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Guerra do Ópio: o domínio da China

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Até o fim do século XVIII, os europeus só tinham autorização para negociar com a China pelo porto de Cantão. Os chineses, que consideravam seu país autosuficiente, mostravam pouco interesse pelas mercadorias estrangeiras, em troca de suas exportações de porcelana, seda e chá. Além disso, o comércio não podia ser realizado diretamente com a população chinesa. Devia ser intermediado por funcionários especiais, que estabeleciam as cotas e os preços das mercadorias.

Para aumentar seu comércio com os chineses os ingleses começaram a vender-lhes ópio, uma droga extremamente prejudicial à saúde e que provoca dependência química. À medida que o vício do ópio se expandia entre os chineses, as importações da droga aumentavam, e seus efeitos maléficos tornavam-se cada vez mais  devastadores entre a população.

O governo chinês enviou, então, uma carta à rainha Vitória, da Inglaterra, lembrando que o ópio era proibido em território  inglês:¨Se é reconhecido ser tão nocivo, como podereis procurar obter lucros expondo os outros ao seu poder maléfico¨.

Mas os ingleses não pararam de traficar a droga, que era cultivada na Índia. Em 1839, as autoridades chinesas ordenaram que fosse destruído um carregamento de ópio na cidade de Cantão. Os ingleses, considerando o ato uma afronta a seus interesses, deram início ao que veio a ser a Guerra do Ópio (1840-1842).

fonte: Nelson Piletti. Claudino Piletti. História e vida integrada. ensino fundamental.

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A partilha da África

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A partilha da África foi feita de maneira arbitrária, sem respeitar as características étnicas e culturais de cada povo. Em parte, isso tem contribuído para muitos dos conflitos da atualidade no continente africano.

Veja comentário no texto abaixo:

“Levar a luz e a civilização aos lugares escuros do mundo.” Assim, um contemporâneo do processo de neocolonização da África justificava a ação europeia em 1897. Porém, um século depois, o que se vê em grande parte da África contraria aquele objetivo: massacres entre etnias, guerrilhas, tribalismo, governos opressores, endemias e miséria. A África negra – sobretudo o território ao sul do Saara – forneceu, desde o século XVI, escravos para as colônias norte-americanas. O tráfico negreiro estimulou conflitos intertribais  pre-existentes e criou alianças de certos grupos com os europeus.

Foi, porém, no século XIX que as potências da Europa se lançaram à conquista territorial da África. Implantaram-se a dominação política, a exploração econômica e a sujeição cultural, em meio à acirrada disputa, legitimadas pela “missão civilizadora” do homem branco

Na Conferência de Berlim (1884-1885), a África foi partilhada, ignorando-se a complexidade étnico-cultural e a organização tribal. Fronteiras estabeleceram o “dividir para reinar”.

Após a Segunda Guerra (1939-1945), com a descolonização, as fronteiras não foram repensadas. As elites conduziram a independência, que forjou uma identidade nacional e, nos anos 1960 e 1970, constituiu dezenas de países artificiais como entidades políticas.

O caso da África central é bem ilustrativo. Lá as etnias tutsi e hutu (maioria) estão em confronto.

Independente em 1960, a República Democrática do Congo (ex-Zaire) viveu uma guerra civil entre os grupos étnicos diferentes. Mobutu tomou o poder e sufocou levantes separatistas. Em 1997, ele morreu.

Em 1994, violenta guerra civil em Ruanda levou ao genocídio de tutsis por extremistas hutus. A vitória dos primeiros  provocou êxodo de civis e combatentes hutus para o leste do ex-Zaire, onde ficaram em campos de refugiados.

Crianças brincando em capo de refugiadosCrianças brincando em campo de refugiados Ruanda 2004

Rebeldes tutsi, que queriam derrubar o ditador Mobutu, dominaram a região e  expulsaram os refugiados. Civis voltaram a Ruanda; combatentes, temendo a represália tutsi, foram para as florestas. Fome e doenças seguem os sobreviventes.

Diante dessa tragédia, confirma-se a inviabilidade das divisões territoriais. Cabe aos africanos minimizar os males deixados pela colonização e buscar sua verdadeira identidade. Aos europeus, encarar essa herança.

(Adaptado de BRANCATELLI, Maria Odette S. Folha de São Paulo, Fovest, 26 dez. 1996)

O conflito entre as etnias tutsi e hutu, já causou a morte de mais de 1 milhão de pessoas e é responsável pelo grande número de refugiados na região.

fonte: Nelson Piletti, Claudino Piletti, Thiago Tremonte. História e vida integrada. ensino fundamental.

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O domínio dos Estados Unidos

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O governo dos Estados Unidos propunha, na Ásia, a política de “portas abertas”, isto é, todas as potências deveriam ter os mesmos direitos de exploração comercial e financeira. Na América Latina, porém, seguiu a política “a América para os americanos”, isto é “portas fechadas” para qualquer potência, exceto para os Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos também não respeitou a política de “portas abertas” na Ásia, pelo menos em relação às Filipinas.

Durante o século XIX, Cuba destacou-se no mercado mundial como um dos maiores produtores de açúcar, o que atraiu o interesse de investidores estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos. Além disso, a localização da ilha, distante pouco mais de 150 quilômetros dos Estados Unidos, contribuiu para aumentar o interesse dos norte-americanos.

Em 1898, tropas norte-americanas invadiram Cuba, território até então dominado pela Espanha.

Os dois países entraram em guerra, saindo vitoriosos os Estados Unidos. No ano seguinte, as tropas espanholas deixaram Cuba, que ficou sob ocupação militar norte-americana.

Durante esse mesmo período, as Filipinas – arquipélago localizado no sudeste da Ásia – também estavam sob o domínio espanhol. O governo dos Estados Unidos também considerava o arquipélago filipino um ponto estratégico para seus interesses políticos e econômicos. E a Espanha acabou cedendo as Filipinas aos Estados Unidos como consequência do conflito entre os dois países.

Além de Cuba e das Filipinas, os Estados Unidos ocuparam ainda Porto Rico, na América Central.

Nelson Piletti, Claudino Piletti, Thiago Tremonte. Hostória e vida integrada. ensino fundamental

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O neocolonialismo

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Desde o fim da década de 1990 vem se desenvolvendo uma campanha internacional pelo perdão da dívida externa dos países pobres, sobretudo os da África.
Esse tipo de ação vem ganhando adeptos e é sinal de que a pobreza no mundo peocupa a ponto de os países ricos procurarem soluções para ela.
Não podemos esquecer, entretanto, que a origem da situação de pobreza, que condena à morte milhões de pessoas em todo mundo, é a intensa exploração perpetrada pelas potências mundiais durante séculos na África, na Ásia e na América Latina. Esse processo é conhecido como Imperialismo.
Os novos domínios europeus
No século XIX, para muitos países da Europa, possuir colônias significava ter acesso fácil e barato a matérias-primas e fontes de energia à indústria, como ferro, carvão e petróleo. Significava também construir mercados consumidores para os produtos industrializados da Europa.
A dominação neocolonialista atingiu seu ponto culminante com a chamada partilha da África, realizada na Conferência de Berlim, entre 1884 e 1885. Nessa conferência, convocada pelos alemães, representantes dos Estados Unidos e de catorze países da Europa fizeram acordos para dividir o continente africano.
A partir daí, numa sucessão de ações, a África foi sendo ocupada, um processo que continuou nas décadas que se seguiram. No começo da Primeira Guerra Mundial (1914), quase todo o território africano estava sob a ocupação de forças europeias. Além da África, as nações capitalistas dividiram entre si a Ásia e algumas regiões da Oceania. Entre 1830 e 1880, quatro potências europeias desenvolveram políticas colonialistas na Ásia: Inglaterra, Rússia e Holanda, que já possuíam territórios antes de 1830, e França, que passou a conquistá-los a partir desse ano. Em 1885, os franceses assinaram um tratado que tornou a Indochina uma possessão da França.

mapa da Partilha da África na Conferência de Berlim

Na América Latina, o imperialismo europeu penetrou sobretudo por via comercial e financeira, e não pela dominação territorial. Desde o começo do século XIX, o capital britânico já financiava o comércio exterior latino-americano. E, em meados daquele século, passou a financiar também a exploração de minérios, a agricultura, a construção de vias de comunicação, de portos, etc. Franceses e alemães também fizeram investimentos na América Latina.
A medida que a dívida com esses países crescia, os governos da América Latina eram obrigados a entregar a administração da exploração das ferrovias, da alfândega e do transporte urbano às companhias estrangeiras. Dessa forma, embora mantivesse a independência política, a América Latina passou a ser controlada pelos interesses do capital externo.
Nelson Piletti. Claudino Piletti, Thiago Tremente. História e vida integrada. ensino fundamental.

 

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