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Hebreus e Fenícios

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Os hebreus povo de origem semita organizado em tribos nômades que viviam supostamente na Mesopotâmia por volta de 1850 a.C Sua história é contada no Antigo Testamento, um conjunto de livros sagrados que ao lado do Novo Testamento compõe a Bíblia.

O Antigo Testamento mistura personagens que provavelmente existiram com outros personagens fantásticos e sobrenaturais.

De modo geral, os povos da Antiguidade acreditavam na existência de diversos deuses. Suas religiões, portanto, eram politeístas. O faraó Amenófis IV do Egito (1377 a.C – 1358 a.C) tentou instaurar o culto a um deus único, substituindo as divindades tradicionais por Aton, mas, após sua morte os egípcios voltaram ao politeísmo. Na antiguidade, apenas os hebreus adotaram de modo mais sistemático uma religião monoteísta, cultuando uma única divindade: Javé, ou Jeová.

Segundo o texto bíblico, o patriarca Abrão teria migrado com sua família da cidade de Ur, na Mesopotâmia, para a região conhecida na época como Terra de Canaã, ou Palestina. A migração teria sido ordenada por Javé, que teria escolhido Canaã com a terra prometida para os hebreus, descendentes de Abrão. Em Canaã, o nome do patriarca foi mudado por Javé para Abraão, que significa ‘pai de muitas nações’.

A terra prometida

Organizados em doze tribos, por volta de 1600 a.C, os hebreus enfrentaram na Palestina um longo período de seca e de fome. A solução foi migrar novamente, dessa vez para o Egito. Um documento egípcio confirma sua presença em 1220 a.C. Nesse momento, os hebreus haviam sido reduzidos à condição de escravos do faraó. Segundo o Antigo Testamento, por volta de 1200 a.C eles teriam fugido da escravidão no Egito e empreendido a volta a Canaã sob a liderança de Moisés.

Moisés teria morrido antes de seu povo alcançar a Terra de Canaã. Séculos mais tarde em 1010 a.C., um rei de nome Saul teria unificado doze tribos hebréias e fundado o reino de Israel. Seu sucessor foi Davi que fez de Jerusalém a capital do reino. Davi foi sucedido no trono por seu filho Salomão (966 a.C – 933 a.C), que mandou construir o templo de Jerusalém e deportaram (levar para fora) grande parte da população local, no episódio conhecido como “cativeiro de Babilônia”. No século I a.C., os romanos conquistaram a região e, em 70 a.C destruíram novamente o templo de Jerusalém, que fora reconstruído. No século seguinte, os hebreus foram expulsos de Jerusalém, pois se recusavam a adorar os deuses romanos. A partir de então, eles se dispersaram pelo mundo.

Comerciantes e navegadores

Os fenícios se fixaram na região onde hoje se encontra o Líbano por volta de 3000 a.C. Mais tarde, quando os gregos começaram a entrar em contato com outras sociedades deram a essa região o nome com o qual ela passaria à História. Phoíníke, Fenícia, que em grego antigo queria dizer terra da púrpura.

Ao contrário dos egípcios, os fenícios não constituíram um império territorial com governo único e centralizado. Sua forma de organização política foi cidade-Estado, sistema pelo qual cada cidade tinha seu próprio governo independente das outras. Dessa forma, quando se fala da Fenícia fala-se de um conjunto de cidades-Estado que abrigavam a população fenícia. As cidades fenícias mais importantes eram Sidon, Tiro, Ugarit e Biblos.

Entre 1580 a.C e 1085 a.C., a fenícia esteve sob domínio dos egípcios. Apesar disso, foi à partir de 1500 a.C que os fenícios se consolidaram como os principais marinheiros e comerciantes do Mediterrâneo. Seus mercadores centralizavam principalmente cedro, azeite e perfumes. Além disso, fundaram muitas colônias e feitorias no litoral do Mediterrâneo. As primeiras delas foram provavelmente instaladas na ilha de Chipre, no delta do rio Nilo e na Sicília, onde fundaram as cidades de Mócia. Panormo e Solos.

No norte da África, os fenícios estabeleceram-se em Útica no século XII a.C e construíram Cartago no século IX a.C. Na península ibérica, fundaram Gades (atual Cádiz) no século XII a.C. A partir de Cartago, os fenícios controlavam as ilhas de Malta e Ibiza.

O declínio das cidades fenícias

Por volta de 883 a.C., as cidades fenícias caíram sob o domínio dos assírios, que então governavam a Mesopotâmia. Com o fim do Império assírio, elas passaram para o domínio babilônico (573 a.C) e, mais tarde, para o do Império persa (539 a.C) – As cidades fenícias foram ainda conquistadas pelos macedônios em 322 a.C e pelos romanos em 64 a.C.

Hebreus e Fenícios - Cronologia

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  • 3000 a.C  Os fenícios se estabelecem na região ocupada pelo Líbano.
  • 1850 a.C  Segundo a Bíblia, Abrão e sua família, levando criados e gado, saem da Mesopotâmia e se dirigem para a região de Canaã, ou Palestina.
  • 1600 a.C  Os Hebreus migram de Canaã para o Egito, onde são escravizados.
  • 1500 a.C Os fenícios inventam o alfabeto e dão início à sua expansão comercial.
  • 1200 a.C  Os Hebreus fogem do Egito e voltam para a Palestina.
  • 1010 a.C  Os Hebreus unificam suas tribos e criam o reino de Israel.
  • 933  a.C  O reino de Israel se divide nos reinos: de Judá e de Israel.
  • 587  a.C  O reino de Judá é invadido pelos babilônios, que destroem o templo de Jerusalém. Muitos Hebreus são levados como escravos para a Babilônia.
  •    70 a.C  Os romanos conquistam a Palestina.
  • 100 d.C  Os Hebreus são expulsos da Palestina pelos romanos.

Arte em relevo

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Por volta de 2900 a.C, os reis sumérios e também pessoas comuns tinham o hábito de colocar imagens de si mesmos no interior dos templos. Dessa forma, eles se faziam representar diante dos deuses em atitude de oração permanente.

Gudea, Príncipe de Lagash

Os alto-relevos e as pinturas dessa época mostram sobretudo cenas que envolvem deuses, reis e sacerdotes.

Sob o império assírio (1200 a.C. – 612 a.C), os artistas passaram a representar cenas de guerra e de caça. A vida cotidiana também foi representada, como vemos na figura abaixo.

Relevo em pedra  vida cotidiana

 

 

Porta de Ishtar construída por Nabucodonosor - leia mais...

A guerra entre americanos e ingleses contra o Iraque que começou em 2003 provocou perdas irreparáveis para o acervo cultural daquele país.

Em 2003, forças dos Estados Unidos e da Inglaterra atacaram o Iraque, com o objetivo de derrubar o governo de Saddam Hussein. De acordo com os governos americano e inglês, a invasão se justificava porque Saddam estaria promovendo a produção de armas de destruição em massa. Mais tarde ficou provado que a acusação era falsa.

 Notícia veiculada em 14/04/2003 no Uol notícias. (link corrompido).

Dano à cultura iraquiana é irreparável, dizem especialistas

Especialistas em antiguidades, consternados com o fato de os Estados Unidos não terem cumprido a promessa de proteger as relíquias históricas de Bagdá durante a guerra, disseram na segunda-feira que o tesouro saqueado do principal museu do Iraque talvez nunca seja recuperado.

O museu de Bagdá tinha peças importantíssimas da antiga Mesopotâmia – O acervo do museu foi destruído ou saqueado nos dias que se seguiram ao colapso (situação anormal e grave) do regime de Saddam Hussein. – Entre os mais de 170 mil objetos há peças como um vaso de alabastro de Uruk que data de 3500 a.C. – O local também abrigava tabletes com escrita cuneiforme nunca decifrados. – Alguns itens roubados já estariam sendo vendidos no mercado de antiguidades de Paris. – As peças mais valiosas devem ser vendidas por milhões de dólares a colecionadores, mas há outras peças, como as de argila, que atingem valores mais baixos.

Organizações de arqueólogos dos Estados Unidos e a Unesco (Órgão da Organização das Nações Unidas – ONU – para a cultura) disseram que entregaram ao governo norte-americano, meses antes da guerra, informações sobre o patrimônio histórico e os sítios arqueológicos do Iraque. (UOL notícias).

O Homem que calculava

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Os mesopotâmicos eram pessoas de espírito prático e observador. Tinham um gosto particular pelo cálculo. Inventaram o sistema decimal e o sistema sexagesimal. A divisão do círculo em 360 graus, é uma de suas contribuições ainda hoje utilizadas. Muitos dos cálculos realizados por seus sábios ficaram registrados em tabuletas de argila, que nos permitem entender um pouco de seu raciocínio.

Sistema sexagesimal: é um sistema de numeração de base 60, criado pela antiga civilização suméria. Estes sistemas são utilizados nas medidas de ângulos e de coordenadas geográficas angulares e de tempo.

A medida angular de um grau, é dividida em 60  minutos de arco, e cada minuto de arco é dividida em 60 segundos de arco.

Nas medidas usuais de tempo, uma hora é dividida em 60 minutos e cada minuto em sessenta segundos. Na civilização suméria o minuto era dividido em 60 terceiros, uma antiga unidade de medida de tempo ou de amplitude angular. Hoje em dia os segundos são divididos pelo sistema decimal.

Um registro interessante de problemas envolvendo cálculos, encontra-se em uma tabuleta de argila datada de 1650 a.C a 1200 a.C. Descoberta em Sipar, essa tabuleta está hoje no Museu Britânico em Londres, Inglaterra, onde recebeu o nome de “BM 85196”.Nela consta o seguinte problema:

  • Problema 9: Uma vara de comprimento 0,5 GAR está encostada a uma parede 0,5 GAR de altura. O topo da vara está 0,1GAR abaixo do que deveria estar se estivesse perfeitamente de pé. A que distância da parede está a parte de baixo da vara?
  • GAR = unidade de medida mesopotâmica de comprimento que equivale a aproximadamente 5 metros.

Para resolver o problema, os mesopotâmicos precisavam desenvolver um raciocínio parecido com o que chamamos hoje de teorema de Pitágoras. O grego Pitágoras viveu no século VI a.C, isso significa que os mesopotâmicos  já dominavam tais cálculos avançados pelo menos seis séculos antes dele.

As Sete maravilhas do Mundo Antigo

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A lista feita na antiguidade inclui:

  • As pirâmides do Egito 
  • Os jardins suspensos da Babilônia
  • A estátua de Zeus em Olímpia
  • O templo de Artemis em Éfeso
  • O mausoléu de Halicarnasso
  • O Colosso de Rodes
  • O Farol de Alexandria

Somente as Pirâmides do Egito ainda existem.

A epopéia de Gilgamesh

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Segundo a tradição suméria, por volta de 2500 a.C. a cidade de Uruk teria sido governada por um lendário rei chamado Gilgamesh. Sobre ele foram criadas muitas lendas, transmitidas oralmente e depois escritas na forma de poema.

Este poema, chamado hoje de epopéia de Gilgamesh, é o mais antigo texto literário conhecido. Foi encontrado em 1872 pelo arqueólogo inglês Georg Smith entre os restos da biblioteca de Nínive.

Gilgamesh teria sido o quinto rei da primeira dinastia que governou a cidade de Uruk após o dilúvio, tendo reinado por 126 anos. No poema ele é descrito como um ser 2/3 deus e 1/3 homem, pois sua mãe era uma deusa, Gilgamesh herdou de sua mãe a beleza, força e inquietude, e de seu pai a imortalidade. A tragédia do poema é o conflito entre os desejos do deus e o destino do homem.

Seu companheiro na epopéia é Enkidu, um ser criado entre os animais selvagens, que o auxilia em suas lutas contra monstros e deuses. A grande amizade entre Gilgamesh e Enkidu, que tem início com uma luta corpo a corpo em Uruk, é o elo que liga todos os episódios da história.

O texto abaixo faz parte do poema épico de Gilgameshi, o renomado rei de Uruk, na Mesopotâmia.

Esse poema é uma mistura de aventura, ensinamento moral e tragédia. Gilgameshi pode ser considerado o primeiro herói trágico da literatura mundial. Existem fortes evidências de que ele foi escrito a 4 mil anos atrás. A versão que chegou até nós é do século VIII a.C., da biblioteca de tabletes de argila de Assurbanipal, o grande rei assírio, descoberta em meados do séculos XIX.

Gilgameshi, o rei de Uruk

Oh! Gilgameshi, senhor de Kullab, grande seja a vossa glória. Este foi o homem que conheceu todas as coisas; foi ele o rei que conheceu os países do mundo.

Ele era sábio, viu os mistérios e conheceu as coisas secretas, transmitiu-nos a história dos dias antes do Dilúvio.

Ele fez uma longa viagem, ficou muito cansado, esgotou-se de tanto trabalhar e, quando voltou, descansou; e gravou numa pedra toda a história.

Quando os deuses criaram Gilgameshi, deram-lhe um corpo perfeito Shamash, o glorioso Sol, deu-lhe a beleza; Adad, deus de tempestade, deu-lhe a coragem; os grandes deuses fizeram tão perfeita a sua beleza, que superava todas as outras. Os deuses fizeram-no dois terços deus e um terço humano.

Em Uruk ele construiu os muros da cidade (…) e o templo da deusa Eanna (…)

Traduzido de SANDARS, N. K. The epic of Gilgamesh. An English version with an introduction. Harmondsworth, Middleessex, Penguin Books, 1968. p. 59

PEDRO, Antonio. História da Civilização Ocidental. ensino médio.

 

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