, indicando que a guerra estava perdida para a Alemanha, um desastre maior do que a própria guerra estava acontecendo no mundo: o surgimento do vírus de uma gripe desconhecida até então, que se espalhou em proporções de uma pandemia. A gripe havia surgido na primavera daquele ano. O lugar exato onde se originou é desconhecido até hoje, mas as teorias popularizadas de sua origem acabou dando o nome pelo qual ficou conhecida, GRIPE ESPANHOLA. Uma primeira onda da gripe  chegou ao auge nos meses de junho e julho de 1918,  mas foi em outubro e novembro que o número de mortes atingiu índices alarmantes. Foi somente na primavera de 1919 que a gripe começou a diminuir a sua devastadora tarefa de matar.

A mortalidade epidêmica foi simplesmente monstruosa. Na França, calcula-se que tenham morrido cerca de 166 mil pessoas na Alemanha, 225 mil, na Inglaterra 230 mil. Nos Estados Unidos, mais de 550 mil pessoas morreram em conseqüência da epidemia da chamada gripe espanhola. Na Ásia, uma das grandes atingidas foi a Índia, com mais de 1.6 milhões de mortos.

A gripe teve um particular impacto sobre a população jovem, entre crianças e adolescentes. Cerca de 25% das vítimas tinham 15 anos de idade ou menos, e 45% tinham entre 15 e 35 anos. Ao todo, mais de 20 milhões de pessoas morreram vítimas da epidemia - número muito maior do que o provocado pela guerra.

Muitas explicações para as origens da gripe surgiram na época, mas o agente causador não tinha ainda sido isolado; portanto, permaneceu desconhecido. A gripe teve um caráter de praga, por isso foi vista por muitos como um castigo divino para punir a maior carnificina já feita na história do ser humano, em especial na frente ocidental. Outras hipóteses surgiram na época para explicar as condições que favoreceram a difusão da gripe. Segundo uma dessas teorias, bastante divulgada, a gripe se deveu ao enfraquecimento dos habitantes das cidades, carentes que estavam de alimentação apropriada, dando condições para o aparecimento de doenças. E, na frente de batalha, condições de insalubridade, infestação de piolhos, ratos etc.

Todo tratamento que se experimentou contra a gripe se mostrou ineficaz, e a ignorância sobre sua origem impedia a fabricação de uma vacina. A causa viral da gripe espanhola só foi descoberta em fins de 1933, quando o vírus mutante já havia praticamente desaparecido.

WINTER, J. M. The experience of World War (tradução dos autores). Oxford: Equinox, 1988. p. 134.

PEDRO, Antônio. História da civilização ocidental. ensino médio. volume único.

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As Fases de 1ª Guerra Mundial

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Os quatro longos anos da Primeira Guerra Mundial podem ser divididos em três fases:

  • 1ª Fase  - A guerra de movimento

Havia duas frentes principais de batalha. A frente ocidental - onde os alemães combatiam os franceses, os ingleses e os belgas´- e a frente oriental - onde os alemães combatiam os russos.

A primeira fase durou de agosto a novembro de 1914 e foi marcada por um intenso movimento de tropas. Inicialmente, os alemães marcharam contra a Bélgica e, apesar da resistência belga, chegaram às vizinhanças de Paris, na França. Os franceses, porém, com a ajuda dos ingleses, conseguiram contra-atacar e deter o avanço alemão na batalha do Marne. Como nenhum dos lados conseguiu vitórias decisivas nessa batalha, a guerra na frente ocidental estacionou.

  • 2ª Fase - A guerra das trincheiras

Com a estabilização das forças em luta, passou-se a uma nova fase da guerra, a chamada guerra das trincheiras. Nesta fase, os exércitos adversários procuravam firmar suas posições com o objetivo de vencer o adversário por meio do desgaste progressivo de suas tropas. Os exércitos da Inglaterra e da França, de um lado, e o da Alemanha, de outro, tomaram posições em trincheiras desde o mar do Norte até a fronteira da Suíça.

Trincheiras construídas para abrigar soldados da 1ª Guerra Mundial.

Enquanto isso, na frente oriental, o exército alemão vencia sucessivas batalhas contra o maltreinado e mal-armado exército russo. Na Ásia, porém, os japoneses venciam e se apoderavam das colônias alemãs no Oriente: Tsingtão, na China, e as Ilhas Marianas, Carolinas e Marshall, situadas no oceano Pacífico.

Conforme o conflito foi se alastrando, novas armas, como a metralhadora, os gases venenosos, o lança-chamas, o tanque, o avião e o submarino, fizeram sua estréia na Primeira Grande Guerra. Com o uso dessas novas armas, os soldados passaram a ficar cada vez mais tempo abrigados em trincheiras, e os combates corpo a corpo tornaram-se cada vez mais raros.

Em 1915, a Itália rompe com a Alemanha e alia-se à Entente. E, enquanto milhares de jovens morriam nas trincheiras, outros países entravam na guerra, ampliando as dimensões do conflito que atingia mais duramente a Europa.

No início de 1917, a Alemanha decidiu adotar a guerra submarina: qualquer navio encontrado em águas territoriais inimigas seria afundado. Um dos atingidos pelos alemães foi o navio norte-americano Lusitânia, o que foi um dos motivos da entrada dos Estados Unidos na guerra, naquele mesmo ano.

Seguindo os Estados Unidos, outros países americanos, inclusive o Brasil , engajaram-se no conflito ao lado da Entente. (o Brasil também teve seu navio Paraná afundado pelos alemães)

No final de 1917, a Rússia, esgotada por derrotas consecutivas diante dos alemães, assinou com a Alemanha um tratado de paz em separado. No início do ano seguinte, a Rússia saia da guerra.

  • 3ª Fase - Uma nova guerra de movimento

Em virtude da paz selada com os russos, os alemães deslocaram suas tropas para a frente ocidental e lançaram uma poderosa ofensiva apoiada pela aviação e pela artilharia pesada no início de 1918. Recomeçava a "guerra de movimento". Mas os países da Entente conseguiram reagir e venceram as forças alemãs na segunda batalha de Marne, forçando o seu recuo. O passo seguinte seria invadir o território alemão.

Com a capitulação (rendição) da Bulgária e da Turquia e o esfacelamento do Império Austro-Húngaro, a vitória da Entente se tornava cada vez mais iminente. Nesse meio tempo, uma rebelião popular sacudiu a Alemanha, forçando o imperador Guilherme II a renunciar, em novembro de 1918. O novo governo proclamou a República e assumiu a rendição que, finalmente, pôs fim a guerra.

Fim da 1ª Guerra Mundial

Ao fim da Grande Guerra, a aviação militar, os canhões, os tanques e os gases venenosos tinham provado sua eficiência. O saldo trágico da Primeira Grande Guerra Mundial foi de  cerca de 8 milhões de mortos e 20 milhões de mutilados.

Diante dessa enorme tragédia, boa parte da humanidade e alguns líderes políticos quiseram acreditar que aquela seria a última de todas as guerras. Entretanto, enganaram-se os que assim pensavam.

Os vencedores foram implacáveis nos tratados de paz impostos aos vencidos. Vários acordos foram assinados entre os dois lados, que, em seu conjunto, receberam a designação de Tratado de Versalhes. Em 28 de junho de 1919, os líderes da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos impuseram as condições de paz à Alemanha.

Veja alguns trechos do Tratado de Versalhes:

  • Artigo 45 - A Alemanha cede à França a propriedade absoluta (...) com direito total de exploração das minas de carvão situadas na bacia do rio Sarre. (...)
  • Artigo 56 - [A Alemanha devolve a Alsácia-Lorena à França]. Os bens e propriedades dos Estados alemães na região também deviam ser transferidos para a França, sem que nenhuma indenização fosse paga aos alemães. (...)
  • Artigo 119- (...) A Alemanha renuncia, em favor das potências aliadas a todos os seus direitos sobre as colônias ultramarinas.

(Janotti, Maria de Lourdes. A Primeira Grande Guerra. p. 62-3)

Além disso, a Alemanha ficou  proibida de possuir aviação militar, submarinos e artilharia pesada, teve de entregar aos vencedores parte de seus navios mercantes, seu exército foi reduzido a um contingente máximo de 100 mil homens e contraiu uma enorme dívida de guerra.

Considerando humilhante a paz que lhes foi imposta em Versalhes, os alemães passaram a alimentar um grande ódio e um desejo de vingança em relação aos vencedores, sobretudo no que dizia respeito à França. Tudo isso favoreceu o ressurgimento de movimentos ultranacionalistas na Alemanha e lançou a semente de um outro conflito ainda mais cruel, a Segunda Grande Guerra Mundial.

Participando ao lado dos vencedores, o Japão conquistou várias colônias alemãs na Ásia e se impôs como uma das grandes potências regionais do planeta.

Os vencedores também impuseram acordos de paz aos aliados da Alemanha. Esses tratados redefiniram o mapa europeu com o surgimento de novos Estados, como a Tchecoslováquia, a Áustria, a Hungria e a Iugoslávia.

BOULOS JUNIOR, Alfredo. História Sociedade & Cidadania. ensino fundamental.

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