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Gladiador

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Veja vídeo trailer Direção: Ridley Scott, 2000, 155 minutos

Na época do imperador Cômodo (180-192 d.C), o general Maximus se torna escravo e passa a lutar como gladiador.

Veja mensagem do vídeo.


Império Romano - Uma sociedade desigual

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Apesar da riqueza do Império romano e dos privilégios que a cidade oferecia com água encanada, esgotos, iluminação noturna e comércio variado, a população viva na pobreza em quartos apertados situados em prédios de até seis andares, as insalue .

Essas habitações, além de apertadas e desconfortáveis, eram pouco higiênicas, os piolhos, pulgas e ratos se multiplicavam por todos os cantos. Não havia segurança, pois sempre havia o risco de incêndios e desabamentos.

Havia, porém, uma minoria formada pelos ricos que viviam em mansões luxuosas e confortáveis. Apesar de serem poucas são elas as mais bem conhecidas pelos arqueólogos. Por uma razão simples: as casas dos ricos duravam mais tempo por serem construídas com materiais mais resistentes, como o mármore, no caso de Roma.

As mansões tinham piscinas no interior e jardins enfeitados com estátuas nos fundos. Muito comum era as paredes serem decoradas com pinturas. Em geral os homens quase não usavam cadeiras, preferindo leitos ou camas. As cadeiras eram reservadas às mulheres.

Nesses ambientes eram realizados banquetes com muita comida e bebida, apresentações de dança e música. O escritor Petrônio que viveu na época de Nero descreve um desses banquetes em uma obra de ficção que compôs, o Satyricon:

Nem bem sentamos à mesa e alguns escravos de Alexandria derramaram sobre nossas mãos, água gelada, enquanto outros ajoelhados a nossos pés, limpavam nossas unhas com grande habilidade. Todos eles faziam isso e cantavam ao mesmo tempo. Pedi algo para beber e logo um escravo, cantando um pouco diferente, serviu-me. Sempre estavam cantando e aprecia um coro de uma peça teatral, não algo doméstico.

Logo começou a servir-se a entrada aos vários convidados, à exceção do dono da casa. Trimalcião, ao qual se reservava o lugar de honra. No meio havia um asninho de bronze (…) com azeitonas verdes e negras. Estava coberto por dois pratos, com o nome Trimalcião e um peso de prata.

(FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Roma: vida pública e vida privada. p.49.)

Como podemos ver, os documentos escritos são importantes. Mas, não são os únicos que nos informam sobre o passado. Parte do que sabemos do Império romano, por exemplo, chegou até nós por meio do que se encontrou em Pompéia, uma cidade situada no litoral da Itália.

Pompéia

Tudo começou na manhã de 24 de agosto de 79 d.C., em Pompéia, uma cidade rica e próspera situada no litoral da Itália e conhecida por sua grande produção de vinhos.

De repente, mais ou menos às 10 horas da manhã, o vulcão Vesúvio entrou em erupção, e uma nuvem escura pairou sobre ele. Em seguida, uma chuva de pedras, lançada pelo vulcão, caiu sobre a cidade. As pessoas entraram em  pânico. Algumas fugiram em direção à praia, mas também não tiveram sorte, pois acontecia ao mesmo tempo, um terrível maremoto. Boa parte dos que escaparam dos desmoronamentos morreu asfixiada pela nuvem de gás que se abateu sobre a cidade.

Pompéia permaneceu soterrada por séculos e só foi descoberta através de escavações iniciadas no século XVIII. Os pesquisadores encontraram mansões, templos, o anfiteatro da cidade, o mercado e o edifício onde eram realizadas as eleições municipais.

Mas a maior surpresa de seus descobridores foi, talvez, ver o momento de horror que sucederam a erupção também tinham sido preservados. É como se a cinza vulcânica tivesse  transformado as pessoas em estátuas. É possível ver as expressões de medo, de aflição etc. Entre as vítimas há também um cão que morreu ao lado do seu dono.

Pompéia é um caso único na arqueologia. Na maioria das vezes os arqueólogos tem que lidar com uns poucos vestígios, sendo obrigados a montar verdadeiros quebra-cabeças, em que sempre faltam peças.

Foto de corpos de habitantes de Pompéia mortos devido a erupção vulcânica

fonte: BOULOS JUNIOR, Alfredo. Coleção História Sociedade & Cidadania.

Imperadores Romanos: loucos e cruéis?

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Sempre ouvimos falar dos imperadores Calígula e Nero como loucos, cruéis e devassos. Isto sempre nos foi transmitidos, em boa parte pelo cinema. Será verdade?

Em primeiro lugar, devemos lembrar que a violência sempre esteve presente na política da Roma Imperial. Era comum a eliminação de adversários políticos e mesmo de familiares pelos imperadores. Praticamente todos os imperadores romanos, em algum momento de seus governos, recorreram à violência  para se manter no poder. Nesse aspecto, Calígula e Nero não foram exceções. Em 65 d.C., por exemplo, ocorreu uma conspiração contra Nero que pretendia colocar outro nobre no poder. Ele reagiu violentamente, provocando a morte de vários senadores e cavalheiros.

Em segundo lugar, deve-se ter em mente que os relatos históricos que possuímos sobre o período imperial foram escritos, em grande parte, por senadores, como Tácito, nossa principal fonte sobre Nero. Nesses relatos, cada imperador é julgado de acordo com o grau de colaboração que estabeleceu com o Senado durante seu governo. Aqueles imperadores, como Calígula e Nero, que buscavam reforçar seu prestígio apoiando-se nos setores populares eram duramente criticados. Daí a imagem negativa que temos deles hoje.

Por fim, apenas um comentário sobre o célebre incêndio de Roma em 64 d.C., do qual Nero foi acusado. Na verdade, não há provas cabais do envolvimento do imperador. Provavelmente, após o incêndio circularam  boatos incriminando Nero, que posteriormente foram retomados por pessoas que lhe eram hostis.

Além disso, incêndios em Roma eram comuns e quase que diários, sobretudo nos bairros pobres, onde as casas tinham estruturas de madeira e eram construídas muito próximas umas das outras. O que pouca gente sabe é que Nero realizou uma reforma urbana nas áreas incendiadas.

BOULOS JUNIOR, Alfredo. História – Sociedade & Cidadania. p 203

Império romano – Regime Militar

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A estratégia de exercício de poder dos imperadores baseava-se, desde Augusto, na idéia de ocupar cargos tradicionais e, a partir dessa base legal, governar. Assim, a sucessão não era hereditária (que se transmite por herança, de pai para filho), pois não havia propriamente uma realeza de sangue. Era, antes, uma espécie de regime militar, pois os imperadores deviam ser generais e o poder não era de uma família, mas dos generais. Isso explica que a sucessão fosse baseada na adoção do futuro imperador. Este não era, necessariamente, parente do imperador e devia ser, como regra geral, um comandante  militar. No entanto, o Império romano, além de não ter sido uma monarquia, no sentido  moderno da palavra, era formado por um elevado número de cidades mais ou menos autônomas. Cada uma delas tinha sua própria Constituição e escolhia seus próprios magistrados.

História romana, século III d.C

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O texto a seguir é formado por trechos da obra História romana, escrita por Cássio Dión, que viveu entre 165 d.C e 229 d.C. Nessa obra Dión analisa o processo de formação e consolidação do Império romano até o ano 229 d.C.

Foi da maneira que se segue que todos os poderes do Senado e do povo passaram a Augusto, a partir de quem se estabeleceu uma verdadeira monarquia […]. No entanto, os romanos detestam tanto o nome monarquia que se recusam a chamar seus imperadores de ditadores, reis ou de qualquer outro nome do gênero. Contudo, como toda a administração do  Estado está em suas mãos, não se pode deixar de considera-los reis.

É verdade que ainda hoje os magistrados são nomeados segundo as leis, com exceção dos da censura; no entanto, toda a administração e todo encaminhamento das questões seguem os desejos daqueles que detém o poder. A fim de aparentar exercer o poder, não por vontade própria, mas conforme a lei, os imperadores se atribuem, além desse título, todos aqueles que, com exceção da ditadura, dependiam, no tempo da república, da vontade do povo e do Senado. […]

Por causa desses títulos, procedem eles à organização das tropas, fazem recolher os impostos, declaram a guerra e fazem a paz, comandam em todos os lugares e sempre, tanto os aliados como os romanos, podendo ordenar a execução de cavalheiros e senadores […]; desta maneira, detêm eles todos os poderes que outrora detinham os cônsules e outros magistrados. […]

Todas essas funções tem sua origem na República e eles as executam da maneira como eram exercidas tradicionalmente; desse modo, assumindo-as, eles não parecem ostentar nenhum poder que não lhes tenha sido concedido.

DION, Cássio.In: PINSKY, Jaime. 100 textos  de História antiga. São Paulo: Contexto, 1991, p 96-7.

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Império romano – A força das instituições republicanas

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 Ruínas do Fórum romano, onde ficava exposta a Lei da Doze Tábuas

Júlio César, foi assassinado em 44 a.C, por um grupo de senadores. Seguiram-se anos de conflitos e guerras civis, ao fim das quais Otávio Augusto subiu ao poder.

As razões que levaram os senadores a assassinar César em pleno Senado tinham por base a suspeita de que ele pretendia se tornar rei. Assim, em vez de restaurar a monarquia, ao chegar ao poder Otávio preferiu se eleger cônsul sucessivas vezes. Mais tarde, renunciou ao consulado e se fez eleger tribuno vitalício e pontifex maximus, ou seja sumo sacerdote. Ao acumular todos esses títulos e cargos, ele se tornou senhor absoluto de  Roma sob uma aparência republicana. O Senado e os cargos de cônsul e de tribuno, continuaram a existir.

Dessa forma, muitos romanos acreditavam estar vivendo ainda numa República, mesmo quando já era evidente que o poder se achava concentrado nas mãos do imperador. Para alguns, o domínio dos generais sobre a política de enfraquecimento do Senado eram passageiros. A República (imaginavam eles) superaria esses problemas. Além disso, a vida cotidiana não sofreu grandes alterações. As pessoas continuavam a ir aos circos apreciar combates de gladiadores;o antigo Fórum, onde se erguia o Senado e se concentravam os templos e as cortes de justiça, se manteve como centro da vida política, jurídica e religiosa da grande cidade.

O governo de Augusto durou quarenta e quatro anos e deu início a um longo período de paz, que se estendeu por mais de dois séculos e ficou conhecido como Paz Romana. (14 a 235 d.C. ).

Ao longo da história do Império, houve momentos em que os imperadores concentraram maior ou menor poder. Os próprios imperadores relutaram em criar um único título que expressasse todo o seu poder. Em vez disso, acumulavam títulos republicanos, como o de cônsul. Junto a eles, utilizavam novos títulos, como Augusto e Cesar – este último em homenagem ao general Caio Júlio Cesar. A República, contudo nunca mais ressurgiu.

Entre 14 e 235 d.C., o Império foi governado por 4 dinastias de imperadores.

Dinastia Júlio Claudiana (14-68) – Imperadores:  Tibério, Calígula, Claudio e Nero

  • Pertencentes à nobreza romana, esses imperadores consolidaram a estrutura política do regime inaugurado por Augusto. Apesar dos constantes conflitos familiares e com o Senado, Claudio organizou o serviço administrativo, servindo-se de escravos e libertos. Nero realizou uma importante reforma monetária.

Dinastia Flaviana (69-96) – Imperadores:  Vespasiano, Tito e Domiciano

  • Essa dinastia subiu ao poder após guerras civis que se seguiram à morte de Nero, em 68. Com esses imperadores, o exército se firmou como um dos principais agentes políticos do Império. Sob Tito, em 70, Jerusalém  foi invadida e seu templo destruído.

Dinastia Antonina (96-192) – Imperadores: Nerva,     Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo

  • Todos, exceto Cômodo, foram administradores eficientes, além de incentivar as artes e as ciências. Foi considerada a “Idade de Ouro” do Império Romano”.

Dinastia Severa (193-235) – Imperadores: Sétimo Severo, Caracala, Macrino, Heliogábalo, e Severo Alexandre.

  • Com esses imperadores, acentuou-se a militarização do Império, com a nomeação de militares para todos os governos das províncias e altos postos administrativos.

Augusto e seus sucessores

Durante o governo do primeiro imperador romano, Caio Otávio Turino, que passou à Historia com o nome de Augusto, as fronteiras do Império se alargaram. Na África, com a vitória sobre Marco Antônio, Augusto considerou a nova anexação do Egito, que já havia sido conquistado antes por Júlio César, como uma façanha sua. Na Europa, as fronteiras do Império foram fixadas nos rio Reno, na Alemanha atual, e Danúbio, na atual Hungria. Também foram dominadas as regiões montanhosas dos Alpes e da península Ibérica e a Mauritânia, no norte da África.

Com a morte de Augusto, surgiu o problema da sucessão imperial. Como não se tratava de uma monarquia, o poder não era hereditário. Apesar disso, durante algum tempo alguns membros da família de Otávio foram imperadores. Seu enteado Tibério governou de 14 d.C a 37 d.C., e depois seu bisneto Calígula, de 37 d.C a 41 d.C. Os imperadores seguintes foram Cláudio 41 d.C a 54 d.C, sobrinho de Tibério, e Nero 54 d.C a 68 d.C, enteado de Cláudio.

Três desses imperadores tiveram morte violenta. Calígula foi assassinado por militares da guarda pretoriana (força de elite do exército romano) ; Cláudio morreu envenenado pela própria mulher, Agripina; e Nero suicidou-se depois de incendiar Roma e pôr a culpa nos cristãos.

Com a morte de Nero, a sucessão imperial tornou-se ainda mais complicada. O senador Sérvio Sulpício Galba, nomeado imperador pelo Senado em 68 d.C., foi assassinado em janeiro de 69 d.C. No mesmo ano, Marco Sálvio Otho e Aulo Vitélio  se declararam imperadores, mas foram vencidos por Vespasiano, que governou o Império até 79 d.C. Sucederam Vespasiano seus filhos Tito 79 d.C a 81 d.C e Domiciano 81 d.C a 96 d.C. assassinado durante uma conspiração.

Depois da morte de Domiciano, o Senado nomeou Marco Coceio Nerva como imperador. Nerva abandonou o critério familiar e introduziu uma nova forma de sucessão: adotou Trajano, que assumiu o poder após a sua morte. Foi durante o governo de Trajano 98 d.C a 117 d.C, que o Império romano atingiu sua máxima extensão territorial. Trajano e seus sucessores, Adriano e Antonino Pio, seguiram a mesma política de adotar o sucessor, independentemente de sua origem familiar.

  Coliseu

O Coliseu

Desde a época da República, a existência de uma grande massa de plebeus em Roma era vista como um problema pelos patrícios. Depois da expansão territorial romana, com o aumento do trabalho escravo nas grandes propriedades rurais, ocorreu um intenso afluxo de camponeses sem terra a grande cidade. Muitos deles passaram a viver de pequenos serviços, enquanto outros permaneciam sem trabalho. Para os Senadores, essa massa pobre e numerosa representava um perigo em potencial. Vítima de injustiças, ela podia ser atraída pela pregação  de reformadores sociais que condenavam os privilégios dos patrícios, o que poderia levar a desordem e arruaças.

Assim, para mante-la entretida e acomodada, os líderes de Roma passaram a promover uma política que ficou conhecida como “pão e circo”. Essa política consistia em distribuir trigo à população pobre e oferecer a ela espetáculos de circo como corridas de carros puxados por cavalos e combate entre gladiadores. Sob o Império, quando a cidade de Roma chegou a abrigar cerca de 1 milhão de pessoas. os governantes ordenaram a construção, em todo território romano, de inúmeros anfiteatros para exibição desses espetáculos.

No Coliseu eram apresentados combates entre gladiadores, entre homens e feras ( panteras e leões) e até combates navais. Ele funcionava como um instrumento de propaganda da cultura romana para os povos dominados e para distrair a população mais pobre, evitando um número maior de revoltas. Embora o Coliseu tenha funcionado até o século VI desde 404 foram proibidos jogos com mortes humanas.

Império Romano - cronologia

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             27 a.C Sob a liderança de Otávio (Augusto), tem início o Império romano.
              14 d.C Com a morte de Otávio, Tibério torna-se seu sucessor no comando do Império romano
              37 d.C Morre Tibério.
              68 d.C Depois de incendiar Roma, o imperador Nero suicida-se.
     98 d.C – 117 d.C O Império romano é governado por Trajano e atinge sua máxima expansão territorial.

Depois de vencer Marco Antônio, Otávio anunciou a Roma que a paz havia sido restaurada e que a República estava salva. A República porem, estava com seus dias contados. Em 27 a.C., Otávio renunciou publicamente a seus poderes especiais. Tratava-se de uma encenação. O que ele queria mesmo era que o Senado viesse lhe pedir que assumisse todos os poderes.

Dito e feito. Humildemente, os senadores imploram que ele aceitasse o poder que lhe ofereciam. Otávio recebeu, então, os títulos de Princeps (primeiro cidadão) e de Augusto, que antes só era atribuído aos deuses. Ao mesmo tempo, o exército lhe concedeu o título de Imperator, que queria dizer comandante. Otávio agora era Imperador dos romanos. A República estava morta. Em seu lugar erguia-se, sob a espada de Augusto, o Império romano.

Imperador romano Otávio Augusto

 

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